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7 de junho de 2013

07/06/2013. 24 anos sem o canto livre de Nara Leão



Hoje faz 24 anos que perdemos uma das vozes mais suaves e significativas que ecoaram no Brasil de 1964 até 1989. 

Foi a musa da bossa nova dos geniais Tom Jobim e Vinicius de Moraes, cantou sambas de morro de compositores do quilate de Cartola e Nelson Cavaquinho, e como não lembrar do "Espetáculo Opinião"?, ao lado de figuras como João do Vale e Zé Keti, Nara Leão deu voz a canções de protesto, brilhou também ao lado de Chico Buarque no segundo festival de música popular brasileira/1966, com a música "A Banda", tendo a mesma vencido o festival. 

 Além disso, Nara aderiu ao movimento tropicalista, liderado por Gil e Caetano, tendo participado do disco-manifesto do movimento: Tropicália ou Panis et Circensis, lançado pela Philips em 1968 e disponível hoje em CD. Ou seja,  além de ter revelado grandes compositores, participou dos principais movimentos de música brasileira na década de sessenta. 

Contradição? traiu todos os movimentos que participou?

Você provavelmente já deve ter ouvido isso por aí, mas o fato é que Nara Leão não se limitava a cantar um estilo ou um movimento, Nara cantava a música que ela acreditava, cantava o que era preciso, e o que ela sentia. Ela não tinha medo do que os outros iam pensar, tudo isso fez de Nara uma das cantoras de maior personalidade na MPB.

                          Veja a  discografia de Nara Leão:   
                                      (fonte: site oficial Nara Leão)
"Sua voz quando ela canta, me lembra um pássaro, mas não um pássaro cantando, lembra um pássaro voando." 
(Ferreira Gullar)


O Pioneirismo de Nara Leão:

Nara foi a primeira cantora a gravar um disco inteiro só com músicas de Roberto e Erasmo Carlos. E isso, numa época que Roberto Carlos sofria um certo preconceito da MPB. Por causa da Jovem Guarda, mutos o viam como brega. Hoje virou cult, todos querem gravar e tocar Roberto, mas naquela época não era bem assim. Desculpem as outras, mas Nara foi a primeira!

Além disso, Nara Leão foi uma das primeiras cantoras a gravar Chico Buarque, no seu quinto disco, "Nara Pede Passagem" de 1966,  Nara gravou 3 canções de Chico, são elas: "Olê, Olá", "Pedro Pedreiro" e "Madalena foi Pro Mar"
   
Nara foi a primeira cantora a gravar um disco no formato CD (Compact disc)
O álbum foi gravado em 1985 no Japão, ao lado de seu amigo e produtor Roberto Menescal, ela gravou um disco com repertório dedicado a Bossa Nova, cujo título é Garota de Ipanema.

Homenagens:
Em janeiro de 2012, a filha de Nara Leão, Isabel Diegues, criou um site em homenagem a mãe e disponibilizou toda a discografia de Nara para audição. Além disso o site contém fotos raras e material de acervo. Para acessar o site de Nara Leão, basta clicar nesse link: Nara Leão  << Clique aqui

Caixa com 13 discos Recupera fase de ouro de Nara Leão
 (Folha de S.Paulo) Por Lucas Nobile. (19/05/2013)


Nascida numa família de classe média, a garota da zona sul impressionou crítica e público ao dar voz a sambistas do morro, como Cartola, Nelson Cavaquinho e Zé Keti.
Mais de duas décadas depois da morte de Nara (1942-1989), o repertório do período mais significativo da trajetória da cantora, os anos 1960, é relançado em uma caixa com 12 discos de carreira e um duplo com raridades.

Com o título de "Nara Leão - Samba, Festivais e Tropicália", a compilação foi feita por Rodrigo Faour.
Inicialmente, o jornalista e produtor fora convidado para organizar um CD duplo com raridades de Nara.

No repertório, reuniu gravações não incluídas em discos de carreira da cantora, mas em trilhas de filmes como "Quando o Carnaval Chegar", de peças como
"Quincas Berro D'Água" e de registros ao vivo ou em compactos de Sidney Miller e Dulce Nunes, dos quais Nara participou.

"Hoje, um playboyzinho gravar Cartola é comum e bobo. Naquela época não, aqueles compositores estavam esquecidos. A Nara teve ousadia, bom gosto de repertório, critério e ética, que caíram em desuso hoje", diz o produtor.

