31 de agosto de 2012

Zizi Possi e Mônica Salmaso cantam Chico Buarque

Donas de timbres opostamente complementares, Zizi Possi e Mônica Salmaso dividem o palco para homenagear o compositor brasileiro, Chico Buarque de Holanda. 



                                        [FOTO DIVULGAÇÃO]



O espetáculo teve como cenário a casa de shows Skyline Hall, em Aplphaville – SP, no dia 25 de agosto de 2012. Porém, o mesmo show já foi apreciado em primeira mão pelos baianos, no Teatro Castro Alves, em janeiro deste ano.

De gerações diferentes da música brasileira, Mônica e Zizi têm em comum a qualidade vocal elogiada por músicos e pela crítica especializada. Além de ambas serem devotas ao cancioneiro da MPB, dando vida a todas as letras que interpretam.

O homenageado, Chico Buarque, faz-se bastante presente na história musical tanto de Mônica, quanto de Zizi. É autor de um dos primeiros sucessos de Zizi Possi: Pedaço de Mim, gravada ao lado do compositor para a peça "Ópera do Malandro" em 1978. Mônica, por sua vez, tem sua carreira marcada por canções como A história de Lily Braun, além de ter gravado um CD dedicado integralmente a Chico, em 2007, intitulado Noites de Gala, Samba de Rua. 

Com um canto excepcional, em que a técnica e a emoção estão a serviço do que há de melhor na música brasileira, Mônica abre o show e interpreta brilhantemente canções como Beatriz, A história de Lily Braun, A violeira, Ciranda da bailarina, entre outras, de maneira a segurar a atenção do público, emocioná-lo e conquistar eufóricos aplausos. 



                          



A segunda parte do espetáculo é representada por Zizi e seus músicos, os quais compartilham técnica e emoção da maneira mais fascinante que os olhos e ouvidos dos presentes já puderam ver e ouvir. 

Sua parte é costurada por um repertório que segue em: De todas as maneiras, Valsa Brasileira, Eu te amo, Sobre todas as coisas, O circo místico, Pedaço de mim, Morena dos olhos d’água, Carolina e Lábia.


 




A terceira parte, talvez a mais bela e completa, é o momento no qual as duas dividem o palco para interpretar Sem Fantasia, Tanta Saudade e A banda. 
Bela pela sintonia. Completa pelo contraste vocal. Impecáveis!






A ativa participação do público é presenteada com o Bis, no qual as cantoras fazem juntas a canção: A noite dos mascarados. Ainda em êxtase, a plateia pede mais e é atendida com simpatia e tem o prazer de apreciar novamente Sem fantasia e A banda. 



                             [FOTO: ROSANE PALISSARI]




Merecida homenagem ao mestre Chico Buarque, que se fez sentir para além da alma aconchegado na voz de duas grandes cantoras. Quem esteve presente, já pode afirmar que conhece bem o significado da plenitude musical. 


Seguem algumas fotos amadoras registradas por quem vos escreve: 
























29 de agosto de 2012

"Amorágio" Novo álbum de Ivan Lins se destaca pela diversidade rítmica.



"AMORÁGIO", NOVO DISCO DE IVAN LINS, MOSTRA AS VÁRIAS FACES DO COMPOSITOR BRASILEIRO VIVO MAIS GRAVADO EM TODO O MUNDO. 
 Por Erika Breno:
"Amorágio" canta o princípio e o fim de tudo: o amor. O disco, lançado no mês de julho, apresenta uma gama de diferentes diversidades rítmicas: xote, balada, samba, fado, rap, sertanejo sem deixar de lado todo o jazz man que é Ivan Lins e, conta com as participações especiais de: Antonio Zambujo (cantautor português), Maria Gadú, Pedro Luis, Rafael Alterio e Tatiana Parra.

Compositor compulsivo declarado é o compositor brasileiro vivo mais gravado em todo o mundo, Ivan Lins escolheu importantes e competentes nomes para fazerem parte de "Amorágio".

