9 de setembro de 2012

Marisa Monte. "Nunca Fui Cult"

                                                     Fonte: Revista Bravo/Setembro-2012

Marisa Monte refuta os que a acusam de ceder à sonoridade fácil e se popularizar demais em seu novo disco. "Sempre cantei para muitos", diz a intérprete, que está percorrendo o país com o show "Verdade uma Ilusão"

Em julho, Marisa conversou com BRAVO! por duas horas e meia. Ela própria escolheu o ponto de encontro: o Instituto Moreira Salles, um belíssimo casarão de traços modernistas no Alto da Gávea, Zona Sul do Rio. Preferiu sentar-se ao ar livre, perto da piscina e sob algumas árvores.


 Cinco semanas depois, desembarcaria em Londres para encerrar a Olimpíada, cantando o samba Aquele Abraço e uma ária das Bachianas. Estaria caracterizada de Iemanjá. 

Foto: Ana Paula de Andrade                                                                        

Por Armando Antenore:                                                                      
                                                                                                                    
BRAVO!: Numa reportagem recente, você definiu seu novo álbum como existencialista. Confesso que não entendi. Quais trechos do disco espelhariam ideias de Jean Paul Sartre e outros filósofos que conceituaram o existencialismo?

Marisa Monte: Pensando bem, a palavra mais adequada é "existencial", e não "existencialista". Tentei produzir um CD que reflete sobre a existência, sobre como desfrutar o máximo de nossa passagem pela terra. Afinal, estamos aqui por uma temporada apenas. As canções do álbum, no fundo, pretendem jogar para o público uma indagação: e quando a viagem terminar? E quando você chegar lá na frente? Poderá observar o caminho percorrido e concluir que o aproveitou? sob o coloquialismo e a simplicidade de cada letra, há questões complexas, muito profundas. Já declarei antes e repito agora: "O disco trata do "bem-viver" mais que propriamente do viver. "Hoje eu não saio, não/Não troco meu sofá por nada, meu bem/Hoje eu não saio, não/Não troco meu sofá por nada, meu bem/Hoje eu não saio, não/Não quero ver a multidão", avisa uma das músicas. Outra, a que inspirou o título do CD, convida: "Vai sem direção/Vai ser livre/A tristeza não/Não resiste/Solte os seus cabelos ao vento/Não olhe pra trás/Ouça o barulhinho que o tempo/No seu peito faz/Faça sua dor dançar". Percebe? Meu desejo é sugerir às pessoas que entrem em contato com a instituição, que identifiquem as próprias necessidades e as utilizem como guia durante a jornada, sem se influenciarem unicamente pelas vontades coletivas. 


Os críticos que desgostaram do álbum não enxergam nenhuma profundidade nas canções. Reclamam exatamente do contrário: de que você sucumbiu às fórmulas fáceis, enchendo o disco de mensagens otimistas e banais. 

Não tenho a menor pretensão de criticar a crítica. Eu comento o meu trabalho e assino embaixo. O crítico escreve o texto dele e assina embaixo, pronto, cada um é cada um! A amizade permanece igual. (risos) Construo o que posso, o que julgo mais bacana, com imenso carinho e dedicação. Muitos se arrepiam e me agradecem: "Nossa, que coisa maravilhosa!" E há aqueles que torcem o nariz: "Negócio chato, meu Deus!" Numa boa. Não preciso seduzir a torcida do Flamengo inteira. Encantar alguns já me satisfaz. Na verdade, a opinião do público e da crítica deixou de me surpreender. Aprendi que, quando falam de mim, fãs e desafetos estão falando de si mesmos, do modo como encaram as relações, os problemas, os sonhos. Sirvo apenas de pretexto. 


Você consegue de fato se distanciar?

Completamente, vou levar todo mundo a sério, seja quem me adora, seja quem me odeia!

E você acredita nas mensagens otimistas que canta? Crê realmente que "a tristeza não resiste", por exemplo?