Faour ampliou a proposta original e agregou ao projeto o relançamento de 12 álbuns, que compreendem um período de cinco anos na carreira de Nara: vão do primeiro LP dela, "Nara" (1964), até o disco "Coisas do Mundo" (1969).

"Bossa, samba de morro, músicas de protesto: a Nara sempre esteve na vanguarda. Fez uma revolução de comportamento", diz o cineasta Cacá Diegues, que dirigiu "Quando o Carnaval Chegar" e foi casado com a cantora por dez anos, de 1967 a 1977.

NARA LEÃO - SAMBA, FESTIVAIS E TROPICÁLIA
ARTISTA Nara Leão
GRAVADORA Universal Music
QUANTO R$ 235, em média

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                Veja abaixo uma galeria de fotos. (fonte: Site oficial de Nara Leão)

                 Nara Leão e Chacrinha:
     Nara leão com os filhos Francisco e Isabel Diegues:
      Nara Leão e Chico Buarque:



Quer se aprofundar na biografia de Nara Leão? Para acessar uma matéria que conta um pouco mais da trajetória de Nara Leão, basta clicar nesse link e navegar pelo nosso arquivoNara Leão, uma cantora de Opinião <<< Clique aqui 

22 de janeiro de 2012

Nara Leão. Por Toda Minha Vida



Reunimos os vídeos do programa Por Toda Minha Vida, dedicado a Nara Leão. Entrevista com artistas ligados a carreira e a vida de Nara. são trechos de entrevistas e depoimentos que formam uma espécie de biografia em vídeo.


Parte 1- depoimentos de Nelson Motta, Carlos Lyra, Chico Buarque, Roberto Menescal e o cineasta Cacá Diegues. Tem também um trecho da música João e Maria onde ela canta acompanhada por Dominguinhos.

Parte 2- depoimentos do escritor Rui Castro, a história sobre a origem do nome Bossa Nova, importância de João Gilberto e Tom Jobim, contém também o áudio da primeira apresentação pública de Nara Leão. O caso de Ronaldo Bôscoli com Maysa, na época ele estava noivo de Nara Leão.


Parte 3-  o fim do noivado de Nara com Ronaldo Bôscoli, o espetáculo "Pobre Menina Rica" estrelado ao lado de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes. A importância de Nara Leão para os compositores de morro que estavam esquecidos como Cartola, Nelson Cavaquinho e Zé Keti e o rompimento da cantora com a Bossa Nova. Além disso fala sobre o espetáculo Opinião, dirigido por Algusto Boal. (Depoimentos do jornalista Sérgio Cabral, Chico Buarque e Ferreira Gullar)

Parte 4- Nara Leão ficou afônica e escolheu Maria Bethânia pra substitui-la no espetáculo Opinião. O poema que Carlos Drummond de Andrade fez dirigido ao ministro do exército pedindo pra não prender Nara Leão. 1966 Nara Leão conhece Chico Buarque e se encanta com as músicas dele. Depoimentos de Zuza Homem de Melo, Manoel Carlos (autor de novelas). Chico Buarque comenta a música que fez especialmente pra Nara Leão cantar. "Com açúcar, com afeto". O casamento de Nara com Cacá Diegues.


Parte 5- A participação de Nara na Tropicália, o nascimento da filha Isabel Diegues na frança, Depoimentos de Isabel e Francisco Diegues sobre as lembranças de infância ao lado de Nara. *Filme Quando o Carnaval Chegar com Nara, Chico, Bethânia e grande elenco. Nara grava com o estreante Raimundo Fagner.


Parte 6-  Nara termina o casamento com Cacá Diegues, entrevista de Nara Leão com Leda Nagle sobre o disco que ela gravou só com músicas de Roberto e Erasmo.

Parte 7- Final. Em 1979 mãe de dois filhos, com 19 discos gravados e com uma carreira estável, Nara foi surpreendida com um tumor cerebral, enfrentou a doença e se tratou, gravou discos e fez shows no exterior, até que chegou numa hora em que não dava mais pra continuar. Nara Leão faleceu no dia 07 de junho de 1989, ao seu lado estava a irmã Danuza e a amiga de sempre Helena.

*Os videos acima são parte integrante do Programa "Por Toda Minha Vida-Nara Leão" pertencentes a Rede Globo.