Para a produção musical, Rodrigo Vidal. Nas composições: Vitor Martins, Claudio Lins, Ivano Fossatti, Gilson Peranzetta, Chico Buarque e Osny Mello.
Ivan além de cantar, toca piano acústico, rhodes e clavinete. Os instrumentistas que percorrem todo o disco: Neymar Dias (viola caipira, baixo elétrico e acústico);Leonardo Amuedo (guitarra e violões); André Vasconcelos, Dunga e David Finck (baixo); Téo Lima, Gabriel Alterio e Cesinha (bateria); Fernando Caneca, Luiz Ribeiro, Pedro Alterio (violão); Jacques Morelenbaum (cello); Marco Brito (rhodes, clavinete, piano acústico e teclado); Armando Marçal, Marco Lobo, Esguleba e Jaguara (percussão); Marcos Nimrichter (acordeon); Marcelinho Martins (sax e flauta); Jessé Filho (trompete e fluggel); Vittor Santos (trombone). 

Nas palavras de Ivan, "Amorágio": "Amorágio", basicamente fala das diversas formas de amor, "nesses tempos de ensandecer", nesses tempos onde tanto a cleptocracia brasileira, quanto a incompetência e ignorância valorizadas, quanto as distorções da alma, tais como o ódio, a raiva, o rancor, a inveja e a intolerância navegam sem rumo por esse planeta. Ainda assim o amor sobrevive, mesmo que "depois de alçar o trono do esplendor, entregue a própria pele ao caçador". Voilá! "

A faixa que intitula o CD tem a participação da cantora Tatiana Parra. A melodia foi composta a partir de uma pequena sequência harmônica de Osny Mello - músico e compositor paulista - e de um poema de Salgado Maranhão que Ivan musicou tornando-se uma balada jazzística com harmonia refinada.

Destaque para "Carrossel de bate-coxa", um xote em homenagem ao dançarino Carlinhos de Jesus, com letra divertida e engraçada de Claudio Lins, artista cada vez mais completo e competente e que para Ivan Lins, que mesmo pai é crítico e exigente afirma: "! anda escrevendo cada dia melhor. ".

"Quero falar de amor" é inédita e "miltoniana" (inspirada em Milton Nascimento), com melodia composta por volta dos anos dois mil por Ivan e o cantautor italiano Ivano Fossati Ganhou letra de Vitor Martins no ano passado. "X no calendário" mostra a contemporaneidade do cidadão brasileiro e carioca Ivan Lins remetendo um pouco às canções engajadas da década de setenta que protestavam o sistema político da época. Música originalmente composta para a vitória de Luiza Erundina no ano de mil novecentos e oitenta e oito, Foi "atualizada" por Vitor Martins" no que tange os movimentos de pacificação social urbanos e que tem um rap de Pedro Luis.

“Amor, Fogo que desata os novelos da vontade Ignora o bem, desdenha da verdade, Ponte-aérea do Éden à insanidade, amor”"Atrás poeira" repete a bem sucedida e histórica parceria com Vitor Martins. Mostra o lado caipira de Ivan e que poucos, infelizmente, conhecem. Ao lado do incrível Rafael Alterio com sua voz que enche nossa alma de coisa boa, a dupla "Fioravante & Guimarães" (respectivamente os sobrenomes de Rafael e Ivan) deixa à todos um gostinho de quero mais do que é a verdadeira música sertaneja.

E ainda há: "Roda Baiana" (lindo arranjo do saxofonista Marcelo Martins), "Quem me dera" (participação de Maria Gadu - “Resta os sonhos que eu teimo em sonhar”), "Fado Saramago" (a partir de um poema erótico de José Saramago e participação de Antonio Zambujo), "E isso acontece" (letra de Ivan Lins), "Olhos pra te ver" (valsa sertaneja com letra de Ivan com sonoridade quase toda acústica, singela e no clima interiorano e caipira) e "Sou eu" (com letra de Chico Buarque).

"Amorágio" são onze faixas que cantam diversos amores e diversos Ivan's que o nosso país, quiçá o mundo ainda tem muito o que descobrir, conhecer e deleitar-se. 
Confira a faixa "Quem me dera" participação especial de Maria Gadú:



Clique na foto abaixo para ver a lista com as músicas presentes nesse álbum:

Postagem assinada por Erika Breno.

25 de agosto de 2012

"Gonzaga - De Pai Para Filho" A trajetória do Rei do Baião

                                         
No ano que comemoramos o centenário de Luiz Gonzaga, a obra do artista ganha as telas com o filme "Gonzaga - de pai para filho", dirigido por Breno Silveira (2 filhos de Francisco), o filme tem previsão para estrear no cinema no dia 26 de outubro.


