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2 de dezembro de 2013

Dia Nacional do Samba


"Para se falar em SAMBA temos que falar em negro, para se falar em negro temos que contar sua árdua luta através de muitas gerações, erguendo o seu grito contra o preconceito de raça e de cor herança da escravidão." 

(Trecho retirado do livro: Escola de Samba - Árvore Que Esqueceu a Raiz)


Hoje, 02 de dezembro, é o dia da mais expressiva linguagem do povo carioca. O mestre Jairo Severiano fez no breve texto a seguir uma exposição em poucas palavras do que considera de mais importante para o entendimento do fenômeno Samba: 

''Com seu canto vigoroso, rascante, inusitadamente grave e suas cantigas impregnadas de negritude, a neta de escravos Clementina de Jesus é a prova cabal da presença da África na MPB. O casamento dessa presença africana, especialmente rítmica, com harmonias e melodias de inspiração europeia, constitui o aspecto mais fascinante, o âmago, o espírito samba, o mais importante gênero da música popular brasileira.''


Antes de prosseguir, ouçam Clementina cantando o ''canto dos escravos'':



A foto que inicia essa postagem é uma ilustração fiel, mostra Alcebíades Barcelos, um dos fundadores da primeira Escola de Samba do Brasil, a "Deixa Falar", em 1928, juntamente com o grande Ismael Silva, Brancura, Mano Edgar, Nilton Bastos, entre outros. Mais conhecido como Bide, também foi o criador do surdo, mudando o ritmo anteriormente conhecido por ''maxixe''. 

Ouçam essa história mais detalhada no depoimento feito pelo próprio Bide:




Sobre as Escolas, vale ressaltar:

"As Escolas de Samba, começaram seus movimentos dentro de um mesmo período (entre 1923 e 1930). Essas foram: a Deixa Falar (Estácio), Fique-Firme (Favela), Mangueira, Vai como Pode (Portela), Vizinha Faladeira e outras que começaram como Blocos-Carnavalescos.''

(Escola de Samba - Árvore Que Esqueceu a Raiz, pág. 57).



(Na foto: Paulo da Portela, Heitor dos Prazeres, Gilberto Alves, Bide e Marçal).

Além do Bide, outros grandes nomes daquela época muito contribuíram e fortaleceram a criação daquele ''samba de sambar'', afastado, então, do samba ''amaxixado''. O que aqueles ''malandros do Estácio'' fizeram permaneceria como grande influência para toda uma geração de sambistas.
Paulo, um dos fundadores da Portela.

Paulo Benjamim de Oliveira - ou Paulo da Portela - também é um dos nomes mais importantes da história do samba. Vital para a retirada do preconceito muito comum daquela época com qualquer atividade relacionada ao gênero, tornando-se o primeiro "relações públicas'' do samba, como cita a grande Marilia Trindade Barboza em um documentário sobre ele. 

Assista:
Paulo da Portela - O Seu Nome Não Caiu No Esquecimento




Hoje podemos comemorar e exaltar o nosso SAMBA, mas sabe-se que esse poder veio através de grande luta pela quebra do preconceito com essa manifestação cultural tão bela e genuína. E você deve estar se perguntando o motivo pelo qual dia 2 de dezembro foi escolhido como o Dia Nacional do Samba. Nos dois "links'' a seguir estão as explicações mais conhecidas e a que por fim, alega ser verídica.


Há mais de uma explicação sobre a comemoração desse dia. Essas são acompanhadas por alguns que as confirmam, outros que as questionam e aqueles que as ''desmentem''.




E a versão que garante ser verídica, escrita pelo Márcio Gomes para o Especial Dia Nacional do Samba:



Seja qual for a real explicação, o importante é ter um dia dedicado ao Samba, trazendo-o para o ''centro das atenções'', relembrando o que jamais deveria ser esquecido. Salve Cartola, Noel Rosa, Nélson Cavaquinho, Adoniran Barbosa, Bide, Marçal, Ismael Silva, Chico Santana, Alberto Lonato, Wilson Baptista, Ataulfo Alves, Alcides, Geraldo Pereira, Geraldo Babão, Geraldo Filme, Mano Décio, Nilton Bastos, Herivelto Martins, Francisco Alves, Lupicínio Rodrigues, Manacéa, Candeia, Portela, Mangueira, Império Serrano, Orlando Silva, Carlos Galhardo... Enfim, essa infinidade de compositores, intérpretes, Escolas e sambistas de "primeira" que tanto agregaram à nossa cultura. Que todos sejam sempre lembrados, não só hoje, como toda vez que se falar e ouvir sobre as verdadeiras raízes do Brasil.


Deixo a todos com um belíssimo samba do Manacéa, na voz da maravilhosa Cristina Buarque:



Ouçam mais em: seleção Samba e Choro 


E feliz Dia Nacional do Samba!


(por Joyce Albuquerque)


2 de dezembro de 2012

02 de Dezembro, Dia Nacional do Samba




"Eu sou o samba, a voz do morro sou eu mesmo sim senhor... sou eu que levo a alegria para milhões de corações brasileiros."  Zé Kéti, "A voz do morro."

