6 de janeiro de 2013

Caixa com 19 discos celebra 40 anos de carreira de Nana Caymmi



Fonte: Folha de S.Paulo
Lucas Nobile
Nana Caymmi, a Dama da Canção

Nana Caymmi completa 72 anos em abril. Resignada, tardiamente ela ainda ganha homenagens relativas aos seus 70. "Sempre é tempo. Houve um atraso porque tem a porra do dinheiro no meio. E ainda tive que ligar para a Argentina para liberar os direitos sobre aquele meu disco ["Nana", de 1973], foi na marra."

Filha do compositor baiano Dorival Caymmi e irmã dos também músicos Dori e Danilo, a cantora se refere ao lançamento de "Nana Caymmi - A Dama da Canção" (EMI), caixa que reúne 19 discos em 40 anos de carreira.

O box, que teve organização do produtor e jornalista Rodrigo Faour, compila os álbuns mais relevantes da trajetória de Nana naquela gravadora. Vai desde o primeiro, "Nana", lançado em 1965, até "Sangre de Mi Alma", de 2000, cujo repertório é formado por boleros.

No meio do caminho, há uma série de discos que registraram sucessos atemporais de interpretações de Nana. Estão ali "Nana", de 1977, que contém "Se Queres Saber" (Peterpan) e "Milagre", de seu pai Dorival, além de "Voz e Suor" em que é acompanhada apenas pelo pianista Cesar Camargo Mariano.

  Paula Giolito - 6.jul.11/Folhapress
 Nana e Dori Caymmi se apresentam durante o 22º Prêmio da Música Brasileira

Há ainda um volume duplo que resgata 41 faixas gravadas por Nana fora dos discos de carreira da cantora, conhecida por fazer poucas concessões musicais.

"Nunca lutei para vender um milhão de cópias. Isso era uma doença nas gravadoras, uma mentira", diz Nana.

"Eles contratavam espiões para ver quem ia estourar, era uma bomba, uma Hiroshima. Eu nunca participei disso. Mandava para a puta que pariu", completa a cantora.

No volume de raridades, estão temas gravados em diversas épocas, como "Saveiros" de Dori Caymmi e Nelson Motta, com a qual Nana ganhou o Festival Internacional da Canção de 1966, além de faixas do compacto de 1967, que tem os Mutantes como banda de apoio.


APOSENTADORIA ADIADA
Em abril do ano passado, a cantora anunciou que abandonaria os palcos. Pretendia passar mais tempo na cidade de Pequeri, em Minas, onde tem uma casa. Recentemente, mudou de ideia.

"Sobre aposentar, venho me preparando. O que me desgasta é viajar. Aeroporto virou uma grande rodoviária. Cantar, eu vou cantar até no caixão, não vou largar, mas tem de ser algo que não me faça viajar muito."

Por "não viajar muito", leia-se sair pouco de Pequeri e do Rio, onde mantém casas.
Nana começa a trabalhar neste mês no registro de um disco especial, em homenagem ao início do ano do centenário de Dorival Caymmi (1914-2008).

"Se pudesse, seria uma cantora de estúdio. O problema é que sempre tem a merda do dinheiro, eles [das gravadoras] dizem: 'vai ficar caro, tem um custo alto'."

No álbum em tributo ao pai, ela será acompanhada dos irmãos Dori e Danilo e gravará um repertório pouco conhecido de Dorival.

Nana diz também ter uma série de músicas guardadas que lhe renderiam um disco novo. Sobre conhecer novos músicos da MPB, ela diz nem pensar, que se satisfaz com o que já conhece.

"É o final dos tempos. Tenho tanto compositor bom na minha vida, não vou procurar novos. Na TV, no rádio, do pouco que vejo não gosto. Minhas netas já foram educadas, estou tranquila."

NANA CAYMMI - A DAMA DA CANÇÃO
ARTISTA Nana Caymmi
GRAVADORA EMI
QUANTO R$ 435, em média




Texto publicado originalmente no site da Folha de S.Paulo, por Lucas Nobile.