A trama conta a história da relação entre Luiz Gonzaga e seu filho Gonzaguinha, mostrando todas as diferenças que ambos tiveram ao longo de suas vidas. O trailer exibe cenas marcantes, como por exemplo: Gonzaguinha apanhando da polícia, as humilhações que Luiz Gonzaga sofreu antes de se tornar o rei do baião e o caso de amor impossível na adolescência do sanfoneiro. 
       
            
                Confira o trailer oficial do filme "Gonzaga de Pai para Filho":





Interpretando Luiz Gonzaga na fase adulta temos o estreante Nivaldo Expedito de Carvalho, sanfoneiro popularmente conhecido como Chambinho do Acordeon. Nivaldo teve que participar de laboratórios de atuação por seis meses e emagrecer dez quilos para interpretar o Gonzagão.

Completando o elenco principal temos o ator Julio Andrade, que será Gonzaguinha e Nanda Costa, que será a cantora e dançarina Odaléia Guedes dos Santos, mãe de Gonzaguinha. O filme teve locações em Juazeiro, no estado da Bahia, em Araruama, no estado do Rio de Janeiro, em Exu, cidade natal de Luiz Gonzaga localizada no interior de Pernambuco e também nos arredores da Serra do Araripe e em Recife.



O filme possui uma página no Facebook, basta Curtir! pra você ficar por dentro das novidades.
Fontes consultadas: Blog Diário do Nordeste, Jornal do Commercio

23 de agosto de 2012

Tudo se transformou: o novo projeto de Zizi Possi


Dois anos após o bem sucedido lançamento do duplo "Cantos & Contos", Zizi Possi volta ao Tom Jazz para seu mais novo projeto ao vivo: "Tudo se transformou", acompanhada por seus  músicos:

Jether Garotti Jr. (piano e clarineta)




 Kecco Brandão (teclados)




Webster Santos (violão e cordas)





 Guello (percussão)





Além da especialíssima participação de sua filha e também cantora, Luiza Possi. 













Além de ser título do samba de Paulinho da Viola ,  Zizi acrescenta que o nome escolhido para o projeto tem a ver com o conteúdo do show e da maneira com a qual ela canta. 

Os shows aconteceram no último fim de semana  (17, 18 e 18 de agosto) no cenário aconchegante e familiar sobre o palco do Tom Jazz. 


Seu repertório embala desde clássicos com ritmos mais lentos, até sambinhas animados. [Vide foto]




O projeto acrescentou algumas  músicas já cantadas, porém nunca gravadas na voz da cantora, que ainda surpreendeu o público com a inédita e deliciosa "O vento", de Necka Ayala

“Ela é uma grande poeta, de uma sensibilidade incrível. Hoje em dia eu sinto falta de poesia na música, parece que isso acabou”, diz Zizi, à Revista Época, sobre a compositora de "No vento". 

[Confira a música no vídeo abaixo]








Acredita-se que a aposta pelo repertório se concretizou devido a reação positiva do público no show realizado em fevereiro de 2012, no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros, na capital de São Paulo. 

Ainda sem muitos detalhes, cabe-nos esperar pelo lançamento para melhor destilação do trabalho, que com certeza, será um sucesso. Afinal, toda nota que corre pela doce voz de Zizi Possi, torna-se mais bela e valiosa. 


Seguem alguns registros fotográficos capturados delicadamente por ninguém menos que Necka Ayala, a autora de "No vento", que provou que seu talento artístico vai além da composição musical. 





















19 de agosto de 2012

Caixa "De Todas As Maneiras" traz registro inédito de Chico Buarque

A gravadora Universal Music acaba de lançar uma caixa com 21 discos de Chico Buarque, gravados entre 1966 e 1986 a caixa conta ainda com um CD triplo "Umas e Outras" são 37 fonogramas avulsos da discografia de Chico, incluindo uma música inédita: "Jorge Maravilha" (Chico Buarque, 1973), P.S: Essa música ficou fora do álbum "Sinal Fechado". Acompanha também a caixa um libreto com textos do jornalista Leonardo Lichote. 