  Homenagens em 2012
*Cássio Cavalcante, escritor cearense lança a biografia "Nara Leão, a Musa dos Trópicos" confira no vídeo abaixo a entrevista do escritor com a jornalista Mônica Silveira para o "Programa Papo Literário":

"Nara além de musa da Bossa Nova foi uma das principais personagens do Brasil na época em que ela viveu"

A obra, cujo texto da orelha é assinado pelo cineasta Cacá Diegues, ex-marido da cantora, com quem teve dois filhos, é resultado de uma década de pesquisas. Publicado pela Companhia Editora de Pernambuco (688 págs., R$ 50), o livro apresenta aspectos pessoais da vida de Nara. O autor pesquisou revistas, jornais e entrevistou pessoas ligadas à artista para recriar a trajetória da artista. “Nara foi à primeira cantora branca da zona sul carioca a revalorizar o samba do morro, foi à porta-voz dos intelectuais quando se tornou cantora de protesto”, destaca Cássio. 
* A filha de Nara Leão: Isabel Diegues lançou um site com documentos, vídeos, fotos e disponibilizou a discografia completa de Nara para streaming. Visite o site nesse linkSite Oficial de Nara Leão

21 de janeiro de 2012

Nara Leão. Uma cantora de Opinião.



Nara Leão (1942-1989) Foi uma das cantoras mais importantes da Música Popular Brasileira, recebeu o título de musa da bossa nova, o apartamento dos seus pais foi um dos berços da (Bossa Nova)  movimento musical que ganhou o mundo.

Muito mais do que musa da bossa nova, Nara foi a primeira cantora branca da zona sul carioca a revalorizar o samba do morro,  além disso foi à porta voz dos intelectuais quando se tornou cantora de protesto.

Nara lançou artistas como Chico Buarque e Edu Lobo, foi a primeira cantora consagrada que deu apoio ao movimento musical tropicalismo. Também foi a primeira a gravar um disco só de músicas de Roberto e Erasmo Carlos. Ainda foi a primeira artista brasileira a gravar no sistema de compact disc, o CD.


19 de Janeiro de 1942* Nasce em Vitória, capital do Espírito Santo, Nara Lofego Leão.

*1954 Nara ganha do pai o seu primeiro violão e passa a fazer aulas com o músico Patrício teixeira. Nessa época ela estudava no mesmo colégio de Roberto Menescal e, já com 12 anos, o apresentava em disco as novidades do Jazz-americano.

*1956 Nara se matricula na academia de violão de Menescal e Carlos Lyra, na rua Sá Ferreira.

*1957 Durante esse período ocorreram no apartamento de Nara as primeiras reuniões do grupo de jovens músicos que participariam da bossa nova.

*1958 Após contrair uma hepatite, Nara se ausenta do colégio por dois meses. Logo depois desse evento, larga em definitivo os estudos, no segundo científico. Durante breve período, trabalha como secretária de redação e repórter do "Tablóide UH" no Jornal "Última Hora"

*1959 no dia 13 de novembro estréia como cantora no show "Segundo Comando da Operação Bossa Nova", realizado na Escola Naval. Nara cantou "Se é tarde me perdoa" e "Fim de noite".

*1960 Nesse ano, começam a sair as primeiras  notícias na imprensa carioca sobre a Bossa Nova e o grupo de jovens reunidos nos apartamentos da Zona Sul, entre eles o de Nara. Ela participa de uma série de apresentações públicas e privadas, e é destaque com fotos em várias matérias jornalísticas.


A estréia profissional se deu quando, da participação ao lado de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra na comédia Pobre Menina Rica (1963). O título de musa da bossa nova foi a ela creditado pelo cronista Sérgio Porto. Mas a consagração efetiva de Nara na música brasileira ocorre após o golpe militar de 64, com a apresentação do espetáculo Opinião, ao lado de João do Vale e Zé Keti, um espetáculo de crítica social a dura repressão imposta pelo regime militar.

Maria Bethânia, por sua vez a substituiria no ano seguinte, interpretando Carcará, pois Nara precisara se afastar por estar afônica naquele momento.
Nota-se que Nara Leão vai mudando suas preferências musicais ao longo dos anos sessenta, de musa da Bossa Nova, passa a ser cantora de protesto e simpatizante das atividades dos Centros Populares de Cultura da UNE. Embora os CPC's já tivessem sido extintos pela ditadura, em 1964 o espetáculo Opinião tem forte influência do espírito Cpcista

Nara Leão foi uma cantora versátil e que não se acomodou em um estilo, Além de Bossa Nova, Nara também cantou músicas de protesto e samba de compositores que na época estavam esquecidos, como: Cartola, Nelson Cavaquinho e Zé Keti.