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5 de janeiro de 2013

Gravadora americana relança discos de Marcos Valle em Vinil

Fonte: Revista Época:
Quatro clássicos da fase experimental do músico brasileiro serão lançados pela primeira vez nos Estados Unidos.

A gravadora americana Light in The Attic, famosa por desenterrar clássicos esquecidos pelo tempo, relançará em vinil quatro discos do brasileiro Marcos Valle. Seus discos da década de 1970, cheios de experimentações, são disputados em sebos e procurados até em outros países. Agora, pela primeira vez, clássicos de sua discografia são lançados no mercado americano. 

Marcos Valle e Garra, os dois primeiros, chegam no dia 09 de janeiro. No dia 06 de fevereiro, serão lançados Vento Sul e Previsão do Tempo.

Relançamento em vinil:
Os discos foram prensados em LPs de 180 gramas e acompanham um livreto com informações sobre o álbum, entrevistas com Valle e letras em português e inglês. Os quatro discos relançados podem ser encontrados no Brasil em CD na caixa "Marcos Valle Tudo". 

         Assista aos vídeos que mostram as edições em vinil:

     
     
      O músico Marcos Valle em foto da década de 1970, quando produziu discos cultuados até hoje.


Obs: Esse texto foi publicado na íntegra no site da revista Época, por ANDRE SOLLITTO, e pode ser acessado através desse link: Clique Aqui! o conteúdo publicado nesse post é um resumo da matéria publicada originalmente no site da "Época". 


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28 de dezembro de 2012

Os 12 Melhores discos de 2012


2012 foi um ano bastante produtivo pra a MPB, onde se produziu muito, e com muita qualidade, diga-se de passagem. É interessante notar também que com o crescimento das redes sociais, muitos artistas da cena indie, que antes viviam escondidos no mundo "underground" estão surgindo e mostrando seu trabalho na rede, seja através do youtube, disponibilizando faixas ou em alguns casos o disco inteiro para download. Isso mostra que existe vida inteligente fora das grandes mídias e gravadoras, que controlam boa fatia do mercado fonográfico. Prova disso foi a dificuldade que tivemos pra fazer uma lista de 12 discos que consideramos os melhores, lançados durante esse ano. Vamos agora aos escolhidos:

 Céu
 *Caravana Sereia Bloom
Lançado em fevereiro, o terceiro álbum da cantora paulistana Céu. "Carava Sereia Bloom" foi produzido por ela, junto com seu marido, Gui Amabis, teve participações de Jorge Du Peixe e Dengue da Nação Zumbi, Curumim, e também o pai da cantora, Edgar Poças.

Vinhetas, letras bem elaboradas e alquimia sonora são alguns dos ingredientes de Caravana Sereia Bloom, um álbum moderno e que como a própria Céu revelou em entrevistas, é um disco "On the Road" (de estrada e feito na estrada).Vale a pena fazer essa viagem musical pelas faixas do disco, que sem dúvida é um dos melhores álbuns produzidos em 2012. Topa fazer a viagem? então dê uma olhada no Retrovisor.


Tulipa Ruiz

*Tudo Tanto
Tulipa se firmou no time da nova geração da MPB, em seu segundo álbum ela gravou 11 faixas inéditas, todas assinadas por ela ou parceiros. A produção do disco ficou por conta do seu irmão, Gustavo Ruiz e arranjos de cordas e sopros de Jacques Mathias. Vale destacar a participação de Lulu Santos na música "Dois Cafés". Lançado pelo selo Natura Musical, "Tudo Tanto" foi disponibilizado para download gratuito no site oficial da cantora.

