8 de setembro de 2012

Tulipa Ruiz em Movimento.


                                Foto: Eduardo Gabriel/Focka   

                         Tulipa Ruiz/Auditório Ibirapuera/SP. 07/09/2012


"Pode ser e É". O sucesso não é mais apenas um sonho distante de Tulipa. Ela não é só mais uma aposta. A prova disso foi um Auditório Ibirapuera lotado, com os ingressos esgotados há vários dias antes da estreia. Tulipa lançou seu mais novo álbum: "Tudo Tanto".

O CD é o segundo na carreira da cantora. Logo no começo do show, ela pára e diz: "Antes eu tinha 11 músicas. Agora, eu tenho 22! Olha que chique!"
O lançamento dessas 11 novas composições poderia ser um desafio imenso na carreira da cantora, porque superar o tão elogiado primeiro álbum, Efêmera (2010), parecia ser uma tarefa difícil. Mas não foi. Na verdade, Tulipa surpreendeu mais ainda, trazendo um disco muito mais maduro e impecável, em todos os sentidos, seja nas composições ou no projeto como um todo, que conta com a parceria do selo Natura Musical, um grande incentivador de novos projetos. 
                                               O Show:
Tulipa começou o espetáculo como deveria ser, com a primeira música divulgada na web, o simpático hit "É". Incrível foi ver que boa parte  da platéia já sabia a letra de cor, mesmo em tão pouco tempo. Depois seguiram algumas outras composições do novo CD, como "OK" e "Script".

Na sequencia, ela começou a intercalar músicas do álbum antigo. E é aí que a popularidade do Efêmera entra em cena no Tudo Tanto. Um dos momentos mais lindos da noite foi ver a platéia cantando  a faixa "Do Amor" inteira, sozinha. "O meu amor sai de trem por aí e vai vagando devagar para ver quem chegou".E assim seguiu a noite de Tulipa. Um mix entre os dois discos.

Durante o show, surgiram coisas inesperadas, como a "vinheta marota", que a banda inventou na hora, enquanto Tulipa agradecia a todos que faziam parte do projeto. Foram várias citações. E não poderia ser diferente, já que o Tudo Tanto é fruto de diversas parcerias. Tem a participação do Criolo em "Víbora" e do Lulu Santos em "Dois Cafés", por exemplo.


          "Dois Cafés", música do novo álbum de Tulipa Ruiz, inspira ilustração do "Tiro de Letras"

E apesar de o lançamento do Tudo Tanto ser ainda tão recente, muitas pessoas já sabiam todas as letras. Com certeza isso é devido ao fácil acesso do público ao trabalho (o álbum está disponível no site oficial da cantora). Mesmo em parceria com o Natura Musical, Tulipa mostra que objetivo de facilitar a exposição de seu trabalho continua o mesmo de quando era independente.

E assim o show continuava, com a incrível performace da cantora em todas as músicas. Mas o melhor fica sempre pro final, né? Tulipa entra pelo fundo do palco séria e muda. Então começa a cantar a quase-ópera "Víbora" e toda  a platéia, que antes dançava animada ao som pop das outras faixas, fica paralisada. Dava pra ler no rosto das pessoas: "Como essa mulher consegue fazer isso?". Podem até dizer que o tom agudo de Tulipa é tão raro que só poderia ser comparado ao de Gal Costa. Não seria exagero.

No fim, quebrando com o clima sóbrio, surge a voz de Tulipa atrás do palco: "Por favor, não saiam de seus lugares!". E então ela volta e repete a canção "É". Só que dessa vez, ela desce do palco e segue cantando entre a plateia. Debochada, até coloca o microfone na boca das pessoas e faz elas participarem. Todo mundo cantando "pelo nosso amor em movimento/ pode ser e é"!

 Depois, ela volta ao palco, agradece e vai embora. Mas a emoção fica. E todos saem do incrível Auditório Ibirapuera felizes por terem acompanhado a consagração de, não mais uma promessa, mas sim uma certeza de sucesso da música brasileira. Vejam as fotos do show, no site do Natura Musical



A banda base de Tulipa é formada por Marcio Arantes (baixo), Caio Lopes (bateria), Gustavo Ruiz (guitarra, baixo e violão) e Luiz Chagas (guitarra). O grupo, que acompanha a cantora em suas enérgicas apresentações ao vivo, toca na maioria das faixas de Tudo Tanto. Está também no CD e no show Juliana Perdigão tocando clarone, clarinete e flauta. 