Em 1966 interpretou a canção "A Banda" de Chico Buarque no "Festival de música Popular Brasileira" (TV Record), que ganhou o festival e o público brasileiro.

Nara Leão foi uma das primeiras interpretes a gravar Chico Buarque, a canção "Com açúcar, com afeto" foi feita sob encomenda pra Nara Leão. Veja no vídeo abaixo:



O Tropicalismo

Nara também aderiu ao movimento tropicalista, tendo participado do disco-manifesto do movimento: Tropicália ou Panis et Circensis, lançado pela Philips em 1968 e disponível hoje em CD.


Vejam no vídeo abaixo vários trechos de imagens com entrevistas e fatos que marcaram a carreira de Nara Leão. São pequenos recortes mas que ajudam a gente a entender melhor todo o contexto em que a música de Nara se encaixava, tem inclusive uma entrevista com Isabel Diegues, filha de Nara.



Vida pessoal:

Já separada do marido Ruy, de quem não teve filhos, Nara casa-se novamente, dessa vez com o cineasta Cacá Diegues, com quem teve dois filhos: Isabel e Francisco. No fim dos anos 1960, se muda para a Europa com o marido, permanecendo lá por dois anos, tendo morado na França, na cidade de Paris, onde nasceu Isabel, primeira filha do casal.

No começo dos anos 1970, ela volta para o Brasil grávida e nasce na cidade do Rio de Janeiro o segundo filho do casal, Francisco. Nessa época, decide estudar Psicologia na PUC-RJ. Nara planejava abandonar a música mas não chegou a deixar a profissão de cantora, apenas diminuiu o ritmo de trabalho e modificou o estilo dos espetáculos, pois era muito cansativa a vida de uma cantora, já que ela agora era mãe e casada, tinha que se dedicar mais aos filhos e ao marido e a música foi ficando em segundo plano. Apesar de Nara amar cantar, teve que fazer essa difícil escolha.


Confira no vídeo abaixo uma entrevista feita para o programa "MPB Especial" com Nara Leão exibidos no "Radiola" da TV Cultura.


Morte

Morreu na manhã de 7 de junho de 1989, vítima de um tumor cerebral inoperável aos 47 anos de idade. Ela já sabia do tumor, e sofria com esse problema havia dez anos. O tumor estava numa área muito delicada do cérebro, por isso ela não podia ser operada, sentia fortes dores e tonturas, e isso também foi um contribuinte pra ela tentar largar a carreira musical. O último disco foi "My foolish heart, lançado naquele mesmo ano, interpretando versões de clássicos americanos.

Após a morte

Em 2002 seus discos lançados anteriormente em LPs foram relançados em CDs em duas caixas separadas, uma com o período 1964-1975 e a outra 1977-1989, trazendo também faixas-bônus e um livreto sobre sua biografia.

Em 2007, a cantora Fernanda Takai gravou o disco "Onde Brilham os Olhos Seus", onde interpreta canções típicas do repertório de Nara Leão, fazendo assim uma homenagem.

Em 2012
O escritor cearense Cássio Cavalcante lança biografia de Nara Leão em Salvador, veja nesse linkNara Leão, a musa dos trópicos.

 Para comemorar os 70 anos da cantora, Isabel Diegues, lançou um site em homenagem à mãe, na qual disponibiliza sua discografia completa, além de fotos, vídeos, documentos pessoais e fatos marcantes de sua carreira e vida pessoal. Veja o site aquiNara Leão

O site UOL fez um paralelo entre as carreiras de Nara Leão e Elis Regina, que nesse ano está fazendo 30 anos de sua morte, vejam a matéria nesse link: Rivais na música, Elis Regina e Nara Leão compartilham data com homenagens desproporcionais



*"Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim, pra lá deste quintal, era uma noite que não tem mais fim, pois você sumiu do mundo sem me avisar e agora eu era um louco a perguntar, o que é que a vida vai fazer de mim?"
*Trecho da canção "João e Maria" de Chico Buarque.

*"Sua voz quando ela canta, me lembra um pássaro, mas não um pássaro cantando, lembra um pássaro voando" Ferreira Gullar

Acesse também: O Canto Livre de Nara Leão
Fontes consultadas:

Site oficial da cantora Nara Leão: www.naraleao.com.br
Site Wikipédia ( Enciclopédia livre da internet)
*as fotos de Nara Leão foram tiradas do site oficial da cantora.

*Pra quem gosta de pesquisar a fundo a MPB, vale a pena visitar o Site Oficial da Nara Leão e ler as biografias disponíveis no mercado.