Maria Rita

*Redescobrir


Maria Rita emocionou o Brasil com a turnê "Viva Elis". O projeto marcou os 30 anos da morte de sua mãe. O trabalho foi gravado em agosto, no Credicard Hall, na capital paulista. A turnê teve início em  maio deste ano, e as apresentações do "Viva Elis", todas gratuitas, aconteceram em locais públicos de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre, seguidas por outras datas da turnê "Redescobrir".
Para o projeto, Maria Rita selecionou 65 músicas. Gravou 29 nesta primeira homenagem, mas não descarta revisitar a obra da mãe novamente. Fonte Consultada: Portal Maria Rita


Roberta Sá

*Segunda Pele



Em Janeiro Roberta Sá lançou o excelente álbum "Segunda Pele". Com produção de Rodrigo Campello, com quem a cantora trabalha desde o seu primeiro disco. Vale ressaltar a participação do uruguaio Jorge Drexler, que divide o microfone com Roberta em "Esquirlas", composição do próprio. Veja o primeiro clipe do disco: Pavilhão de Espelhos. Relembre o post que fizemos na época do lançamento: Segunda Pele.



Maria Bethânia

*Oásis de Bethânia

Maria Bethânia lançou seu 50 álbum em março. Em cada uma das dez faixas (metade delas inéditas), Bethânia convidou um artista para fazer arranjo original, sobre música autoral ou não. Djavan assina sua própria inédita, "Vive", na qual ainda toca violão. Lenine cria sobre "Velho Francisco", de Chico Buarque. Hamilton de Holanda, Jorge Helder, Jaime Além, Maurício Carrilho, Marcelo Costa e André Mehmari também assinam canções interpretadas pela Abelha Rainha da MPB.

Fonte: G1.


Caetano Veloso
*Abraçaço

Caetano Veloso fechou sua trilogia, iniciada em 2006 com o disco "Cê", seguida em 2008 com "Zii e Zie" e finalizada agora com "Abraçaço". gravados com uma banda jovem, formada pelo guitarrista Pedro Sá, o baterista Marcelo Callado e o baixista Ricardo Dias Gomes. O disco foi uma das boas surpresas de 2012. "Dei um laço no espaço, pra pegar um pedaço do universo que podemos ver, com nossos olhos nús, nossas lentes azuis, nossos computadores luz... Hei! hoje eu mando um Abraçaço.


Djavan

*Rua dos Amores



Depois de cinco anos sem compor, Djavan entrou em estúdio e fez um álbum primoroso, "Rua dos Amores". Ele assina as 13 músicas do disco, além de compor, ele fez as melodias e também a produção. Uma delas é "Vive" que foi gravada por Maria Bethânia. O disco marca o reencontro de Djavan com  sua antiga banda, pois havia aproximadamente 15 anos que eles não tocavam juntos. As músicas seguem o refinamento que já é sua marca registrada. "Dja" passeia com estilo pela Rua dos Amores". Lembra da matéria que fizemos na época do lançamento? clique aqui: Rua dos Amores.


Zélia Duncan

*Tudo Esclarecido



Zélia que completou 30 anos de carreira em 2011, e estava fazendo um espetáculo só com músicas de Luiz Tatit, "Tô Tatiando", dessa vez chega em cena com um álbum em homenagem a Itamar Assumpção (1949-2003). O disco "Tudo Esclarecido", conta com participações de Ney Matogrosso e Martinho da Vila, e reúne músicos como: Marcelo Jeneci, Pedro Sá, Christiaan Oyens, Stephane Sanjuan, Thiago Silva e produção de Kassin. O álbum saiu em três versões: CD normal, digipack e uma edição especial, com um livreto de 40 páginas. (Fonte: Folha de S. Paulo/Ilustrada).


Um disco que já nasceu indispensável pra qualquer apreciador de música popular brasileira. Itamar é desses compositores que algumas pessoas rotulam de "Maldito". Vale lembrar também que Zélia Duncan já gravou algumas canções de Itamar em seus discos, portanto ela tem intimidade com o repertório. Merecida e digna homenagem. Salve Itamar Assumpção! 


Tom Zé

*Tropicália Lixo Lógico

Aos 75 anos, sempre em busca de renovação, Tom Zé apresenta 16 temas inéditos, entre eles: "Navegador de Canções", composto em 1972, com participações de Emicida, Mallu Magalhães, Rodrigo Amarante e Pélico. Tom Zé decidiu tomar coragem e tocar em um tema que nunca saiu de sua mente: o tropicalismo, movimento musical do final da década de 1960 do qual fizeram parte artistas como Gilberto Gil e Caetano Veloso, além do próprio Tom Zé.