Se nos mantemos em sintonia com nossos sentimentos, se nos conservamos íntegros, aumentam as chances de esbarrarmos na felicidade. Além do mais, o ser humano possui uma capacidade incrível de recuperação. Claro que certas tristezas nos abalam enormemente. Ainda assim, acho possível superá-las, não no sentido de eliminá-las, mas de transformá-las. "Faça sua dor dançar", não é? Ou melhor: compreenda que a dor pode até continuar presente, desde que modificada. Aliás, um verso como: "Faça sua dor dançar" não me parece tão fácil, tão banal. Soa pra você?

Não, não soa. Já outros... "Seja feliz", "Curta a vida"...

Pô, não vale! (risos) Você está citando os versos isoladamente, sem considerar o resto da canção. "Seja feliz/Com seu país/Seja feliz/Sem raiz." Tem umas brincadeiras, uns jogos de palavras, não tem? "Tão largo o céu/Tão largo o mar/Tão curta a vida/Curta a vida." Há duplo sentido, não há? Curtir a vida curta. Existe uma elaboração por trás da simplicidade. 

Existe, mas talvez menor do que em discos anteriores

Será? Suas ideias não correspondem aos fatos. (Cantarola, rindo) Sempre gravei canções de letras muito simples. Pegue meu primeiro disco, MM. Trazia músicas simplíssimas, como o Xote da Meninas. "Ela só quer/Só pensa em namorar" é, por acaso, menos simples do que "Tão curta a vida/Curta a vida"? E Lenda das Sereias, que também integra o primeiro disco? Tem algo mais simples  do que "Ela mora no mar/Ela brinca na areia/No balanço das ondas/A paz ela semeia"? Sabe o que acontece? Há uma confusão imensa entre a minha postura e o meu trabalho. Pauto-me geralmente pela discrição e me exponho na mídia apenas quando necessito divulgar um projeto. Em contrapartida, minha arte nunca abdicou de ser generosa, de ser para todos. Jamais compliquei. Gosto que me compreendam. Logo que apareci, ganhei a pecha de Cult. E o rótulo, curiosamente perdura até hoje. Eu cult?! De forma nenhuma! Nunca fui cult! Desde o início da carreira, costumo atingir muita gente. A crítica diz que faço MPB, certo? Música popular brasileira. Popular! Esperavam o que de mim? que compusesse exclusivamente canções para tocar em piano-bar? Sinto-me tão popular quanto a Paula Fernandes ou qualquer cantor que se ligue à MPB. E desejo, sim, me comunicar com quem escuta a Paula. Qual o problema? É uma ambição condenável? Agora, longe do palco, não assumo atitudes que, de acordo com o senso comum, uma cantora popular deveria assumir. Resultado: Bagunço a cabeça da galera! "Peraí, a Marisa não se comporta como uma cantora popular, mas é uma cantora popular?! Não pode!" (risos) Cara, olha só que lindo!

O que?

Um tucano! Vê o rabinho dele bem ali, em cima daquela palmeira?

Vejo.

Não, você não está vendo! (risos) Levante-se e venha observá-lo. (Concordo em ir.) Viu? Diz que tucanos comem ovos de passarinhos. Por isso, os ornitólogos os detestam.

Você reconhece aves com facilidade?

Não... Mas qualquer um reconhece um tucano, vai! Você já se tocou de que os pássaros são uma espécie de cantores românticos? Sério! Aves cantam o amor. Se o tucano está de olho numa tucana, procura atraí-la de que modo? Pelo canto! (risos) Sobre o que conversávamos mesmo?

