28 de setembro de 2012

Tim Maia: A voz que estremeceu o Brasil.




No dia 28 de setembro de 1942, nascia no Rio de Janeiro, bairro da Tijuca, zona norte da capital carioca, o filho mais novo de uma numerosa família, cujo nome de batismo era Sebastião Rodrigues Maia. Apesar de ajudar a família desde pequeno, entregando pela cidade as quentinhas que o pai fazia, Tião não perdia sua simpatia nem quando era chamado de “Tião Marmiteiro” pelas crianças da vizinhança, atrasando muitas vezes as entregas para jogar futebol com eles ou então para comer um pouco da comida que vinha nas marmitas. E foi mais ou menos nessa época que ele conheceu aquela que seria sua maior paixão pelo resto da vida: a música.

Ainda durante a adolescência, o gordinho mais simpático da Tijuca fez parte de alguns conjuntos musicais, que acabaram não vingando por conta do temperamento forte de Tim Maia. Aliás, um desses grupos dos quais ele fez parte (The Sputniks)também tinha como integrante outro grande nome da música brasileira, Roberto Carlos.  

Depois de alguns anos morando nos Estados Unidos, Tim Maia voltou ao Brasil em abril de 1964 e continuou tentando um lugar ao sol na música durante os anos seguintes, pois o mundo da música estava começando a fervilhar por conta dos Festivais de Música Popular Brasileira, principalmente por conta das inspiradíssimas composições que eram inscritas na competição e também da verdadeira guerra travada entre o pessoal da MPB e os brotos da Jovem Guarda, que, entre outras coisas, eram acusados de serem alienados e de não estarem fazendo “música brasileira de verdade”.

Depois de muita luta para conquistar seu espaço na música, Tim finalmente conseguiu o reconhecimento que tanto merecia com o sucesso de duas músicas de seu primeiro LP, Primavera e Azul da cor do mar, que acabaram entrando para a lista de músicas mais famosas da carreira do cantor. Devido ao enorme sucesso principalmente de Primavera, ele foi convidado para fazer uma participação no LP Em Pleno Verão, cantando com Elis Regina o dueto que ele mesmo compôs, These are the songs. A gravação com a pimentinha era o empurrão que faltava para que a carreira de Tim Maia finalmente decolasse.

Nos mais de 40 anos de carreira do pai da Soul Music no Brasil, Tim conseguiu emplacar vários sucessos que estão cristalizados na memória das pessoas, como: Azul da Cor do Mar, Primavera, Gostava Tanto de Você, Do leme ao pontal, Vale Tudo, Não quero dinheiro, Acenda o Farol, Você, Descobridor dos sete mares e tantas outras canções que embalaram gerações.

Tim Maia era muito exigente com a qualidade de som, por isso estava sempre reclamando dos técnicos. ex: "Mais grave, mais retorno, mais som! eu não estou ouvindo o baixo".

Polêmicas:

Tim protagonizou momentos hilários na MPB, como, por exemplo, não ir ao próprio show, faltava aos ensaios, programas de TV, brigava com as gravadoras. Isso foi se tornando rotineiro em sua carreira. 

Vale lembrar também que o cantor passou por uma fase mistica, quando mergulhou na"Cultura Racional", liderada por Manuel Jacinto Coelho, fundador e guru desta seita obscura localizada na Baixada Fluminense (RJ). Chegou a lançar dois LPs nessa fase (75 e 76), cuja temática das letras era totalmente voltada para a Cultura Racional. Para entender melhor, assista o vídeo do programa "Por Toda Minha Vida"  

                                  

Além ter levado uma vida intensa e tumultuada tanto no campo pessoal quanto no  profissional, Tim acumulou muitos problemas de saúde. No dia 15 de março de 1998,  o Brasil perdeu o suingue e a voz estrondosa de Tim Maia, aos 55 anos. Veja a matéria sobre a morte do cantor: Jornal do Commercio

"Não sei porque você se foi, quantas saudades eu senti, e de tristezas vou viver, e aquele adeus não pude dar"  
"Gostava tanto de você" (Édson Trindade).

Fica registrada aqui nossa homenagem ao "síndico do Brasil". Citação: W/Brasil-Jorge Ben Jor.


*Para Lembrar Tim Maia: (discos e homenagens que estão sendo lançados para lembrar a obra do furacão da Tijuca).

Veja como adquirir CDs do Tim Maia:

*Coleção Tim Maia/Abril Coleções. Coleção Completa
*Coleção Tim Maia/Abril Coleções. Volumes Avulsos
Você também pode complementar a coleção com alguns álbuns que ficaram de fora da coleção Abril, Confira:
Caixa Box Tim Maia/Saraiva: Tim Universal Maia

Livro: Vale Tudo, autor: Nelson Motta, editora: Objetiva. Categoria: Biografia
Onde comprar: Saraiva    Livraria Cultura   

Filme: Filme sobre Tim Maia sairá em 2014:
Tema de especiais na TV, livros, relançamento de discos, e um musical de sucesso recente, visto por mais de 250 mil pessoas, Tim Maia (1942-1998) deve chegar também ao cinema.