O álbum traz canções leves, que falam de amor e inspirações cotidianas,  como  "O Motoboy e Maria Clara", com Mallu Magalhães, "Amarração do Amor", "Jucaju" e "De-De-Dei-Xá-Xá-Xá", com Pélico. 
Fonte: Folha de S. Paulo/Ilustrada
*Tropicália Lixo Lógico é um lançamento do selo Natura Musical, o disco foi gravado em CD e Vinil. 


Silva

*Claridão


Lúcio da Silva Souza, um jovem capixaba que lançou seu primeiro álbum este ano e já é visto como um dos grandes nomes da nova geração da música brasileira. O álbum Claridão não poderia faltar nessa lista, com 12 músicas Silva nos presenteia em sua estreia com letras poéticas e sons cuidadosamente elaborados, o capixaba parece não ter medo de ousar e mistura sons clássicos como o piano ao lado de sintetizadores, esbanjando criatividade e bom gosto. Com certeza o moço construiu uma base bem sólida para alçar sua carreira e se seu primeiro trabalho já é de encher o peito de orgulho por nossa música nacional, mal posso esperar para ver o que vem dele por aí. (Por Amanda Barone) 


Rodrigo  Campos

*Bahia Fantástica

Bahia Fantástica, de Rodrigo Campos é fruto de uma viagem feita pelo paulistano, de São Mateus, à Bahia e também de um momento de crise em que Rodrigo parou para pensar mais sobre a morte, tema recorrente neste álbum, e tudo que a envolve. São 12 faixas, todas compostas por Rodrigo, muitas dessas canções possuem poucos e excelentes versos, que repetidos diversas vezes acompanham em um crescente os arranjos instrumentais, tornando de uma genialidade essa síntese de palavras que são poucas, mas que dizem muito. Recheado de histórias e personagens que parecem reais, como Andreza, Beto, Ana e Elias, as músicas desse álbum nos faz sentir que estamos ouvindo um amigo contar seus causos em uma mesa de bar. O disco conta com participações bem bacanas como Criolo, Luisa Maita, Gui Amabis, Juçara Marçal e outros. (Por Amanda Barone)

Lucas Santtana
*O Deus que Devasta Mas Também Cura

O quinto álbum do baiano Lucas Santanna não passou despercebido pela cena musical, “O Deus que Devasta mas que também Cura”, não está na nossa lista de melhores do ano à toa. O álbum conta com 10 músicas, sendo 8 de autoria de Lucas, que fazem desse disco um trabalho confessional, de uma época em que Lucas passava pelo término de um relacionamento. Músicas bem orquestradas com sintetizadores, misturas rítmicas e samples que dão um toque todo especial, deixando o disco dinâmico e sem excessos. O disco conta com participações de peso da música brasileira como Letieres Leite & Orquestra Rumpilezz, Céu, Curumin, Guizado, Rica Amabis, Kassin e integrantes do Hurtmold, Bixiga70 e Do Amor. (Por Amanda Barone).

Gostaram da nossa lista? encontrou algum disco que você tenha gostado muito? comente nas nossas redes: Clique Aqui! Twitter e Facebook.

Esse é nosso último post de 2012, aproveitamos pra desejar a todos vocês um feliz 2013, saúde e paz pra todo mundo, e que nesse novo ano, nossa MPB possa continuar crescendo e revelando novos talentos. Obrigado pela companhia de vocês que nos acompanham aqui no Blog, Twitter e também no Facebook.

Por: Wallace Surce, Ágatha Marinho, Amanda Barone, Brenda Amaral e Fefeu Santos. 