Confira abaixo a lista com os 21 álbuns que compõem a caixa "De Todas as Maneiras: 

1. Chico Buarque de Hollanda (1966) 
2. Chico Buarque de Hollanda Volume 2 (1967) 
3. Chico Buarque de Hollanda Volume 3 (1968) 
4. Chico Buarque de Hollanda Nº 4 (1970) 
5. Construção (1971) 
6. Quando o Carnaval Chegar (com Nara Leão e Maria Bethânia, 1972) 
7. Caetano e Chico Juntos e ao Vivo (com Caetano Veloso, 1972) 
8. Calabar (Chico Canta, 1973) 
9. Sinal Fechado (1974) 
10. Chico Buarque & Maria Bethânia ao Vivo (com Maria Bethânia, 1975) 
11. Meus Caros Amigos (1976) 
12. Os Saltimbancos (trilha sonora do musical, 1977) 
13. Chico Buarque (1978) 
14. Ópera do Malandro (trilha do musical, 1979) 
15. Vida (1980) 
16. Almanaque (1981) 
17. Os Saltimbancos Trapalhões (trilha sonora do filme, 1981) 
18. En Español (disco com versões de sucessos em espanhol, 1982) 
19. Chico Buarque (1984) 
20. Malandro (1985) 
21. Ópera do Malandro (trilha sonora do filme, 1986)


CD Triplo "Umas e Outras"
CD 1:
1. Noite dos Mascarados (com Elis Regina) - Do LP da trilha do filme “Garota de Ipanema”, 1967
2. Chorinho - Do LP da trilha do filme “Garota de Ipanema”, 1967
3. Praça Clóvis -Do LP de Paulo Vanzolini "Onze Bambas e Uma Capoeira", 1967
4. Samba Erudito - Do LP de Paulo Vanzolini "Onze Bambas e Uma Capoeira", 1967
5. Bom Tempo - De compacto simples, 1968
6. Onde é Que Você Estava? - De compacto duplo, 1969
7. Umas E Outras - De compacto duplo, 1969
8. Benvinda - De compacto duplo, 1969
9. Essa Passou (com Carlos Lyra) - LP de Carlos Lyra "E No Entanto é Preciso Cantar", 1971
10. Lendas e Mistérios da Amazônia - Do LP "Os Maiores Sambas-Enredo de Todos os Tempos", 1971
11. Baioque - Do LP "Phono 73" (Volume 2), 1973
12. Joana Francesa (com Fagner) - Do compacto duplo da trilha do filme "Joana Francesa", 1973

CD 2: 
1. Samba pra Vinícius (com Toquinho) - Do LP "Vinícius e Toquinho", 1974
2. Jorge Maravilha - Faixa Inédita - sobra de estúdio do álbum Sinal Fechado, 1974/2012
 
3. Pesadelo / Quando O Carnaval Chegar / Bom Conselho - Do LP "Banquete dos Mendigos" - 1973/1979
4. Escurinho / Ilmo. Sr. Ciro Monteiro ou Receita pra Virar Casaca de Neném - Do LP "Palco, Corpo e Alma", 1976
5. Flor da Idade - Do LP "Palco Corpo e Alma", 1976
6. Quadrilha (com Francis Hime) - Do compacto simples "Francis Hime e Chico Buarque", 1977
7. João e Maria (com Nara Leão) - Do LP de Nara Leão “Os Meus Amigos São Um Barato”, 1977
8. Maninha (com Miúcha e Tom Jobim)  - Do LP “Miúcha & Antonio Carlos Jobim", 1977
9. Luiza (com Francis Hime) -  Do LP de Francis Hime “Passaredo”, 1977
10. Maravilha (com Francis Hime) - do LP de Francis Hime “Passaredo”, 1977 
11. O Cio da Terra (com Milton Nascimento) - Do compacto simples  “Milton & Chico”, 1977
12. Primeiro de Maio (com Milton Nascimento) - Do compacto simples "Milton & Chico", 1977
CD 3:
1. Bye Bye Brasil -  versão do compacto da trilha do filme “Bye Bye Brasil”, 1979
2. Salve a Torcida - Do LP “Asas da América”, 1979
3. A Rosa (com Sergio Endrigo) - Do LP de Sergio Endrigo “Exclusivamente Brasil”, 1979
4. Linha de Montagem - Do compacto duplo “Show 1º de Maio”, 1980
5. Vence na Vida Quem Diz Sim (com Nara Leão) - Do LP de Nara Leão “Com Açúcar Com Afeto”, 1980
6. Mambembe (com Nara Leão) - Do LP de Nara Leão “Com Açúcar Com Afeto”, 1980
7. Carcará (com João do Valle) - Do LP "João do Valle", 1981
8. O Caderno - Do LP “Casa de Brinquedos”, 1983
9. Na Carreira (com Edu Lobo) - Do LP “O Grande Circo Místico”, 1983
10. Yolanda (com Pablo Milanés) - Do LP de Pablo Milanés “Ao Vivo no Brasil”, 1984
11. Dona Carola - Do LP “Tributo a Nelson Cavaquinho – As Flores em Vida”, 1985
12. Quem Te Viu, Quem Te Vê (com Roberto Ribeiro) - Do LP de Roberto Ribeiro “Corrente de Aço”, 1985
13. Isso Aqui Tá Bom Demais (com Dominguinhos) - Do LP "Dominguinhos", 1985.