A cinebiografia do cantor, que completa 70 anos hoje (28) tem previsão para ser lançado no verão de 2014. Dirigido por Mauro Lima (Meu nome não é Johnny/2008) e com produção da RT Features, o longa "Tim Maia" teve as filmagens reagendadas para abril do ano que vem. Saiba mais em: O Diário

       Vídeo da estreia do Espetáculo Tim Maia-Vale Tudo, o musical! 

     





Texto: Deborah Duarte e Wallace Surce. 

15 de setembro de 2012

Djavan passeia com estilo pela Rua dos Amores


                                                             Foto: Maíra Coelho

Depois de imprimir sua marca em um álbum de regravações (Ária/2010) Djavan lança o seu 21°álbum: "Rua dos Amores". Com 40 anos de carreira e 63 anos de idade, ele está em plena atividade, fez uma linda canção para Maria Bethânia, "Vive", produziu o disco da cantora Mart'nália "Não Tente Compreender" e acabou de produzir seu novo álbum, totalmente autoral, das 13 faixas que compõe o CD, apenas "Vive" não é inédita, pois consta no mais recente disco de Maria Bethânia, "Oásis de Bethânia".
                                                                
O disco é um verdadeiro balé, onde 13 bailarinas passeiam pela Rua dos Amores com a elegância e a sofisticação que já são traços da identidade musical do cantor e compositor alagoano. O Jazz e o Samba se unem para vestir as 13 canções que compõe o álbum, onde o amor é o tema dominante, mas também fala de política em "Pode Esquecer": "Abstinência moral é crime hediondo! aquela onda de caos que sai varrendo o mar dos que tem o poder, pode esquecer (...) Se alguém tiver que arbitrar, só vai poder contar com o delírio de um cantor".
                      Djavan na sede da gravadora Universal Music. Coletiva de imprensa
                           
Rua dos Amores marca a volta da antiga banda do cantor. Havia aproximadamente 15 anos que eles não tocavam juntos. Integram a banda: Paulo Calasans e Carlos Bala, a formação se completa com: Glauton Campello, Marcelo Mariano, Torcuato Mariano, Jessé Sadoc e Marcelo Martins.  O que motivou o retorno dos músicos foi a canção "Boa Noite". "Estava em turnê com "Ária" quando ouvi "Boa Noite" no rádio. Fiquei com saudade do pessoal. Funcionou ainda melhor do que eu imaginava, porque eles me compreendem imediatamente, existe uma leitura rápida do que quero", afirma Djavan.

Djavan ficou quatro anos sem compor, pois precisava se dedicar ao projeto do disco Ária. "Compor é auto-afirmação, você lança suas emoções. Isso me alegra, me põe no mundo, me sentia mal por não estar criando, parecia que estava fazendo só metade do meu  trabalho". Diz Djavan.

Toda as composições do disco e a produção levam a assinatura de Djavan. "Foi uma opção pra cada vez mais mostrar com integridade a ideia musical. Assista um trecho da entrevista do cantor. Fonte: Site Ziriguidum:
                  


Veja a capa e a contra-capa do disco "Rua dos Amores" com as 13 faixas que integram o álbum:


O novo trabalho de Djavan foi inteiramente composto, arranjado e produzido pelo próprio músico. A capa, assinada por Tomás Rangel.

O Projeto Gráfico:

Foi numa tarde de inverno em Araras, região serrana do RJ, que Djavan reuniu sua diretora de arte Mariana Ochs, a figurinista Roberta Stamatto e o fotógrafo Tomás Rangel para realizarem as fotos de divulgação de seu novo álbum. Saiba como foi no vídeo:

         
Acessem o site oficial do cantor Djavan
Fontes consultadas: O Globo/Cultura.  Revista Billboard.  Ziriguidum
Visitem a Comunidade de fãs do Djavan no Facebook: Djafãs

Curiosidades:

O álbum Rua dos Amores está em primeiro lugar no Itunes
Turnê de Rua dos Amores: Djavan está ensaiando com sua banda para realizar a turnê, em breve teremos notícias sobre os próximos show, no site oficial: http://www.djavan.com.br
Onde comprar o CD: Já está disponível nas principais lojas do ramo, ex: Livraria SaraivaLivraria Cultura
No item "Música" do site, você tem acesso a todas as letras e fichas técnicas do disco
O Itunes já está com uma versão "De Luxe", com uma faixa extra: "De Flor em Flor"
No Sonora, você escuta o álbum inteiro em streaming
No G1 você assiste um vídeo com os bastidores da gravação.


11 de setembro de 2012

Documentário "Tropicália" Chega aos Cinemas



O Filme:

Um dos maiores movimentos artísticos do Brasil ganha vida nesse documentário. Numa época em que a liberdade de expressão perdia força, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Sergio Dias, Arnaldo Baptista, Rita Lee, Tom Zé, entre outros, misturaram desde velhas tradições populares a muitas das novidades artísticas ocorridas pelo mundo e criaram o Tropicalismo, abalando as estruturas da sociedade brasileira e influenciando várias gerarações. Com depoimentos reveladores, raras imagens de arquivo e embalado pelas mais belas canções do período, Tropicalía nos dá um panorama definitivo de um dos mais fascinantes movimentos culturais do Brasil. Assista o trailer:

          

Tropicália (Brasil,2011). 1h29. Documentário
Direção: Marcelo Machado.
Roteiro: Marcelo Machado e Di Moretti.