O dia nacional do samba surgiu por iniciativa de um vereador baiano, Luiz Monteiro da Costa, para homenagear Ary Barroso. Ary já tinha composto seu sucesso "Na baixa do sapateiro" mas nunca havia posto os pés na Bahia. Esta foi a data que Ary Barroso visitou Salvador pela primeira vez. A festa foi se espalhando pelo Brasil e virou uma comemoração nacional.


Atualmente duas cidades costumam comemorar muito o Dia do Samba: Salvador e Rio de Janeiro. Em Salvador sempre tem grandes shows lá no Pelourinho, com artistas e cantores famosos e com os sambistas locais. No Rio de Janeiro a festa fica por conta do animadíssimo Pagode do Trem. No Dia do Samba o pessoal se reúne lá na Central do Brasil, lota um trem inteirinho e vai tocando e cantando até o bairro de Oswaldo Cruz, onde lá formam-se várias rodas de Samba. Os vagões vão sempre lotados e em cada vagão vai um grupo que agita as rodas de Samba do Rio de Janeiro, incluindo grupos com sambistas famosos e locais. Alguns vagões levam os repórteres e outros da mídia que aparecem por lá para registrarem o fato..
Fonte: CEDI Câmara dos Deputados.

Curiosidades:

No início do século XX, o compositor João da Baiana foi preso em flagrante nas ruas do Rio de Janeiro. A acusação: portar um pandeiro.

De lá pra cá, muita coisa mudou. O samba ganhou escola e reconhecimento, tornando-se o ritmo mais identificado com o Brasil e os brasileiros. Do pandeiro de João da Baiana ao repique do Cacique de Ramos, o gênero passou por inúmeras transformações, mas manteve sempre uma forte ligação com a malandragem, em seu melhor sentido e com a alegria,
Sem dúvidas podemos afirmar que o samba é o estilo que melhor representa  a música brasileira no mundo, faz parte da nossa identidade cultural. 

São tantos personagens que fazem ou fizeram parte da história do samba que seria preciso um livro pra citar os mais importantes e o impacto da obra desses bambas na música popular brasileira. Pra citar alguns: Cartola, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Noel rosa, Guilherme de Brito, Ney Lopes, Elton Medeiros, Paulinho da Viola, Zé Kéti, Geraldo Pereira, Wilson Batista, Donga, Dona Ivone Lara, Beth Carvalho, Elza Soares, Dorival Caymmi, João Nogueira, Martinho da Vila, Roberto Ribeiro, Clara Nunes, Ismael Silva, Heitor dos prazeres. Enfim a constelação de estrelas do samba é enorme e seria desnecessário citar todos aqui, o importante é a gente ter noção da importância desses nomes pra música brasileira.

O primeiro samba gravado foi "Pelo Telefone" de "Donga e Mauro de Almeida" em 1917 no Rio de Janeiro, segundo dados da Biblioteca Nacional. Foi a primeira composição a alcançar sucesso com a marca  de Samba e contribuiria para a divulgação e popularização do gênero. A partir daquele momento esse samba urbano carioca começou a ser difundido pelo país, inicialmente associado ao carnaval e posteriormente adquirindo um lugar próprio no mercado musical. Surgiram muitos compositores como: Heitor dos Prazeres, João da Baiana, Pixinguinha e Sinhô, mas os sambas desses compositores eram amaxixados, conhecidos como Sambas-maxixe.

Os contornos modernos dessa samba urbano carioca viriam somente no final da década de 1920, a partir de inovações em duas frentes: Com um grupo de compositores dos blocos carnavalescos dos bairros do Estácio de Sá e Osvaldo Cruz e com compositores dos morros da cidade como em Mangueira, Salgueiro e São Carlos. Não por acaso identifica-se esse formato de samba como "genuíno" ou de "raíz".

À medida que o samba do Rio de Janeiro consolidava-se como uma expressão musical urbana e moderna, ele passou a ser tocado em larga escala nas rádios, espalhando-se pelos morros cariocas e bairros da zona sul do Rio de Janeiro. Inicialmente criminalizado e visto com preconceito, por suas origens negras, o samba conquistaria o público da classe média também.

O samba moderno urbano surgido à partir do inicio do século XX era tradicionalmente tocado por instrumentos de corda (cavaquinho e vários tipos de violões) e vários instrumentos de percussão, como o pandeiro, o surdo e o tamborim. Por influência das orquestras norte-americanas em voga à partir da Segunda Guerra Mundial e pelo impacto cultural da música dos E.U.A no pós-guerra, passaram a ser utilizados também instrumentos como trombones e trompetes, e por influência do choro, flauta e clarinete.

Com o passar dos anos surgiram mais vertentes no seio dessa samba "nacional" urbano carioca, que ganharam denominações próprias como: o samba de breque, o samba-canção, a bossa nova, o samba-rock, o pagode, entre outras.

*Samba nos Arcos da Lapa-1964:


A pintura acima é de autoria de Heitor do Prazeres. Além de compor, tocar e cantar, o carioca pintou o samba. 

"Samba, agoniza mas não morre, alguém sempre te socorre antes do suspiro derradeiro" Nelson Sargento.