Confira também:

Shows, livros e filmes celebram os 70 anos de Chico Buarque: clique aqui

16 de agosto de 2012

Navegando nos mares de Dorival Caymmi


                      Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.


Dorival Caymmi. 
 30/4/1914 Salvador, BA         
 16/8/2008 Rio de Janeiro, RJ

Biografia:

Filho de Durval Henrique Caymmi e Aurelina Cândida Caymmi, conhecida por Dona Sinhá. O pai era funcionário público e tocava violão, bandolim e piano. Sua mãe cantava muito bem. Teve três irmãos: Deraldo, Diná e Dinair.

Aos seis anos de idade, começou a freqüentar a Escola de Belas Artes, no Colégio de Dona Adalgisa. Estudou depois no Colégio Batista e, em 1926, concluiu o curso primário no Colégio Olímpio Cruz.
No ano seguinte, matriculou-se no curso ginasial no referido colégio, mas o abandonou no mesmo ano para trabalhar.

Empregou-se no escritório do jornal "O Imparcial", da capital baiana, onde fazia diferentes serviços. Na mesma época, começou a fazer as primeiras pinturas, desenhando tabuletas para lojas comerciais.
Em 1929, o jornal fechou e teve que se dedicar a outros serviços. 

Foi vendedor de cordões para embrulho e de bebidas nacionais. Perdeu o emprego quando, junto com alguns amigos, resolveu experimentar as amostras de bebidas. Nessa época, 1933, começou a compor marchinhas e toadas, como "No sertão", sua primeira composição. No ano seguinte, começou a tomar aulas de violão com seu pai e com seu tio Cici. 

Em 1935, passou num concurso para escrivão da coletora estadual, cargo para o qual nunca foi nomeado. No mesmo ano, começou a cantar por acaso, quando foi visitar a Rádio Clube da Bahia, na companhia do amigo Zezinho. Perguntados por um funcionário da Rádio sobre o que faziam, Zezinho respondeu que cantavam. O funcionário tanto insistiu que Caymmi acabou cantando para surpresa de Zezinho que ficou encantado com sua voz ao microfone. Ainda em 1935, prestou serviço militar no Tiro de Guerra nº 284. 

Em 1937, mudou-se para o Rio de Janeiro, viajando num Ita, um pequeno navio de passageiros, com a intenção de estudar jornalismo e trabalhar com desenho. Conseguiu, através de um parente, publicar alguns desenhos na revista "O Cruzeiro". Recebeu conselhos para seguir a carreira de cantor. Foi apresentado ao diretor da Rádio Tupi, Teófilo de Barros Filho, que se agradou de sua voz e o contratou por 30 mil réis. Em 1939, conheceu num programa de calouros na Rádio Nacional a sua futura esposa, a cantora Stella Maris, quando ela cantava "Último desejo", de Noel Rosa. 

Em 1940, casou-se com Adelaide Tostes, nome verdadeiro da cantora Stella Maris. O casal teve três filhos: Dinair (Nana, 1941), Dorival (Dori, 1943) e Danilo Cândido (1948), que se tornariam também grandes nomes da música popular brasileira. Em 1943, perdeu sua mãe.
Nesse mesmo ano, passou a frequentar o curso de desenho na Escola de Belas Artes no Rio de Janeiro.