Enredo: Em meados dos anos 60, emergiu o movimento tropicalista, que se alinhou com uma nova cena cultural confrontadora do endurecimento da ditadura militar. Foi nesse contexto que se revelaram futuros ídolos, como Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Por que ver: Pela consistência do filme, que recupera a história de um dos momentos mais criativos da cultura brasileira, e pelas imagens raras ou inéditas, caso da participação de Caetano Veloso e Gilberto Gil num festival da ilha de Wight, em 1970.

Preste atenção: Em um raro registro de Caetano interpretando Asa Branca, numa emissora de TV francesa e nas imagens finais do documentário, que fazem parte de Caetano/Gil/Gal, filme inacabado de Leon Hirszman.

O que já se disse: "É um filme empolgante e, à melhor maneira dos grandes documentários, deixa um resíduo de reflexão a ser assimilado pelo espectador". (Luiz Zanin, O Estado de S. Paulo).


Tropicália, que abriu o Festival é tudo verdade deste ano em São Paulo, chega às telas do cinema no dia 14 de setembro. Dirigido por Marcelo Machado (Ginga), Tropicália é uma produção da BossaNovaFilms e tem como Co-Produtores, a Mojo Pictures (E.U.A), a Record Entretenimento, a VH1 no Brasil, a DLA, além da associação da Américas Film Conservacy, da inglesa Revolution Films e do Co-produtor executivo Fernando Meirelles (360). A distribuição é da Imagem Filmes.

Fonte consultada: Revista Bravo/Setembro/2012.

Curta a página de TROPICÁLIA no Facebook e fique por dentro de todas as novidades que envolvem a produção, além de fotos exclusivas. Confira com exclusividade as Fotos da pré estreia de Tropicália em São Paulo, no Cinemark-Shopping Iguatemi


                                               Foto: Paulo Salomão/Editora Abril 
                                   
                                                 Cartaz do filme "Tropicália"
                     
Vejam a Matéria publicada na Folha de São Paulo. Por Ana Elisa Faria:

Nascido no final da década de 1960, o tropicalismo, um dos mais importantes movimentos artísticos do país, volta à cena como protagonista do documentário "Tropicália", de Marcelo Machado, 54 que estreou na sexta feira (14). 

Em capítulo divididos entre os anos de 1967, 68 e 69, com imagens raras e depoimentos, a obra que tem Fernando Meirelles como produtor executivo, traça um panorama da época norteado por lembranças dos baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil, expoentes tropicalistas.

Além da dupla, o longa-metragem é marcado por falas de Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e de um inspirado Tom Zé, responsável pelos momentos mais cômicos da fita.

Representantes do movimento em outras vertentes, como Zé Celso Martinez Corrêa, no teatro, e Glauber Rocha, no cinema, também estão presentes.

O tema já foi bastante debatido, mas com suas raridades, como a cena de Caetano Veloso cantando "Asa Branca" em uma TV francesa, "Tropicália" se diferencia e faz um retrato histórico digno de um período marcante. Veja o vídeo abaixo:

                        
Veja a matéria completa e leia a entrevista com o diretor de "Tropicália" Marcelo Machado: Entrevista
                       
Veja a reportagem sobre Tropicália no NotíciasR7.com


10 de setembro de 2012

O Canto Refinado do Trio Amaranto.




As irmãs Flávia, Lúcia e Marina Ferraz trazem o entrosamento de casa. Sempre cantando e tocando juntas, realizam um trabalho vocal extremamente apurado, além de serem instrumentistas (violão, flauta e piano) com sólida formação acadêmica, seja na Universidade Federal de Minas Gerais, seja na conceituada Fundação de Educação Artística.

Com criatividade e inteligência, o grupo elabora seus próprios arranjos, demonstrando que domina amplamente seus recursos musicais. Exploram-se, com elegância e bom gosto, elementos como cânones, contracantos, uníssonos e trios, e os cuidados precisos com a instrumentação são também notáveis. Tais qualidades têm recebido aplausos calorosos da crítica mais inteligente – nomes como Mauro Dias, João Paulo Cunha e José Domingos Raffaelli –, além de encontrar forte reconhecimento no meio musical e já ter formado um público considerável e fiel.
Em março de 2000, o Amaranto lançou, em Belo Horizonte, o seu primeiro CD. “Retrato da Vida”, que apresenta canções de Djavan, interpretadas pelo grupo e um variado conjunto instrumental. O disco teve direção musical de Geraldo Vianna e arranjos do grupo e de Guilherme Paoliello, e foi responsável pelo reconhecimento do Amaranto como uma das grandes novidades da cena musical brasileira.