Sobre o fato de você buscar a simplicidade como artista

Não busco a simplicidade. Eu sou simples! Trata-se de uma característica minha. Coisas singelas me põem feliz: admirar um tucano, secar o cabelo no sol, fazer um tricozinho, preparar ovo mexido para meus dois filhos, caminhar, bater papo com os amigos. Não necessito de nada muito sofisticado, muito raro, muito incrível. Helicóptero, automóvel do ano, ilha não sei onde, casa de veraneio? para que? Vivo confortavelmente, lógico, mas sem luxos, sem excessos. Não tenho como meta acumular capital. Julgo um privilégio extrair o sustento de uma atividade que oferece beleza e emoção às pessoas. É um dos meus grandes tesouros, uma maneira linda de me colocar no mundo.

Você não precisa nem do sucesso?

Depende de como se entende a palavra. sob a minha ótica, sucesso quer dizer concretização. Significa transformar ideias em realidade. Tome o caso de uma colcha. Basta confeccioná-la, tirá-la da esfera imaginária para ter sucesso. Nesse sentido, óbvio que preciso dele. 

E se ninguém apreciar a colcha?

Paciência. Continuo tendo sucesso. o êxito não se mede pela aprovação alheia ou pelo reconhecimento financeiro. 

Pensa assim por influência da contracultura, dos hippies?

Não, parece que nasci desse jeito. (risos)

Você está com 25 anos de carreira. Quando começou, sonhava chegar tão longe?

Não sonhava nem fazia ideia de quais estratégias abraçar para conquistar o que conquistei. Apenas gostava - e sigo gostando de cantar. Sempre me preocupei, aliás, em cultivar o prazer no trabalho. Hoje, analisando minha trajetória, desconfio que tudo ocorreu como tinha de ser. 

Destino?

Talvez uma combinação de destino e escolhas. Creio que cada um de nós precisa ajudar a sorte. Você pode se flagrar diante de uma predestinação bacana, mas se não tomar as decisões corretas... Desde o princípio, tentei honrar as oportunidades que pintaram. Fui responsável. Jamais me entreguei à preguiça ou à autocomplacência. Nunca aceitei a lei do mínimo esforço: "Ah, vamos produzir um disco meia boca porque ninguém irá perceber". Em resumo: Batalhei à beça. No entanto, apesar de valiosíssima, a carreira não se tornou o principal item de minha vida.

O que você preza mais?

A saúde, tanto a psicológica quanto a física. Doente, não estarei feliz e não conseguirei levar felicidade para ninguém. 

Você cuida muito da saúde?

O suficiente. Não fumo, quase não bebo álcool, zelo pela alimentação e pratico exercícios com frequência. Ioga, alongamento, ginástica localizada, musculação, bicicleta, esteira... já fiz um pouco de tudo. Busco me preservar e não gasto energia à toa, principalmente em turnês. Evito aquele papo de varar a madrugada na farra e acordar exausta para mais uma apresentação. Percebi logo cedo que a estrada pode ser bastante insalubre se o artista confundir o ofício com uma festa eterna. o público de qualquer show está ali porque quer se divertir. Então enche a cara, prolonga a noite e tal. Mas os músicos não deveriam agir de maneira idêntica, já que amanhã terão novo espetáculo e, depois de amanhã, outro. Enfim... Se não virei doidona nas últimas duas décadas, não viro mais. Minha disciplina de atleta impedirá. (risos)

Você é mesmo disciplinada como um atleta?

Tenho personalidade de atleta, cara! Adoro rotina, adoro cotidiano. Nada melhor do que horário para dormir, levantar, almoçar, malhar e dispersar. Invento rotinas até quando me encontro na loucura de uma turnê. Gosto de repetição, de produção em série. Vou citar outra vez o exemplo da colcha. O artesão tece diariamente cada pedacinho dela, cada quadrinho. São milhões de fragmentos e um parece igual ao outro. Só que, no fim da tarefa, aquela porção de quadrinhos semelhantes geral algo inteiramente novo: uma colcha!

Compreendi agora porque o tricô a deixa tão feliz...