 Em 1953, inaugurou a Praça Dorival Caymmi em Itapoã. Dois anos mais tarde, mudou-se com a família para São Paulo, lá vivendo por cerca de um ano. Caymmi tem seis netos, Stella Teresa, Denise Maria e João Gilberto (filhos de Nana), João Vítor (filho de Dori) e Juliana e Gabriel (filhos de Danilo). 

Em 1968, ganhou do Governo da Bahia uma casa na Praia de Ondina, em reconhecimento a sua importância para a cultura brasileira. Em 1972, foi agraciado no Palácio do Itamaraty (Brasília) com a comenda da Ordem do Rio Branco, em Grau de Oficial. Foi também agraciado com a comenda da Ordem do Mérito da Bahia. 

Em 1984, recebeu, em comemoração ao 70º aniversário, inúmeras homenagens, tais como: a edição de um CD duplo e de um álbum de desenhos patrocinado pela Funarte (Rio de Janeiro); a outorga da comenda da "Ordre des arts et des lettres de France"; a outorga da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho (Brasília) e a outorga do título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia (Salvador). Em 1985, inaugurou a Avenida Dorival Caymmi na capital baiana.

 Em 2001, esbanjando jovialidade em seus quase 90 anos, voltou às paradas de sucesso compondo para a televisão. Lutando contra um câncer renal desde 1999, faleceu de insuficiência renal e falência múltipla dos órgãos em sua casa no bairro carioca de Copacabana onde estava em internação domiciliar desde dezembro de 2007.

 Seu corpo foi velado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro com a presença de parentes e amigos, entre os quais inúmeros músicos. Sobre ele assim falou o presidente da República Luis Inácio Lula da Silva: "Ele é um dos fundadores da música popular brasileira, patriarca de uma linhagem de músicos de talento. Suas canções praieiras e seus sambas-canção são patrimônio da cultura nacional. Brilhou e inovou como compositor, músico e cantor. Sua música é uma completa tradução da Bahia".   

                  




15 de agosto de 2012

Música Popular Brasileira perde Altamiro Carrilho.



Em pouco tempo a MPB sentiu a perda de grandes nomes da nossa música, Severino Araújo da Orquestra Tabajara, Magro do MP4 e hoje foi a vez do flautista Altamiro Carilho nos deixar. Confira a biografia desse flautista que tanto contribui pra música popular brasileira. Fonte: ChoroMusic.com

Altamiro Aquino Carrilho nasceu na cidade de Santo Antonio de Pádua (RJ), em 21 de dezembro de 1924. Por influência da família de sua mãe, aos cinco anos de idade brincava com uma flauta de bambu, feita por ele. Aos onze anos, já integrava a Banda Lira Árion, tocando tarol.
Em 1940 mudou-se com a família para Niterói (RJ), onde trabalhava como farmacêutico e à noite estudava música com o amigo e incentivador Joaquim Fernandes, flautista amador.

Altamiro não perdia nenhum programa dos grandes flautistas da época, Dante Santoro e Benedito Lacerda. Com uma flauta de segunda mão, inscreveu-se no programa de calouros de Ari Barroso, conquistando o primeiro lugar. Ainda muito moço, pela sua incrível facilidade de improvisar, com seu estilo muito pessoal e cheio de bossa, foi convidado a integrar conjuntos famosos como os de César Moreno, Canhoto e Rogério Guimarães.

Estreou em disco em 1943, participando da gravação de um 78 rpm de Moreira da Silva, na Odeon. Em 1949, gravou o seu primeiro disco na Star, “Flauteando na Chacrinha”.

Formou seu primeiro conjunto em 1950, para tocar na Rádio Guanabara, onde permaneceu até maio de 1951, quando foi convidado a integrar o Regional do Canhoto, substituindo Benedito Lacerda.
 Em 1955, formou a “Bandinha de Altamiro Carrilho”, e gravou seu maxixe Rio Antigo, que fez grande sucesso, chegando a vender 960.000 cópias em apenas seis meses! De 1956 a 1958 a bandinha ganhou grande prestígio e popularidade com seu programa ‘Em Tempo de Música’, na TV Tupi.