31 de agosto de 2012

Zizi Possi e Mônica Salmaso cantam Chico Buarque

Donas de timbres opostamente complementares, Zizi Possi e Mônica Salmaso dividem o palco para homenagear o compositor brasileiro, Chico Buarque de Holanda. 



                                        [FOTO DIVULGAÇÃO]



O espetáculo teve como cenário a casa de shows Skyline Hall, em Aplphaville – SP, no dia 25 de agosto de 2012. Porém, o mesmo show já foi apreciado em primeira mão pelos baianos, no Teatro Castro Alves, em janeiro deste ano.

De gerações diferentes da música brasileira, Mônica e Zizi têm em comum a qualidade vocal elogiada por músicos e pela crítica especializada. Além de ambas serem devotas ao cancioneiro da MPB, dando vida a todas as letras que interpretam.

O homenageado, Chico Buarque, faz-se bastante presente na história musical tanto de Mônica, quanto de Zizi. É autor de um dos primeiros sucessos de Zizi Possi: Pedaço de Mim, gravada ao lado do compositor para a peça "Ópera do Malandro" em 1978. Mônica, por sua vez, tem sua carreira marcada por canções como A história de Lily Braun, além de ter gravado um CD dedicado integralmente a Chico, em 2007, intitulado Noites de Gala, Samba de Rua. 

Com um canto excepcional, em que a técnica e a emoção estão a serviço do que há de melhor na música brasileira, Mônica abre o show e interpreta brilhantemente canções como Beatriz, A história de Lily Braun, A violeira, Ciranda da bailarina, entre outras, de maneira a segurar a atenção do público, emocioná-lo e conquistar eufóricos aplausos. 



                          



A segunda parte do espetáculo é representada por Zizi e seus músicos, os quais compartilham técnica e emoção da maneira mais fascinante que os olhos e ouvidos dos presentes já puderam ver e ouvir. 

Sua parte é costurada por um repertório que segue em: De todas as maneiras, Valsa Brasileira, Eu te amo, Sobre todas as coisas, O circo místico, Pedaço de mim, Morena dos olhos d’água, Carolina e Lábia.


 




A terceira parte, talvez a mais bela e completa, é o momento no qual as duas dividem o palco para interpretar Sem Fantasia, Tanta Saudade e A banda. 
Bela pela sintonia. Completa pelo contraste vocal. Impecáveis!






A ativa participação do público é presenteada com o Bis, no qual as cantoras fazem juntas a canção: A noite dos mascarados. Ainda em êxtase, a plateia pede mais e é atendida com simpatia e tem o prazer de apreciar novamente Sem fantasia e A banda. 



                             [FOTO: ROSANE PALISSARI]




Merecida homenagem ao mestre Chico Buarque, que se fez sentir para além da alma aconchegado na voz de duas grandes cantoras. Quem esteve presente, já pode afirmar que conhece bem o significado da plenitude musical. 


Seguem algumas fotos amadoras registradas por quem vos escreve: 
























29 de agosto de 2012

"Amorágio" Novo álbum de Ivan Lins se destaca pela diversidade rítmica.



"AMORÁGIO", NOVO DISCO DE IVAN LINS, MOSTRA AS VÁRIAS FACES DO COMPOSITOR BRASILEIRO VIVO MAIS GRAVADO EM TODO O MUNDO. 
 Por Erika Breno:
"Amorágio" canta o princípio e o fim de tudo: o amor. O disco, lançado no mês de julho, apresenta uma gama de diferentes diversidades rítmicas: xote, balada, samba, fado, rap, sertanejo sem deixar de lado todo o jazz man que é Ivan Lins e, conta com as participações especiais de: Antonio Zambujo (cantautor português), Maria Gadú, Pedro Luis, Rafael Alterio e Tatiana Parra.