O tricô e o artesanato de um modo geral. Preservo o hábito de me dedicar a trabalhos manuais desde a infância. 

Criar filhos também exige obediência à rotina. 

Por isso, me julgo uma excelente mãe. (risos) sou parceira das crianças (um menino de 9 anos e uma garota de 3, frutos de dois casamentos). Brinco sempre com elas, estudo, converso. Uma delícia! Pureza total! Super-refrescante! Depois que a caçula nasceu, decidi fazer terapia na tentativa de refletir um pouco mais sobre educação, maternidade, imposição de limites. E sobre o fato de, às vezes, por causa das viagens  profissionais, me distanciar das crianças.

Sente culpa?

Sinto-me como qualquer mãe que trabalha, uma advogada, uma médica ou a moça que deixa os filhos em casa para cuidar da minha. É uma questão com a qual precisamos lidar. Vou mostrando às crianças que meu afastamento momentâneo as torna mais independentes, mais maduras. 

E os 45 anos, estão pesando?

Nem um pouco! Considero a velhice o preço justo que pagamos pela vida. O Correr do relógio não me atormenta. Mesmo porque ninguém fica velho de repente. O negócio vai acontecendo devagarzinho. Dá tempo de a gente se acostumar. 
Fonte: Revista Bravo/Setembro/2012. 




Ao fazer um intercâmbio entre os estilos musicais, Marisa Monte segue há mais de duas décadas aclamada por uma legião de fãs. Confira essa matéria no site da Revista BRAVO!


                                          Foto: Don Munro e Dora Jobim  

Maria Rita: 35 anos de vida.



Há 9 anos, Maria Rita surgia no cenário musical brasileiro e mundial, com seu primeiro CD Maria Rita. Lançado em 2003, o álbum vendeu mais de 1 milhão de cópias, sendo certificado como platina tripla e conquistando 3 Grammys Latinos para a cantora, nas categorias “Melhor Álbum de MPB”, “Melhor Canção Brasileira” – com A Festa, de Milton Nascimento, e “Artista Revelação”.

O DVD de mesmo nome vendeu mais de 180 mil cópias, certificando-se como DVD de diamante e alcançando uma marca expressiva em meio a toda crise no mercado fonográfico decorrente da pirataria. Porém estes não foram os primeiros prêmios da cantora que conquistou o país. Em 2002, antes de lançar seu primeiro disco, Maria Rita foi vencedora do Prêmio APCA como Revelação do Ano, e conquistou um Grammy Latino com a gravação de Tristesse, no disco Pietá, de Milton Nascimento.



Desde essa época o sucesso de Maria Rita só aumentou. As semelhanças genéticas com a mãe, Elis Regina, tão marcantes e características não abalaram a carreira da filha. Em 2005, após o grande sucesso da turnê com o primeiro CD, Maria Rita lança Segundo, álbum que lhe conferiu mais dois prêmios Grammy: “Melhor Álbum de MPB” e “Melhor Canção Brasileira” – com Caminho das Águas, de Rodrigo Maranhão. Neste álbum, a cantora priorizou a sensibilidade da alma, enfatizando-a em várias interpretações. Percorreu o país e lotou várias casas de shows na Europa e nos Estados Unidos, emocionando o público por onde passou.