Ainda em 2000, no Prêmio Visa Edição Compositores, em São Paulo, o Amaranto representou, juntamente com a cantora Marina Machado, a obra do compositor mineiro Flávio Henrique. O show “Aos Olhos de Guignard”, resultado da parceria com Flávio e Marina, realizado em Belo Horizonte, foi gravado e deu origem ao aclamado CD homônimo, lançado em abril de 2001, com um show recorde de público no Museu Histórico Abílio Barreto (BH). Em 2002, o Amaranto foi agraciado, pela terceira vez consecutiva, com o título de Melhor Grupo Vocal de Minas Gerais, pelo Troféu Pró-Música (1999, 2000 e 2001).

No ano de 2003, o Amaranto lançou “Brasilêro”, seu terceiro CD – dirigido por Rodolfo Stroeter -, e contando com uma equipe de renomados instrumentistas, essencialmente com canções inéditas de compositores consagrados e de novos nomes da nossa música popular brasileira.

O show de lançamento de “Brasilêro”, realizado em agosto de 2003, lotou o Grande Teatro do Palácio das Artes (quase 1700 pessoas), em Belo Horizonte. Em março de 2004, em novo show realizado naquele teatro, marcando a abertura da turnê de lançamento do disco, o Amaranto superou o resultado anterior, tendo os ingressos esgotados antes da hora do espetáculo. Em turnê, o CD “Brasilêro” foi lançado com sucesso em nove cidades do interior de Minas e no Rio de Janeiro, em show no Mistura Fina.

Em 2005, o Amaranto foi selecionado pelo projeto Rumos, do Itáu Cultural. Como prêmio, seu trabalho integra o CD "O Brasil em 9 CD's" e faz parte de uma coletânea de DVD's de shows gravados no auditório do Itaú Cultural.

Em 2006, o Amaranto realizou um antigo projeto: a gravação e o lançamento do CD “Três Pontes”, seu primeiro trabalho dedicado ao público infantil, dirigido por Rodolfo Stroeter.

O ano de 2008 foi marcado pela turnê do disco Três Pontes pelo interior de Minas e pela primeira apresentação do Amaranto fora do Brasil (Washington e Nova York, em setembro). Em 2009, o trio lançou o CD “Três Estações”, uma homenagem a Dorival Caymmi, gravado ao vivo em parceria com Geraldo Vianna e Fernando Brant.

Em 2010, o Amaranto relançou seu primeiro CD, comemorando seus dez anos de lançamento.
Em maio de 2011, lançou, em Belo Horizonte, o CD “Quarto Azul” e vem levando este novo trabalho a outras cidades do Brasil e do mundo.
Em julho de 2012, estreou, com grande sucesso e ingressos esgotados, o espetáculo cênico-musical dedicado ao público infantil, “A Menina dos Olhos Virados”. Existe um projeto de gravação de DVD deste espetáculo, em 2013.

Eis o Amaranto. Um trabalho consistente em que a orientação é a boa música. 

Mais informações no site: www.amaranto.com.br
Amaranto no Facebook: www.facebook.com/AmarantoOficial
Amaranto no Twitter: @AmarantoOficial
Produção: (31) 9164-7284


Discografia do Amaranto:











                                             Fotos Divulgação:






9 de setembro de 2012

Marisa Monte. "Nunca Fui Cult"

                                                     Fonte: Revista Bravo/Setembro-2012

Marisa Monte refuta os que a acusam de ceder à sonoridade fácil e se popularizar demais em seu novo disco. "Sempre cantei para muitos", diz a intérprete, que está percorrendo o país com o show "Verdade uma Ilusão"

Em julho, Marisa conversou com BRAVO! por duas horas e meia. Ela própria escolheu o ponto de encontro: o Instituto Moreira Salles, um belíssimo casarão de traços modernistas no Alto da Gávea, Zona Sul do Rio. Preferiu sentar-se ao ar livre, perto da piscina e sob algumas árvores.


 Cinco semanas depois, desembarcaria em Londres para encerrar a Olimpíada, cantando o samba Aquele Abraço e uma ária das Bachianas. Estaria caracterizada de Iemanjá. 

Foto: Ana Paula de Andrade                                                                        

Por Armando Antenore:                                                                      
                                                                                                                    
BRAVO!: Numa reportagem recente, você definiu seu novo álbum como existencialista. Confesso que não entendi. Quais trechos do disco espelhariam ideias de Jean Paul Sartre e outros filósofos que conceituaram o existencialismo?

Marisa Monte: Pensando bem, a palavra mais adequada é "existencial", e não "existencialista". Tentei produzir um CD que reflete sobre a existência, sobre como desfrutar o máximo de nossa passagem pela terra. Afinal, estamos aqui por uma temporada apenas. As canções do álbum, no fundo, pretendem jogar para o público uma indagação: e quando a viagem terminar? E quando você chegar lá na frente? Poderá observar o caminho percorrido e concluir que o aproveitou? sob o coloquialismo e a simplicidade de cada letra, há questões complexas, muito profundas. Já declarei antes e repito agora: "O disco trata do "bem-viver" mais que propriamente do viver. "Hoje eu não saio, não/Não troco meu sofá por nada, meu bem/Hoje eu não saio, não/Não troco meu sofá por nada, meu bem/Hoje eu não saio, não/Não quero ver a multidão", avisa uma das músicas. Outra, a que inspirou o título do CD, convida: "Vai sem direção/Vai ser livre/A tristeza não/Não resiste/Solte os seus cabelos ao vento/Não olhe pra trás/Ouça o barulhinho que o tempo/No seu peito faz/Faça sua dor dançar". Percebe? Meu desejo é sugerir às pessoas que entrem em contato com a instituição, que identifiquem as próprias necessidades e as utilizem como guia durante a jornada, sem se influenciarem unicamente pelas vontades coletivas. 