Tornou-se conhecido internacionalmente na década de 60, quando se apresentou em diversos países, dentre eles: Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Egito, México, Estados Unidos e União Soviética. “Um dos maiores e mais afinados solistas do mundo” foi o elogio que Altamiro Carrilho recebeu de Boris Trisno, quando esteve na União Soviética por três meses.

O sucesso no exterior foi tanto que chegou a ficar um ano no México, onde fora passar uma temporada de apenas vinte dias. A partir da década de 70, tornou-se um dos flautistas mais requisitados, como solista e como acompanhante.

Em novembro de 1972 apresentou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro o Concerto em Sol de Mozart, sendo muito elogiado pela crítica especializada.

Foi convidado pela Orquestra Sinfônica de Porto Alegre para participar de um programa de Concertos onde, sob a regência do Maestro Julio Medaglia, executou o Concerto Nº2 em Ré Maior KV 314 de Mozart, tendo a ideia de colocar nas cadências pequenos trechos de músicas de grandes compositores populares brasileiros, tais como Pixinguinha e Ernesto Nazareth. Tal fato causou enorme impacto no público e principalmente nos membros da orquestra, sendo aplaudido de pé durante dez minutos. Em 1987, Altamiro Carrilho acompanhou Elizete Cardoso em sua turnê pelo Japão.

Seu disco “Clássicos em Choro” foi premiado com o Troféu Villa-Lobos, como melhor disco instrumental, tendo recebido também Disco de Ouro pelo seu trabalho “Clássicos em Choros Nº 2”. Ganhou o Prêmio Sharp de 1997 como melhor CD instrumental, com o seu “Flauta Maravilhosa”. 

Recebeu em 1998, das mãos do então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, uma Comenda especial, a Ordem do Mérito Cultural, em reconhecimento ao seu talento e sua incansável luta em prol da Música Brasileira. Ganhou o Titulo de Cidadão Carioca concedido pela Câmara dos Deputados. 

Em 2003, Altamiro recebeu a Comenda da Ordem do Mérito Cultural da Magistratura pelos serviços prestados à cultura brasileira.
Compositor de versatilidade extraordinária, compôs cerca de 200 músicas dos mais variados ritmos e estilos. Com 60 anos de carreira, tem mais de 100 gravações em discos, fitas e CDs.

Faleceu hoje (15/08/2012) no Rio de Janeiro aos 87 anos de câncer ósseo. "Hoje tem choro na terra e Chorinho no céu".

Confira no vídeo o choro "Flor Amorosa" de Joaquim Callado:

                         





14 de agosto de 2012

Revivendo Elis no Falso Brilhante


Um dos espetáculos mais grandiosos da carreira de Elis Regina estreou em 17 de dezembro de 1975, ficando por 14 meses em cartaz no Teatro Bandeirantes, em São Paulo. 

Com um vasto repertório, o show, que tinha o objetivo de contar a vida e a carreira dessa grande cantora, foi responsável também por lançar um compositor cuja canção mais famosa, Como Nossos Pais, ficou eternizada na voz da pimentinha.

Além dessa, outra canção de Belchior foi interpretada no show, Velha Roupa Colorida, que se tornou igualmente famosa, assim como seu compositor. Ambas as músicas, que pertenciam claramente ao estilo de música de protesto predominante na década de 1970, possuem em suas letras situações tão atuais que é como se tivessem sido escritas hoje, inclusive no que diz respeito às críticas sobre modo de vida e governo.

Devido ao grande êxito alcançado pelo show, no ano seguinte Elis Regina lançou o LP Falso Brilhante, que além das duas composições de Belchior, trazia em seu repertório canções não só de outros grandes compositores da época, como João Bosco, Aldir Blanc e Chico Buarque, como também músicas que denunciavam as arbitrariedades cometidas nas ditaduras de outros países, como por exemplo, Gracias a la vida, de Violeta Parra.

Assim como o espetáculo, o LP fez tanto sucesso que até hoje é um dos mais expressivos da história da Música Popular Brasileira, e entre as canções mais famosas estão os clássicos Como Nossos Pais, Fascinação, Tatuagem, Velha Roupa Colorida e Gracias a la vida.