Maria Rita, após flertar com o samba em seus dois primeiros álbuns, dedicou um CD inteiro ao ritmo que alegra o Brasil. Em 2007 lançou Samba Meu, contagiando a população com a música “Tá Perdoado”, trilha sonora da novela Duas Caras. Com mais de 190 mil discos vendidos e um sucesso expressivo por onde o show passava, a menina da lua lançou o DVD Samba Meu em 2008, conquistando o DVD de ouro e mais um Grammy, desta vez na categoria “Melhor Álbum de Samba”.
Em 2010, MR encerra a turnê Samba Meu e viaja pela Europa com uma turnê “sem nome”, onde cantou antigos hits e músicas inéditas em sua voz. A turnê fez sucesso em todos os lugares por onde passou, inflamando o coração dos fãs que pediram (muito!) por um álbum com gravações de "A História de Lily Braun" e "Nem Um Dia". E assim, um ano após o início da turnê, Maria Rita grava o CD Elo, com 8 regravações de sucessos da MPB  e 3 músicas inéditas. Este último foi recentemente certificado como disco de Platina pela ABPD. No mesmo ano, Maria Rita participou da gravação da música Latinoamerica, dos porto-riquenhos do Calle 13. A gravação conta com as participações monumentais de Toto La Momposina (cantora folclórica colombiana), Susana Baca (cantora de ritmos afroperuanos) e Maria Rita. A música conquistou o prêmio de Gravação do Ano no Grammy Latino 2011.
E, em 2012, 30 anos após a morte de sua mãe, Elis Regina, a filha iniciou o maior desafio musical de sua carreira (e, quem sabe, de sua vida): cantar as músicas que fizeram sucesso na maior voz da história da música brasileira, em 5 shows patrocinados pelo projeto Viva Elis, da empresa Nivea. Com shows em 5 capitais (Porto Alegre, Recife, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro) e um público total de mais de 200 mil pessoas, a turnê conquistou os corações brasileiros, recebendo inúmeros convites para ser apresentada em diferentes regiões do país. Maria Rita assinou contrato com a gravadora Universal, e a turnê com músicas de Elis foi batizada de “Redescobrir”, e atualmente percorre todo o território nacional, sendo gravada em CD, DVD e Blu-Ray, a serem lançados em novembro deste ano.

Assim, com 35 anos de vida e 10 anos de carreira, Maria Rita é conhecida por sua voz e sucesso marcantes, sendo considerada como uma das maiores cantoras da música brasileira contemporânea. Suas canções são temas de novela e minisséries brasileiras (A Casa das Sete Mulheres, Senhora do Destino, Belíssima, Amazônia, Duas Caras, Tempos Modernos, Insensato Coração e Avenida Brasil) e do filme O Ladrão de Diamantes, estrelado pelo ator Pierce Brosnan. Seus shows são sempre lotados e, apesar das comparações com a cantora Elis Regina, Maria Rita provou que é uma das melhores intérpretes de sua geração, com talento e brilho próprios.







A essa cantora e pessoa dedicamos nossos parabéns e nossos melhores votos de felicidade e sucesso. Parabéns!, Maria Rita, por seu aniversário, sua história, seus prêmios, sua simpatia, simplicidade e seu carisma! Que você continue sempre arrebatando nossos corações com essa voz que embala as nossas trajetórias. Um beijo enorme de seus fãs e, como você sempre diz, PAZ SEMPRE!

8 de setembro de 2012

Tulipa Ruiz em Movimento.


                                Foto: Eduardo Gabriel/Focka   

                         Tulipa Ruiz/Auditório Ibirapuera/SP. 07/09/2012


"Pode ser e É". O sucesso não é mais apenas um sonho distante de Tulipa. Ela não é só mais uma aposta. A prova disso foi um Auditório Ibirapuera lotado, com os ingressos esgotados há vários dias antes da estreia. Tulipa lançou seu mais novo álbum: "Tudo Tanto".

O CD é o segundo na carreira da cantora. Logo no começo do show, ela pára e diz: "Antes eu tinha 11 músicas. Agora, eu tenho 22! Olha que chique!"
O lançamento dessas 11 novas composições poderia ser um desafio imenso na carreira da cantora, porque superar o tão elogiado primeiro álbum, Efêmera (2010), parecia ser uma tarefa difícil. Mas não foi. Na verdade, Tulipa surpreendeu mais ainda, trazendo um disco muito mais maduro e impecável, em todos os sentidos, seja nas composições ou no projeto como um todo, que conta com a parceria do selo Natura Musical, um grande incentivador de novos projetos. 
                                               O Show:
Tulipa começou o espetáculo como deveria ser, com a primeira música divulgada na web, o simpático hit "É". Incrível foi ver que boa parte  da platéia já sabia a letra de cor, mesmo em tão pouco tempo. Depois seguiram algumas outras composições do novo CD, como "OK" e "Script".