Compositor compulsivo declarado é o compositor brasileiro vivo mais gravado em todo o mundo, Ivan Lins escolheu importantes e competentes nomes para fazerem parte de "Amorágio".

Para a produção musical, Rodrigo Vidal. Nas composições: Vitor Martins, Claudio Lins, Ivano Fossatti, Gilson Peranzetta, Chico Buarque e Osny Mello.
Ivan além de cantar, toca piano acústico, rhodes e clavinete. Os instrumentistas que percorrem todo o disco: Neymar Dias (viola caipira, baixo elétrico e acústico);Leonardo Amuedo (guitarra e violões); André Vasconcelos, Dunga e David Finck (baixo); Téo Lima, Gabriel Alterio e Cesinha (bateria); Fernando Caneca, Luiz Ribeiro, Pedro Alterio (violão); Jacques Morelenbaum (cello); Marco Brito (rhodes, clavinete, piano acústico e teclado); Armando Marçal, Marco Lobo, Esguleba e Jaguara (percussão); Marcos Nimrichter (acordeon); Marcelinho Martins (sax e flauta); Jessé Filho (trompete e fluggel); Vittor Santos (trombone). 

Nas palavras de Ivan, "Amorágio": "Amorágio", basicamente fala das diversas formas de amor, "nesses tempos de ensandecer", nesses tempos onde tanto a cleptocracia brasileira, quanto a incompetência e ignorância valorizadas, quanto as distorções da alma, tais como o ódio, a raiva, o rancor, a inveja e a intolerância navegam sem rumo por esse planeta. Ainda assim o amor sobrevive, mesmo que "depois de alçar o trono do esplendor, entregue a própria pele ao caçador". Voilá! "

A faixa que intitula o CD tem a participação da cantora Tatiana Parra. A melodia foi composta a partir de uma pequena sequência harmônica de Osny Mello - músico e compositor paulista - e de um poema de Salgado Maranhão que Ivan musicou tornando-se uma balada jazzística com harmonia refinada.

Destaque para "Carrossel de bate-coxa", um xote em homenagem ao dançarino Carlinhos de Jesus, com letra divertida e engraçada de Claudio Lins, artista cada vez mais completo e competente e que para Ivan Lins, que mesmo pai é crítico e exigente afirma: "! anda escrevendo cada dia melhor. ".

"Quero falar de amor" é inédita e "miltoniana" (inspirada em Milton Nascimento), com melodia composta por volta dos anos dois mil por Ivan e o cantautor italiano Ivano Fossati Ganhou letra de Vitor Martins no ano passado. "X no calendário" mostra a contemporaneidade do cidadão brasileiro e carioca Ivan Lins remetendo um pouco às canções engajadas da década de setenta que protestavam o sistema político da época. Música originalmente composta para a vitória de Luiza Erundina no ano de mil novecentos e oitenta e oito, Foi "atualizada" por Vitor Martins" no que tange os movimentos de pacificação social urbanos e que tem um rap de Pedro Luis.

“Amor, Fogo que desata os novelos da vontade Ignora o bem, desdenha da verdade, Ponte-aérea do Éden à insanidade, amor”"Atrás poeira" repete a bem sucedida e histórica parceria com Vitor Martins. Mostra o lado caipira de Ivan e que poucos, infelizmente, conhecem. Ao lado do incrível Rafael Alterio com sua voz que enche nossa alma de coisa boa, a dupla "Fioravante & Guimarães" (respectivamente os sobrenomes de Rafael e Ivan) deixa à todos um gostinho de quero mais do que é a verdadeira música sertaneja.

E ainda há: "Roda Baiana" (lindo arranjo do saxofonista Marcelo Martins), "Quem me dera" (participação de Maria Gadu - “Resta os sonhos que eu teimo em sonhar”), "Fado Saramago" (a partir de um poema erótico de José Saramago e participação de Antonio Zambujo), "E isso acontece" (letra de Ivan Lins), "Olhos pra te ver" (valsa sertaneja com letra de Ivan com sonoridade quase toda acústica, singela e no clima interiorano e caipira) e "Sou eu" (com letra de Chico Buarque).