Os críticos que desgostaram do álbum não enxergam nenhuma profundidade nas canções. Reclamam exatamente do contrário: de que você sucumbiu às fórmulas fáceis, enchendo o disco de mensagens otimistas e banais. 

Não tenho a menor pretensão de criticar a crítica. Eu comento o meu trabalho e assino embaixo. O crítico escreve o texto dele e assina embaixo, pronto, cada um é cada um! A amizade permanece igual. (risos) Construo o que posso, o que julgo mais bacana, com imenso carinho e dedicação. Muitos se arrepiam e me agradecem: "Nossa, que coisa maravilhosa!" E há aqueles que torcem o nariz: "Negócio chato, meu Deus!" Numa boa. Não preciso seduzir a torcida do Flamengo inteira. Encantar alguns já me satisfaz. Na verdade, a opinião do público e da crítica deixou de me surpreender. Aprendi que, quando falam de mim, fãs e desafetos estão falando de si mesmos, do modo como encaram as relações, os problemas, os sonhos. Sirvo apenas de pretexto. 


Você consegue de fato se distanciar?

Completamente, vou levar todo mundo a sério, seja quem me adora, seja quem me odeia!

E você acredita nas mensagens otimistas que canta? Crê realmente que "a tristeza não resiste", por exemplo?

Se nos mantemos em sintonia com nossos sentimentos, se nos conservamos íntegros, aumentam as chances de esbarrarmos na felicidade. Além do mais, o ser humano possui uma capacidade incrível de recuperação. Claro que certas tristezas nos abalam enormemente. Ainda assim, acho possível superá-las, não no sentido de eliminá-las, mas de transformá-las. "Faça sua dor dançar", não é? Ou melhor: compreenda que a dor pode até continuar presente, desde que modificada. Aliás, um verso como: "Faça sua dor dançar" não me parece tão fácil, tão banal. Soa pra você?

Não, não soa. Já outros... "Seja feliz", "Curta a vida"...

Pô, não vale! (risos) Você está citando os versos isoladamente, sem considerar o resto da canção. "Seja feliz/Com seu país/Seja feliz/Sem raiz." Tem umas brincadeiras, uns jogos de palavras, não tem? "Tão largo o céu/Tão largo o mar/Tão curta a vida/Curta a vida." Há duplo sentido, não há? Curtir a vida curta. Existe uma elaboração por trás da simplicidade. 

Existe, mas talvez menor do que em discos anteriores

Será? Suas ideias não correspondem aos fatos. (Cantarola, rindo) Sempre gravei canções de letras muito simples. Pegue meu primeiro disco, MM. Trazia músicas simplíssimas, como o Xote da Meninas. "Ela só quer/Só pensa em namorar" é, por acaso, menos simples do que "Tão curta a vida/Curta a vida"? E Lenda das Sereias, que também integra o primeiro disco? Tem algo mais simples  do que "Ela mora no mar/Ela brinca na areia/No balanço das ondas/A paz ela semeia"? Sabe o que acontece? Há uma confusão imensa entre a minha postura e o meu trabalho. Pauto-me geralmente pela discrição e me exponho na mídia apenas quando necessito divulgar um projeto. Em contrapartida, minha arte nunca abdicou de ser generosa, de ser para todos. Jamais compliquei. Gosto que me compreendam. Logo que apareci, ganhei a pecha de Cult. E o rótulo, curiosamente perdura até hoje. Eu cult?! De forma nenhuma! Nunca fui cult! Desde o início da carreira, costumo atingir muita gente. A crítica diz que faço MPB, certo? Música popular brasileira. Popular! Esperavam o que de mim? que compusesse exclusivamente canções para tocar em piano-bar? Sinto-me tão popular quanto a Paula Fernandes ou qualquer cantor que se ligue à MPB. E desejo, sim, me comunicar com quem escuta a Paula. Qual o problema? É uma ambição condenável? Agora, longe do palco, não assumo atitudes que, de acordo com o senso comum, uma cantora popular deveria assumir. Resultado: Bagunço a cabeça da galera! "Peraí, a Marisa não se comporta como uma cantora popular, mas é uma cantora popular?! Não pode!" (risos) Cara, olha só que lindo!

O que?

Um tucano! Vê o rabinho dele bem ali, em cima daquela palmeira?

Vejo.

Não, você não está vendo! (risos) Levante-se e venha observá-lo. (Concordo em ir.) Viu? Diz que tucanos comem ovos de passarinhos. Por isso, os ornitólogos os detestam.

Você reconhece aves com facilidade?