19 de dezembro de 2012

"Hoje com 32 anos, Roberta Sá é uma artista madura, que tem sua carreira consolidada e milhares de fãs espalhados pelo Brasil. Podemos dizer que é uma das melhores cantoras da nova geração da MPB"



                                                                      Foto: Maurício Santana
   
Hoje 19/12/2012, o Clube da MPB faz coro para o Parabéns a Roberta Sá!
Podemos dizer que Roberta Sá é metade potiguar, e metade carioca. Roberta nasceu em Natal, onde desde cedo acostumou-se a ouvir em casa muita música boa, aos 9 anos vem para o Rio de Janeiro com a mãe, mas foi só aos 18 que ela começou a se interessar por canto, estudando num coral em Missouri nos Estados Unidos, onde fazia um intercambio. E não parou mais, voltando ao Rio de Janeiro, roberta inicio a faculdade de jornalismo, mas não abandonou as aulas de canto.

E foi sua professora, Vera de Canto e Melo, quem deu o "empurãozinho" para que a moça investisse na carreira de cantora.

Incentivando-a a fazer testes para musicais e por obra do destino, ela acabou entrando no programa Fama da rede globo de televisão.  Roberta, para espanto de todos foi eliminada cedo, na quarta semana,
porém o programa lhe rendeu um grande presente, foi lá que ela conheceu Felipe Abreu, que tornou-se seu preparador vocal, além de incentiva-la a gravar a primeira demo.


Em 2003, a demo com cinco canções chegou às mãos do autor de novelas Gilberto Braga, o qual gostou da voz da cantora e lhe pediu que gravasse "A Vizinha do Lado" de Dorival Caymmi para a trilha da novela Celebridade, que escrevia no momento. A música até hoje é uma das preferidas dos fãs e não pode faltar no set list dos shows.

Pouco tempo depois, conheceu Rodrigo Campelo, e tendo ele como seu produtor,  gravou à pedido de uma empresa um álbum promocional "Sambas e bossas" que entre as faixas, reunia os clássicos: "A Flor e o Espinho, Essa Moça tá diferente e Chega de Saudade".

Em 2005 Roberta lança  seu primeiro álbum, intitulado "Braseiro", o disco foi produzido por Paulo Malagutti  e Rodrigo Campello.  O destaque fica por conta das participações luxuosas de MPB4  (Cicatrizes) e Ney Matogrosso (Lavoura)  e  vale citar também alguns compositores de peso que cederam músicas pra este trabalho, entre eles: Pedro Luís (Braseiro), Chico Buarque (Pelas Tabelas), Marcelo Camelo (Casa Pré-Fabricada), Paulinho da Viola (Valsa da solidão) etc...

Com esse trabalho Roberta que já havia criado um publico cativo graças ao show que apresentou por algum tempo no "Mistura Fina" Casa de shows carioca, começa a ganhar mais espaço e visibilidade. 
Mas foi em 2007 com o lançamento de "Que Belo Estranho Dia Pra se Ter Alegria" que Roberta finca de vez a bandeira, sendo reconhecida por publico e critica como uma das  principais vozes da nova geração da MPB!

"Que Belo Estranho Dia Para Se Ter Alegria", foi lançado em agosto de 2007, nesse mesmo ano ela ganhou dois prêmios da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) categorias: Melhor cantora e melhor álbum, com ele, Roberta conquistou o disco de ouro pelas mais de 50.000 cópias vendidas.

Em setembro de 2009 ela lança seu primeiro DVD "Pra se ter alegria" no Canecão, que hoje esta desativado, mas foi por muito tempo a principal e mais tradicional casa de shows carioca, o DVD foi gravado meses antes no Vivo Rio. 

2010* Roberta Sá lança "Quando o Canto é Reza" - Um projeto em parceria com o Trio Madeira Brasil, formado por Marcello Gonçalves, Zé Paulo Becker e Ronaldo do Bandolim. O disco contém 13 faixas de autoria do compositor baiano "Roque Ferreira" Roque já foi gravado por grandes nomes da MPB, entre eles: Clara Nunes, Maria Bethânia, Alcione e Zeca Pagodinho. O CD teve produção de Pedro Luís e direção musical de Marcello Gonçalves. Com esse álbum Roberta ganhou o 22 Prêmio da Música Brasileira, como melhor disco e melhor cantora.