"Amorágio" são onze faixas que cantam diversos amores e diversos Ivan's que o nosso país, quiçá o mundo ainda tem muito o que descobrir, conhecer e deleitar-se. 
Confira a faixa "Quem me dera" participação especial de Maria Gadú:



Clique na foto abaixo para ver a lista com as músicas presentes nesse álbum:

Postagem assinada por Erika Breno.

25 de agosto de 2012

"Gonzaga - De Pai Para Filho" A trajetória do Rei do Baião

                                         
No ano que comemoramos o centenário de Luiz Gonzaga, a obra do artista ganha as telas com o filme "Gonzaga - de pai para filho", dirigido por Breno Silveira (2 filhos de Francisco), o filme tem previsão para estrear no cinema no dia 26 de outubro.


A trama conta a história da relação entre Luiz Gonzaga e seu filho Gonzaguinha, mostrando todas as diferenças que ambos tiveram ao longo de suas vidas. O trailer exibe cenas marcantes, como por exemplo: Gonzaguinha apanhando da polícia, as humilhações que Luiz Gonzaga sofreu antes de se tornar o rei do baião e o caso de amor impossível na adolescência do sanfoneiro. 
       
            
                Confira o trailer oficial do filme "Gonzaga de Pai para Filho":





Interpretando Luiz Gonzaga na fase adulta temos o estreante Nivaldo Expedito de Carvalho, sanfoneiro popularmente conhecido como Chambinho do Acordeon. Nivaldo teve que participar de laboratórios de atuação por seis meses e emagrecer dez quilos para interpretar o Gonzagão.

Completando o elenco principal temos o ator Julio Andrade, que será Gonzaguinha e Nanda Costa, que será a cantora e dançarina Odaléia Guedes dos Santos, mãe de Gonzaguinha. O filme teve locações em Juazeiro, no estado da Bahia, em Araruama, no estado do Rio de Janeiro, em Exu, cidade natal de Luiz Gonzaga localizada no interior de Pernambuco e também nos arredores da Serra do Araripe e em Recife.



O filme possui uma página no Facebook, basta Curtir! pra você ficar por dentro das novidades.
Fontes consultadas: Blog Diário do Nordeste, Jornal do Commercio

23 de agosto de 2012

Tudo se transformou: o novo projeto de Zizi Possi


Dois anos após o bem sucedido lançamento do duplo "Cantos & Contos", Zizi Possi volta ao Tom Jazz para seu mais novo projeto ao vivo: "Tudo se transformou", acompanhada por seus  músicos:

Jether Garotti Jr. (piano e clarineta)




 Kecco Brandão (teclados)




Webster Santos (violão e cordas)





 Guello (percussão)





Além da especialíssima participação de sua filha e também cantora, Luiza Possi. 













Além de ser título do samba de Paulinho da Viola ,  Zizi acrescenta que o nome escolhido para o projeto tem a ver com o conteúdo do show e da maneira com a qual ela canta. 

Os shows aconteceram no último fim de semana  (17, 18 e 18 de agosto) no cenário aconchegante e familiar sobre o palco do Tom Jazz. 


Seu repertório embala desde clássicos com ritmos mais lentos, até sambinhas animados. [Vide foto]




O projeto acrescentou algumas  músicas já cantadas, porém nunca gravadas na voz da cantora, que ainda surpreendeu o público com a inédita e deliciosa "O vento", de Necka Ayala

“Ela é uma grande poeta, de uma sensibilidade incrível. Hoje em dia eu sinto falta de poesia na música, parece que isso acabou”, diz Zizi, à Revista Época, sobre a compositora de "No vento". 

[Confira a música no vídeo abaixo]








Acredita-se que a aposta pelo repertório se concretizou devido a reação positiva do público no show realizado em fevereiro de 2012, no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros, na capital de São Paulo. 

Ainda sem muitos detalhes, cabe-nos esperar pelo lançamento para melhor destilação do trabalho, que com certeza, será um sucesso. Afinal, toda nota que corre pela doce voz de Zizi Possi, torna-se mais bela e valiosa. 


Seguem alguns registros fotográficos capturados delicadamente por ninguém menos que Necka Ayala, a autora de "No vento", que provou que seu talento artístico vai além da composição musical.