Na sequencia, ela começou a intercalar músicas do álbum antigo. E é aí que a popularidade do Efêmera entra em cena no Tudo Tanto. Um dos momentos mais lindos da noite foi ver a platéia cantando  a faixa "Do Amor" inteira, sozinha. "O meu amor sai de trem por aí e vai vagando devagar para ver quem chegou".E assim seguiu a noite de Tulipa. Um mix entre os dois discos.

Durante o show, surgiram coisas inesperadas, como a "vinheta marota", que a banda inventou na hora, enquanto Tulipa agradecia a todos que faziam parte do projeto. Foram várias citações. E não poderia ser diferente, já que o Tudo Tanto é fruto de diversas parcerias. Tem a participação do Criolo em "Víbora" e do Lulu Santos em "Dois Cafés", por exemplo.


          "Dois Cafés", música do novo álbum de Tulipa Ruiz, inspira ilustração do "Tiro de Letras"

E apesar de o lançamento do Tudo Tanto ser ainda tão recente, muitas pessoas já sabiam todas as letras. Com certeza isso é devido ao fácil acesso do público ao trabalho (o álbum está disponível no site oficial da cantora). Mesmo em parceria com o Natura Musical, Tulipa mostra que objetivo de facilitar a exposição de seu trabalho continua o mesmo de quando era independente.

E assim o show continuava, com a incrível performace da cantora em todas as músicas. Mas o melhor fica sempre pro final, né? Tulipa entra pelo fundo do palco séria e muda. Então começa a cantar a quase-ópera "Víbora" e toda  a platéia, que antes dançava animada ao som pop das outras faixas, fica paralisada. Dava pra ler no rosto das pessoas: "Como essa mulher consegue fazer isso?". Podem até dizer que o tom agudo de Tulipa é tão raro que só poderia ser comparado ao de Gal Costa. Não seria exagero.

No fim, quebrando com o clima sóbrio, surge a voz de Tulipa atrás do palco: "Por favor, não saiam de seus lugares!". E então ela volta e repete a canção "É". Só que dessa vez, ela desce do palco e segue cantando entre a plateia. Debochada, até coloca o microfone na boca das pessoas e faz elas participarem. Todo mundo cantando "pelo nosso amor em movimento/ pode ser e é"!

 Depois, ela volta ao palco, agradece e vai embora. Mas a emoção fica. E todos saem do incrível Auditório Ibirapuera felizes por terem acompanhado a consagração de, não mais uma promessa, mas sim uma certeza de sucesso da música brasileira. Vejam as fotos do show, no site do Natura Musical



A banda base de Tulipa é formada por Marcio Arantes (baixo), Caio Lopes (bateria), Gustavo Ruiz (guitarra, baixo e violão) e Luiz Chagas (guitarra). O grupo, que acompanha a cantora em suas enérgicas apresentações ao vivo, toca na maioria das faixas de Tudo Tanto. Está também no CD e no show Juliana Perdigão tocando clarone, clarinete e flauta. 

31 de agosto de 2012

Zizi Possi e Mônica Salmaso cantam Chico Buarque

Donas de timbres opostamente complementares, Zizi Possi e Mônica Salmaso dividem o palco para homenagear o compositor brasileiro, Chico Buarque de Holanda. 



                                        [FOTO DIVULGAÇÃO]



O espetáculo teve como cenário a casa de shows Skyline Hall, em Aplphaville – SP, no dia 25 de agosto de 2012. Porém, o mesmo show já foi apreciado em primeira mão pelos baianos, no Teatro Castro Alves, em janeiro deste ano.