Como artista, mostra-se muito coerente e exigente com seu trabalho, Nota-se facilmente o cuidado e dedicação que ela tem em cada disco. Desde a escolha do repertorio até os detalhes na direção do show, a potiguar participa de tudo!

        Foto: Natura Musical

Hoje com 32 anos, Roberta Sá é uma artista que tem sua carreira consolidada e milhares de fãs espalhados pelo Brasil. Podemos dizer que é uma das melhores cantoras da nova geração da MPB. No começo desse ano ela lançou seu mais recente CD intitulado "Segunda Pele". O álbum foi financiado pelo projeto Natura Musical e distribuído pela Universal Music. Confira a matéria que fizemos na época sobre o disco, clique aqui: Segunda Pele 

"Seus trabalhos possuem muita brasilidade, os ritmos e sonoridades nacionais estão sempre colorindo suas canções, temperadas  com a pluralidade dos ritmos regionais, isso pode ser notado facilmente em cada trabalho da moça, essa é uma de suas marcas registradas, a pluralidade " (#ParabénsRobertaSá)

Dica! Acesse a discografia de Roberta Sá, está no site da cantora, clique aqui:  Discografia

Ágatha Marinho


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     Foto: Natura Musical

18 de dezembro de 2012

Gilberto Gil: "Eu Não existiria sem Gonzagão"

Entrevista de Gilberto Gil para revista Bravo/dezembro/2012

Gilberto Gil: Sonho muito, sabe? (ele se acomoda num terraço do Fasano, luxuoso hotel da Zona Sul carioca. São 17h15 de uma terça-feira, 9 de outubro. À noite, o cantor e o filho Bem irão fazer um pocket-show no bar do hotel)

Bravo!: Sonha com o que?
Com a minha terra, Itaguaçu. Com os lugares marcantes de lá: o átrio da igreja, o mercado, o correio, a rua de cima e a de baixo, as duas únicas da cidade...
No recenseamento de 1950, Itaguaçu somava uns 800 habitantes, acredita? Oitocentos! Na realidade, nasci em Salvador, mas poucas semanas depois segui para o interior da Bahia, onde meus pais moravam. Claudina e José Gil... Meus pais.... ela, mestiça de negro com índio, trabalhava como professora primária. Ainda está viva, em Salvador, e brevemente completará 99 anos. Ele, mulato, morreu com 78.

Foi um dos raros médicos de Itaguaçu - clínico geral e, depois, sanitarista. O outro médico se chamava Edson Gouveia. Também só havia dois farmacêuticos no município. Um deles, José Celestino, me batizou. Lembro-me bem de todos, né? Do doutor Edson, de meu padrinho, do seu Magalhães, do seu Osvaldo Conceição, do Juvenal Wanderley, dos fogueteiros, do pároco, do juiz de direito.

 Itaguaçu se localiza entre a caatinga brava, inóspita, dura e a Chapada Diamantina. Por isso se beneficia do clima serrano, mais ameno, mais fresco. E recebe influências tanto da cultura sertaneja quanto da cultura menos rígida que caracteriza a serra.

Diz o Google que a cidade fica longe de Salvador. são quase 500 km de distância.

Não sei exatamente a quilometragem. Mas recordo que levávamos dois dias para chegar à capital. Pegávamos um trem e um navio. Entrávamos de vapor na baía de Todos os Santos. Foi em Itaguaçu que travei contato com a sonoridade e o universo disseminados pelas músicas de Luiz Gonzaga. Conheci os repentistas, os sanfoneiros, os violeiros, os cegos que cantavam enquanto esmolavam. Nas ruazinhas dali, escutei inúmeros dos gêneros que hoje agrupamos sob a designação de forró. Os músicos se encontravam, sobretudo, durante os finais de semana. Tocavam na feira, onde os negociantes vendiam laticínios, rapadura, carnes, feijão, arroz, farinha, verduras e derivados de cana. Uma feira animadíssima, que atraía muita gente da região. Devia ter uns 4 ou 5 anos quando descobri Gonzaga pelo rádio. Na mesma época, costuma ouvir Carlos Galhardo, Orlando Silva, Dalva de Oliveira, Bob Nelson e as irmãs Batista.