Não... Mas qualquer um reconhece um tucano, vai! Você já se tocou de que os pássaros são uma espécie de cantores românticos? Sério! Aves cantam o amor. Se o tucano está de olho numa tucana, procura atraí-la de que modo? Pelo canto! (risos) Sobre o que conversávamos mesmo?

Sobre o fato de você buscar a simplicidade como artista

Não busco a simplicidade. Eu sou simples! Trata-se de uma característica minha. Coisas singelas me põem feliz: admirar um tucano, secar o cabelo no sol, fazer um tricozinho, preparar ovo mexido para meus dois filhos, caminhar, bater papo com os amigos. Não necessito de nada muito sofisticado, muito raro, muito incrível. Helicóptero, automóvel do ano, ilha não sei onde, casa de veraneio? para que? Vivo confortavelmente, lógico, mas sem luxos, sem excessos. Não tenho como meta acumular capital. Julgo um privilégio extrair o sustento de uma atividade que oferece beleza e emoção às pessoas. É um dos meus grandes tesouros, uma maneira linda de me colocar no mundo.

Você não precisa nem do sucesso?

Depende de como se entende a palavra. sob a minha ótica, sucesso quer dizer concretização. Significa transformar ideias em realidade. Tome o caso de uma colcha. Basta confeccioná-la, tirá-la da esfera imaginária para ter sucesso. Nesse sentido, óbvio que preciso dele. 

E se ninguém apreciar a colcha?

Paciência. Continuo tendo sucesso. o êxito não se mede pela aprovação alheia ou pelo reconhecimento financeiro. 

Pensa assim por influência da contracultura, dos hippies?

Não, parece que nasci desse jeito. (risos)

Você está com 25 anos de carreira. Quando começou, sonhava chegar tão longe?

Não sonhava nem fazia ideia de quais estratégias abraçar para conquistar o que conquistei. Apenas gostava - e sigo gostando de cantar. Sempre me preocupei, aliás, em cultivar o prazer no trabalho. Hoje, analisando minha trajetória, desconfio que tudo ocorreu como tinha de ser. 

Destino?

Talvez uma combinação de destino e escolhas. Creio que cada um de nós precisa ajudar a sorte. Você pode se flagrar diante de uma predestinação bacana, mas se não tomar as decisões corretas... Desde o princípio, tentei honrar as oportunidades que pintaram. Fui responsável. Jamais me entreguei à preguiça ou à autocomplacência. Nunca aceitei a lei do mínimo esforço: "Ah, vamos produzir um disco meia boca porque ninguém irá perceber". Em resumo: Batalhei à beça. No entanto, apesar de valiosíssima, a carreira não se tornou o principal item de minha vida.

O que você preza mais?

A saúde, tanto a psicológica quanto a física. Doente, não estarei feliz e não conseguirei levar felicidade para ninguém. 

Você cuida muito da saúde?

O suficiente. Não fumo, quase não bebo álcool, zelo pela alimentação e pratico exercícios com frequência. Ioga, alongamento, ginástica localizada, musculação, bicicleta, esteira... já fiz um pouco de tudo. Busco me preservar e não gasto energia à toa, principalmente em turnês. Evito aquele papo de varar a madrugada na farra e acordar exausta para mais uma apresentação. Percebi logo cedo que a estrada pode ser bastante insalubre se o artista confundir o ofício com uma festa eterna. o público de qualquer show está ali porque quer se divertir. Então enche a cara, prolonga a noite e tal. Mas os músicos não deveriam agir de maneira idêntica, já que amanhã terão novo espetáculo e, depois de amanhã, outro. Enfim... Se não virei doidona nas últimas duas décadas, não viro mais. Minha disciplina de atleta impedirá. (risos)

Você é mesmo disciplinada como um atleta?

Tenho personalidade de atleta, cara! Adoro rotina, adoro cotidiano. Nada melhor do que horário para dormir, levantar, almoçar, malhar e dispersar. Invento rotinas até quando me encontro na loucura de uma turnê. Gosto de repetição, de produção em série. Vou citar outra vez o exemplo da colcha. O artesão tece diariamente cada pedacinho dela, cada quadrinho. São milhões de fragmentos e um parece igual ao outro. Só que, no fim da tarefa, aquela porção de quadrinhos semelhantes geral algo inteiramente novo: uma colcha!

Compreendi agora porque o tricô a deixa tão feliz...

O tricô e o artesanato de um modo geral. Preservo o hábito de me dedicar a trabalhos manuais desde a infância. 

Criar filhos também exige obediência à rotina. 

Por isso, me julgo uma excelente mãe. (risos) sou parceira das crianças (um menino de 9 anos e uma garota de 3, frutos de dois casamentos). Brinco sempre com elas, estudo, converso. Uma delícia! Pureza total! Super-refrescante! Depois que a caçula nasceu, decidi fazer terapia na tentativa de refletir um pouco mais sobre educação, maternidade, imposição de limites. E sobre o fato de, às vezes, por causa das viagens  profissionais, me distanciar das crianças.

Sente culpa?

Sinto-me como qualquer mãe que trabalha, uma advogada, uma médica ou a moça que deixa os filhos em casa para cuidar da minha. É uma questão com a qual precisamos lidar. Vou mostrando às crianças que meu afastamento momentâneo as torna mais independentes, mais maduras. 