De gerações diferentes da música brasileira, Mônica e Zizi têm em comum a qualidade vocal elogiada por músicos e pela crítica especializada. Além de ambas serem devotas ao cancioneiro da MPB, dando vida a todas as letras que interpretam.

O homenageado, Chico Buarque, faz-se bastante presente na história musical tanto de Mônica, quanto de Zizi. É autor de um dos primeiros sucessos de Zizi Possi: Pedaço de Mim, gravada ao lado do compositor para a peça "Ópera do Malandro" em 1978. Mônica, por sua vez, tem sua carreira marcada por canções como A história de Lily Braun, além de ter gravado um CD dedicado integralmente a Chico, em 2007, intitulado Noites de Gala, Samba de Rua. 

Com um canto excepcional, em que a técnica e a emoção estão a serviço do que há de melhor na música brasileira, Mônica abre o show e interpreta brilhantemente canções como Beatriz, A história de Lily Braun, A violeira, Ciranda da bailarina, entre outras, de maneira a segurar a atenção do público, emocioná-lo e conquistar eufóricos aplausos. 



                          



A segunda parte do espetáculo é representada por Zizi e seus músicos, os quais compartilham técnica e emoção da maneira mais fascinante que os olhos e ouvidos dos presentes já puderam ver e ouvir. 

Sua parte é costurada por um repertório que segue em: De todas as maneiras, Valsa Brasileira, Eu te amo, Sobre todas as coisas, O circo místico, Pedaço de mim, Morena dos olhos d’água, Carolina e Lábia.


 




A terceira parte, talvez a mais bela e completa, é o momento no qual as duas dividem o palco para interpretar Sem Fantasia, Tanta Saudade e A banda. 
Bela pela sintonia. Completa pelo contraste vocal. Impecáveis!






A ativa participação do público é presenteada com o Bis, no qual as cantoras fazem juntas a canção: A noite dos mascarados. Ainda em êxtase, a plateia pede mais e é atendida com simpatia e tem o prazer de apreciar novamente Sem fantasia e A banda. 



                             [FOTO: ROSANE PALISSARI]




Merecida homenagem ao mestre Chico Buarque, que se fez sentir para além da alma aconchegado na voz de duas grandes cantoras. Quem esteve presente, já pode afirmar que conhece bem o significado da plenitude musical. 


Seguem algumas fotos amadoras registradas por quem vos escreve: 
























29 de agosto de 2012

"Amorágio" Novo álbum de Ivan Lins se destaca pela diversidade rítmica.



"AMORÁGIO", NOVO DISCO DE IVAN LINS, MOSTRA AS VÁRIAS FACES DO COMPOSITOR BRASILEIRO VIVO MAIS GRAVADO EM TODO O MUNDO. 
 Por Erika Breno:
"Amorágio" canta o princípio e o fim de tudo: o amor. O disco, lançado no mês de julho, apresenta uma gama de diferentes diversidades rítmicas: xote, balada, samba, fado, rap, sertanejo sem deixar de lado todo o jazz man que é Ivan Lins e, conta com as participações especiais de: Antonio Zambujo (cantautor português), Maria Gadú, Pedro Luis, Rafael Alterio e Tatiana Parra.

Compositor compulsivo declarado é o compositor brasileiro vivo mais gravado em todo o mundo, Ivan Lins escolheu importantes e competentes nomes para fazerem parte de "Amorágio".