O surgimento de Gonzaga, porém, me tirou do sério. "Ele canta como o pessoal de Itaguaçu!", notei maravilhado. "Ele é o nosso cantor!" Virei fã na hora, me identifiquei de imediato com aquela voz, aquele palavreado, aqueles ritmos. Gonzaga acabou se transformando em meu primeiro ídolo. Eu me esforçava para acompanhar a carreira dele.

O Segundo foi João Gilberto?

Não, foi Dorival Caymmi. Depois, Cauby Peixoto, Angela Maria e, aí sim, João.

Com que idade você saiu de Itaguaçu?

Com 9. Fui cursar o ginásio em Salvador. Morava na casa de tia Margarida, professora como minha mãe.

Nunca mais voltou?

Voltei somente uma vez, para filmar cenas de Tempo Rei (documentário sobre o compositor, lançado em 1996). Já não existe ninguém de minha família em Itaguaçu.
Logo após eu me estabelecer na capital, meus pais deixaram nossa cidadezinha por razões profissionais. Passaram uma temporada em Medeiros Neto, outra em Ibirataia e finalmente se instalaram em Vitória da Conquista. Tudo na Bahia né? Enquanto estive em Itaguaçu, nunca pude ver o Gonzaga pessoalmente. Só o admirava por foto. Mas um dia, já em Salvador, consegui avista-lo de perto. Eu rondava os 10 anos. E o Gonzaga se apresentou na praça Castro Alves. Não... Foi na praça da Sé. Ele fazia uma turnê, patrocinada pelo colírio Moura Brasil, que cruzava o país inteiro. Observá-lo em cena me deixou enlouquecido. Aquilo parecia uma epifania. Fiquei com a impressão de que Gonzaga descera dos céus para pousar bem ali, diante de nós. Um negócio extraordinário!

Você já tocava?

Estava aprendendo acordeão, justamente por causa do Lua. Com 2 anos e meio, disse para minha mãe: "Quando crescer, vou ser 'musgueiro'". Inventei um neologismo, né? "Musgueiro", uma corruptela de músico. Na ocasião, além de me interessar por programas das rádios Tupi e Nacional, ouvia minha mãe e minha avó Lídia cantarolarem em casa. Minha mãe, aliás, cantarola até hoje. Em Vitória da Conquista, integrava o coro da igreja. Talvez por viver tão rodeado de canções é que decidi me tornar "musgueiro". Mas em Itaguaçu não aprendi nenhum instrumento, embora venerasse as cornetas e os tambores de brinquedo. Um pouquinho antes de me mudar para a capital, minha mãe se lembrou de meu antigo desejo e perguntou: "você ainda quer virar 'musgueiro'? Respondi que sim. Ela, então, me matriculou numa escola de música em Salvador. "Você não gosta do Gonzaga? Não é louco por baião? Pois vá estudar sanfona!" Eu obedeci né? (risos) E me formei acordeonista. Pratiquei o instrumento entre os 10 e os 16,17 anos - um acordeão da marca Veronese, com 80 baixos. Minha mãe resolveu comprá-lo do professor espanhol que me dava aulas.

Gil com o acordeão que ganhou da mãe quando menino. Foi o primeiro instrumento que aprendeu a tocar

Você o guardou?
Sim, mas raramente toco. Perdi o jeito. No final da adolescência, ganhei um violão Di Giorgio, também de minha mãe, e abandonei gradativamente o acordeão. Só o peguei de novo com seriedade em 2000, quando lancei o disco Gil & Milton.