E os 45 anos, estão pesando?

Nem um pouco! Considero a velhice o preço justo que pagamos pela vida. O Correr do relógio não me atormenta. Mesmo porque ninguém fica velho de repente. O negócio vai acontecendo devagarzinho. Dá tempo de a gente se acostumar. 
Fonte: Revista Bravo/Setembro/2012. 




Ao fazer um intercâmbio entre os estilos musicais, Marisa Monte segue há mais de duas décadas aclamada por uma legião de fãs. Confira essa matéria no site da Revista BRAVO!


                                          Foto: Don Munro e Dora Jobim  

Maria Rita: 35 anos de vida.



Há 9 anos, Maria Rita surgia no cenário musical brasileiro e mundial, com seu primeiro CD Maria Rita. Lançado em 2003, o álbum vendeu mais de 1 milhão de cópias, sendo certificado como platina tripla e conquistando 3 Grammys Latinos para a cantora, nas categorias “Melhor Álbum de MPB”, “Melhor Canção Brasileira” – com A Festa, de Milton Nascimento, e “Artista Revelação”.

O DVD de mesmo nome vendeu mais de 180 mil cópias, certificando-se como DVD de diamante e alcançando uma marca expressiva em meio a toda crise no mercado fonográfico decorrente da pirataria. Porém estes não foram os primeiros prêmios da cantora que conquistou o país. Em 2002, antes de lançar seu primeiro disco, Maria Rita foi vencedora do Prêmio APCA como Revelação do Ano, e conquistou um Grammy Latino com a gravação de Tristesse, no disco Pietá, de Milton Nascimento.



Desde essa época o sucesso de Maria Rita só aumentou. As semelhanças genéticas com a mãe, Elis Regina, tão marcantes e características não abalaram a carreira da filha. Em 2005, após o grande sucesso da turnê com o primeiro CD, Maria Rita lança Segundo, álbum que lhe conferiu mais dois prêmios Grammy: “Melhor Álbum de MPB” e “Melhor Canção Brasileira” – com Caminho das Águas, de Rodrigo Maranhão. Neste álbum, a cantora priorizou a sensibilidade da alma, enfatizando-a em várias interpretações. Percorreu o país e lotou várias casas de shows na Europa e nos Estados Unidos, emocionando o público por onde passou.

Maria Rita, após flertar com o samba em seus dois primeiros álbuns, dedicou um CD inteiro ao ritmo que alegra o Brasil. Em 2007 lançou Samba Meu, contagiando a população com a música “Tá Perdoado”, trilha sonora da novela Duas Caras. Com mais de 190 mil discos vendidos e um sucesso expressivo por onde o show passava, a menina da lua lançou o DVD Samba Meu em 2008, conquistando o DVD de ouro e mais um Grammy, desta vez na categoria “Melhor Álbum de Samba”.
Em 2010, MR encerra a turnê Samba Meu e viaja pela Europa com uma turnê “sem nome”, onde cantou antigos hits e músicas inéditas em sua voz. A turnê fez sucesso em todos os lugares por onde passou, inflamando o coração dos fãs que pediram (muito!) por um álbum com gravações de "A História de Lily Braun" e "Nem Um Dia". E assim, um ano após o início da turnê, Maria Rita grava o CD Elo, com 8 regravações de sucessos da MPB  e 3 músicas inéditas. Este último foi recentemente certificado como disco de Platina pela ABPD. No mesmo ano, Maria Rita participou da gravação da música Latinoamerica, dos porto-riquenhos do Calle 13. A gravação conta com as participações monumentais de Toto La Momposina (cantora folclórica colombiana), Susana Baca (cantora de ritmos afroperuanos) e Maria Rita. A música conquistou o prêmio de Gravação do Ano no Grammy Latino 2011.
E, em 2012, 30 anos após a morte de sua mãe, Elis Regina, a filha iniciou o maior desafio musical de sua carreira (e, quem sabe, de sua vida): cantar as músicas que fizeram sucesso na maior voz da história da música brasileira, em 5 shows patrocinados pelo projeto Viva Elis, da empresa Nivea. Com shows em 5 capitais (Porto Alegre, Recife, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro) e um público total de mais de 200 mil pessoas, a turnê conquistou os corações brasileiros, recebendo inúmeros convites para ser apresentada em diferentes regiões do país. Maria Rita assinou contrato com a gravadora Universal, e a turnê com músicas de Elis foi batizada de “Redescobrir”, e atualmente percorre todo o território nacional, sendo gravada em CD, DVD e Blu-Ray, a serem lançados em novembro deste ano.

Assim, com 35 anos de vida e 10 anos de carreira, Maria Rita é conhecida por sua voz e sucesso marcantes, sendo considerada como uma das maiores cantoras da música brasileira contemporânea. Suas canções são temas de novela e minisséries brasileiras (A Casa das Sete Mulheres, Senhora do Destino, Belíssima, Amazônia, Duas Caras, Tempos Modernos, Insensato Coração e Avenida Brasil) e do filme O Ladrão de Diamantes, estrelado pelo ator Pierce Brosnan. Seus shows são sempre lotados e, apesar das comparações com a cantora Elis Regina, Maria Rita provou que é uma das melhores intérpretes de sua geração, com talento e brilho próprios.