Para a produção musical, Rodrigo Vidal. Nas composições: Vitor Martins, Claudio Lins, Ivano Fossatti, Gilson Peranzetta, Chico Buarque e Osny Mello.
Ivan além de cantar, toca piano acústico, rhodes e clavinete. Os instrumentistas que percorrem todo o disco: Neymar Dias (viola caipira, baixo elétrico e acústico);Leonardo Amuedo (guitarra e violões); André Vasconcelos, Dunga e David Finck (baixo); Téo Lima, Gabriel Alterio e Cesinha (bateria); Fernando Caneca, Luiz Ribeiro, Pedro Alterio (violão); Jacques Morelenbaum (cello); Marco Brito (rhodes, clavinete, piano acústico e teclado); Armando Marçal, Marco Lobo, Esguleba e Jaguara (percussão); Marcos Nimrichter (acordeon); Marcelinho Martins (sax e flauta); Jessé Filho (trompete e fluggel); Vittor Santos (trombone). 

Nas palavras de Ivan, "Amorágio": "Amorágio", basicamente fala das diversas formas de amor, "nesses tempos de ensandecer", nesses tempos onde tanto a cleptocracia brasileira, quanto a incompetência e ignorância valorizadas, quanto as distorções da alma, tais como o ódio, a raiva, o rancor, a inveja e a intolerância navegam sem rumo por esse planeta. Ainda assim o amor sobrevive, mesmo que "depois de alçar o trono do esplendor, entregue a própria pele ao caçador". Voilá! "

A faixa que intitula o CD tem a participação da cantora Tatiana Parra. A melodia foi composta a partir de uma pequena sequência harmônica de Osny Mello - músico e compositor paulista - e de um poema de Salgado Maranhão que Ivan musicou tornando-se uma balada jazzística com harmonia refinada.

Destaque para "Carrossel de bate-coxa", um xote em homenagem ao dançarino Carlinhos de Jesus, com letra divertida e engraçada de Claudio Lins, artista cada vez mais completo e competente e que para Ivan Lins, que mesmo pai é crítico e exigente afirma: "! anda escrevendo cada dia melhor. ".

"Quero falar de amor" é inédita e "miltoniana" (inspirada em Milton Nascimento), com melodia composta por volta dos anos dois mil por Ivan e o cantautor italiano Ivano Fossati Ganhou letra de Vitor Martins no ano passado. "X no calendário" mostra a contemporaneidade do cidadão brasileiro e carioca Ivan Lins remetendo um pouco às canções engajadas da década de setenta que protestavam o sistema político da época. Música originalmente composta para a vitória de Luiza Erundina no ano de mil novecentos e oitenta e oito, Foi "atualizada" por Vitor Martins" no que tange os movimentos de pacificação social urbanos e que tem um rap de Pedro Luis.

“Amor, Fogo que desata os novelos da vontade Ignora o bem, desdenha da verdade, Ponte-aérea do Éden à insanidade, amor”"Atrás poeira" repete a bem sucedida e histórica parceria com Vitor Martins. Mostra o lado caipira de Ivan e que poucos, infelizmente, conhecem. Ao lado do incrível Rafael Alterio com sua voz que enche nossa alma de coisa boa, a dupla "Fioravante & Guimarães" (respectivamente os sobrenomes de Rafael e Ivan) deixa à todos um gostinho de quero mais do que é a verdadeira música sertaneja.

E ainda há: "Roda Baiana" (lindo arranjo do saxofonista Marcelo Martins), "Quem me dera" (participação de Maria Gadu - “Resta os sonhos que eu teimo em sonhar”), "Fado Saramago" (a partir de um poema erótico de José Saramago e participação de Antonio Zambujo), "E isso acontece" (letra de Ivan Lins), "Olhos pra te ver" (valsa sertaneja com letra de Ivan com sonoridade quase toda acústica, singela e no clima interiorano e caipira) e "Sou eu" (com letra de Chico Buarque).

"Amorágio" são onze faixas que cantam diversos amores e diversos Ivan's que o nosso país, quiçá o mundo ainda tem muito o que descobrir, conhecer e deleitar-se. 
Confira a faixa "Quem me dera" participação especial de Maria Gadú:



Clique na foto abaixo para ver a lista com as músicas presentes nesse álbum:

Postagem assinada por Erika Breno.