No álbum, há duas sanfonas, uma das canções que escrevemos juntos. Nós a apresentamos em shows tocando o instrumento. À semelhança do Wagner Tiso, do João Donato e de outros músicos da minha geração, o Milton Nascimento começou como acordeonista. Por isso, compusemos Duas Sanfonas. Peraí... Agora está me ocorrendo que toquei um pouco de acordeão em outro disco de 2000, As Canções de eu tu eles. 

"Observar Gonzaga em cena me deixou enlouquecido. Aquilo parecia UMA EPIFANIA"


Gil e Caetano Veloso em 1968, no auge do tropicalismo
foto: Adhemar Veneziano


"GONZAGÃO ERA COMO UMA PLANTA. ERA AGRESTE, NÉ? INCULTO E BELO...UMA FORÇA BRUTA"

Nos dois trabalhos, você usou o mesmo instrumento que ganhou de sua mãe?

O mesmíssimo! Com aquele acordeão, montei meu primeiro conjunto musical, Os Desafinados. O nome do grupo, claro, surgiu em decorrência da bossa nova. Éramos um baterista, um violonista e dois acordeonistas. A gente tocava para a elite, em aniversários e bailes

Tocavam forró?

Muito de vez em quando. Àquela altura, as classes mais abastadas já não apreciavam  os ritmos nordestinos. Então tocávamos standards norte-americanos e cubanos.

Você compunha no acordeão?

Improvisava uns temas, umas bobagenzinhas, mas compor realmente só depois de aprender violão. Se bem que, no tempo dos Desafinados, criei diversos jingles para um publicitário e radialista da Bahia, o Jorge Santos.

Recorda-se de algum?

Deixe-me pensar... Sim! Do jingle que anunciava os produtos da Milisam, loja de um sujeito chamado Milton Sampaio: "Milisam tem crediário popular/Milisam tem roupa feita pra você comprar/Sem sentir/Compre de tudo pra vestir/No crediário popular/No plano espetacular da sua Milisam". (risos)

Quando você e Luiz Gonzaga se conheceram?

Na época do tropicalismo. Alguém me levou até o apartamento dele. Esqueci quem exatamente. Foi à tarde, na Ilha do Governador. Lembro que Gonzaga elogiou um de meus primeiros sucessos, Procissão, que gravei em 1968 (a música, de cunho político, critica os que prometem "tanta coisa pro sertão"). Ele comentou: "Vocês, jovens que frequentam a universidade, podem questionar a igreja e os coronéis. Eu, não. Sou um homem simples. Preciso agradar todo mundo". Justificava, assim, as relações mais amenas que certos artistas do Nordeste estabeleciam com os poderosos. Pouco depois, ficou amigo de meus pais. Sempre que passava por Vitória da Consquista, ia visitá-los, tomar um café, comer um bolo.

Gonzagão não fazia ideia da própria importância?

Não, não fazia. Era como uma planta, Era agreste, né? Inculto e belo... Uma força bruta. Misturava-se naturalmente à terra. Pertencia de maneira orgânica àquele universo árido que retratou. Não dispunha do afastamento crítico que  os novos cantores preconizavam.

Ele compreendeu o tropicalismo?

Não sei... Nunca conversamos sobre o assunto. De qualquer modo, dá para afirmar que Gonzagão revelou-se tropicalista antes do tropicalismo. (risos) Por um lado, se inseria profundamente na cultura brasileira, negro-mestiça, afro-armonial, afro-mediterrânea. E, por outro lado, dialogava com os gêneros estrangeiros que aprendeu quando trabalhava em inferninhos. Era completamente antropofágico, percebe? O nosso Elvis Presley! (risos) Um artista on the road, que abriu caminho, que pavimentou a estrada para uma porção de gente. Não à toa, o som do acordeão aparece em vários dos hits atuais - o forró universitário, o forró sacana, a trilha da novela Avenida Brasil, as canções do Michel Teló...

Michel Teló não existiria sem Gonzaga?

Oxente! Eu não existiria sem Gonzaga! imagine o Michel Teló, que pintou bem depois. (risos)!

>> esse conteúdo foi postado originalmente na revista Bravo! edição Dezembro/2012
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