A essa cantora e pessoa dedicamos nossos parabéns e nossos melhores votos de felicidade e sucesso. Parabéns!, Maria Rita, por seu aniversário, sua história, seus prêmios, sua simpatia, simplicidade e seu carisma! Que você continue sempre arrebatando nossos corações com essa voz que embala as nossas trajetórias. Um beijo enorme de seus fãs e, como você sempre diz, PAZ SEMPRE!

8 de setembro de 2012

Tulipa Ruiz em Movimento.


                                Foto: Eduardo Gabriel/Focka   

                         Tulipa Ruiz/Auditório Ibirapuera/SP. 07/09/2012


"Pode ser e É". O sucesso não é mais apenas um sonho distante de Tulipa. Ela não é só mais uma aposta. A prova disso foi um Auditório Ibirapuera lotado, com os ingressos esgotados há vários dias antes da estreia. Tulipa lançou seu mais novo álbum: "Tudo Tanto".

O CD é o segundo na carreira da cantora. Logo no começo do show, ela pára e diz: "Antes eu tinha 11 músicas. Agora, eu tenho 22! Olha que chique!"
O lançamento dessas 11 novas composições poderia ser um desafio imenso na carreira da cantora, porque superar o tão elogiado primeiro álbum, Efêmera (2010), parecia ser uma tarefa difícil. Mas não foi. Na verdade, Tulipa surpreendeu mais ainda, trazendo um disco muito mais maduro e impecável, em todos os sentidos, seja nas composições ou no projeto como um todo, que conta com a parceria do selo Natura Musical, um grande incentivador de novos projetos. 
                                               O Show:
Tulipa começou o espetáculo como deveria ser, com a primeira música divulgada na web, o simpático hit "É". Incrível foi ver que boa parte  da platéia já sabia a letra de cor, mesmo em tão pouco tempo. Depois seguiram algumas outras composições do novo CD, como "OK" e "Script".

Na sequencia, ela começou a intercalar músicas do álbum antigo. E é aí que a popularidade do Efêmera entra em cena no Tudo Tanto. Um dos momentos mais lindos da noite foi ver a platéia cantando  a faixa "Do Amor" inteira, sozinha. "O meu amor sai de trem por aí e vai vagando devagar para ver quem chegou".E assim seguiu a noite de Tulipa. Um mix entre os dois discos.

Durante o show, surgiram coisas inesperadas, como a "vinheta marota", que a banda inventou na hora, enquanto Tulipa agradecia a todos que faziam parte do projeto. Foram várias citações. E não poderia ser diferente, já que o Tudo Tanto é fruto de diversas parcerias. Tem a participação do Criolo em "Víbora" e do Lulu Santos em "Dois Cafés", por exemplo.


          "Dois Cafés", música do novo álbum de Tulipa Ruiz, inspira ilustração do "Tiro de Letras"

E apesar de o lançamento do Tudo Tanto ser ainda tão recente, muitas pessoas já sabiam todas as letras. Com certeza isso é devido ao fácil acesso do público ao trabalho (o álbum está disponível no site oficial da cantora). Mesmo em parceria com o Natura Musical, Tulipa mostra que objetivo de facilitar a exposição de seu trabalho continua o mesmo de quando era independente.

E assim o show continuava, com a incrível performace da cantora em todas as músicas. Mas o melhor fica sempre pro final, né? Tulipa entra pelo fundo do palco séria e muda. Então começa a cantar a quase-ópera "Víbora" e toda  a platéia, que antes dançava animada ao som pop das outras faixas, fica paralisada. Dava pra ler no rosto das pessoas: "Como essa mulher consegue fazer isso?". Podem até dizer que o tom agudo de Tulipa é tão raro que só poderia ser comparado ao de Gal Costa. Não seria exagero.

No fim, quebrando com o clima sóbrio, surge a voz de Tulipa atrás do palco: "Por favor, não saiam de seus lugares!". E então ela volta e repete a canção "É". Só que dessa vez, ela desce do palco e segue cantando entre a plateia. Debochada, até coloca o microfone na boca das pessoas e faz elas participarem. Todo mundo cantando "pelo nosso amor em movimento/ pode ser e é"!

 Depois, ela volta ao palco, agradece e vai embora. Mas a emoção fica. E todos saem do incrível Auditório Ibirapuera felizes por terem acompanhado a consagração de, não mais uma promessa, mas sim uma certeza de sucesso da música brasileira. Vejam as fotos do show, no site do Natura Musical



A banda base de Tulipa é formada por Marcio Arantes (baixo), Caio Lopes (bateria), Gustavo Ruiz (guitarra, baixo e violão) e Luiz Chagas (guitarra). O grupo, que acompanha a cantora em suas enérgicas apresentações ao vivo, toca na maioria das faixas de Tudo Tanto. Está também no CD e no show Juliana Perdigão tocando clarone, clarinete e flauta.