21 de janeiro de 2012

Nara Leão. Uma cantora de Opinião.



Nara Leão (1942-1989) Foi uma das cantoras mais importantes da Música Popular Brasileira, recebeu o título de musa da bossa nova, o apartamento dos seus pais foi um dos berços da (Bossa Nova)  movimento musical que ganhou o mundo.

Muito mais do que musa da bossa nova, Nara foi a primeira cantora branca da zona sul carioca a revalorizar o samba do morro,  além disso foi à porta voz dos intelectuais quando se tornou cantora de protesto.

Nara lançou artistas como Chico Buarque e Edu Lobo, foi a primeira cantora consagrada que deu apoio ao movimento musical tropicalismo. Também foi a primeira a gravar um disco só de músicas de Roberto e Erasmo Carlos. Ainda foi a primeira artista brasileira a gravar no sistema de compact disc, o CD.


19 de Janeiro de 1942* Nasce em Vitória, capital do Espírito Santo, Nara Lofego Leão.

*1954 Nara ganha do pai o seu primeiro violão e passa a fazer aulas com o músico Patrício teixeira. Nessa época ela estudava no mesmo colégio de Roberto Menescal e, já com 12 anos, o apresentava em disco as novidades do Jazz-americano.

*1956 Nara se matricula na academia de violão de Menescal e Carlos Lyra, na rua Sá Ferreira.

*1957 Durante esse período ocorreram no apartamento de Nara as primeiras reuniões do grupo de jovens músicos que participariam da bossa nova.

*1958 Após contrair uma hepatite, Nara se ausenta do colégio por dois meses. Logo depois desse evento, larga em definitivo os estudos, no segundo científico. Durante breve período, trabalha como secretária de redação e repórter do "Tablóide UH" no Jornal "Última Hora"

*1959 no dia 13 de novembro estréia como cantora no show "Segundo Comando da Operação Bossa Nova", realizado na Escola Naval. Nara cantou "Se é tarde me perdoa" e "Fim de noite".

*1960 Nesse ano, começam a sair as primeiras  notícias na imprensa carioca sobre a Bossa Nova e o grupo de jovens reunidos nos apartamentos da Zona Sul, entre eles o de Nara. Ela participa de uma série de apresentações públicas e privadas, e é destaque com fotos em várias matérias jornalísticas.


A estréia profissional se deu quando, da participação ao lado de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra na comédia Pobre Menina Rica (1963). O título de musa da bossa nova foi a ela creditado pelo cronista Sérgio Porto. Mas a consagração efetiva de Nara na música brasileira ocorre após o golpe militar de 64, com a apresentação do espetáculo Opinião, ao lado de João do Vale e Zé Keti, um espetáculo de crítica social a dura repressão imposta pelo regime militar.

Maria Bethânia, por sua vez a substituiria no ano seguinte, interpretando Carcará, pois Nara precisara se afastar por estar afônica naquele momento.
Nota-se que Nara Leão vai mudando suas preferências musicais ao longo dos anos sessenta, de musa da Bossa Nova, passa a ser cantora de protesto e simpatizante das atividades dos Centros Populares de Cultura da UNE. Embora os CPC's já tivessem sido extintos pela ditadura, em 1964 o espetáculo Opinião tem forte influência do espírito Cpcista

Nara Leão foi uma cantora versátil e que não se acomodou em um estilo, Além de Bossa Nova, Nara também cantou músicas de protesto e samba de compositores que na época estavam esquecidos, como: Cartola, Nelson Cavaquinho e Zé Keti.

Em 1966 interpretou a canção "A Banda" de Chico Buarque no "Festival de música Popular Brasileira" (TV Record), que ganhou o festival e o público brasileiro.

Nara Leão foi uma das primeiras interpretes a gravar Chico Buarque, a canção "Com açúcar, com afeto" foi feita sob encomenda pra Nara Leão. Veja no vídeo abaixo:



O Tropicalismo

Nara também aderiu ao movimento tropicalista, tendo participado do disco-manifesto do movimento: Tropicália ou Panis et Circensis, lançado pela Philips em 1968 e disponível hoje em CD.


Vejam no vídeo abaixo vários trechos de imagens com entrevistas e fatos que marcaram a carreira de Nara Leão. São pequenos recortes mas que ajudam a gente a entender melhor todo o contexto em que a música de Nara se encaixava, tem inclusive uma entrevista com Isabel Diegues, filha de Nara.



Vida pessoal:

Já separada do marido Ruy, de quem não teve filhos, Nara casa-se novamente, dessa vez com o cineasta Cacá Diegues, com quem teve dois filhos: Isabel e Francisco. No fim dos anos 1960, se muda para a Europa com o marido, permanecendo lá por dois anos, tendo morado na França, na cidade de Paris, onde nasceu Isabel, primeira filha do casal.

No começo dos anos 1970, ela volta para o Brasil grávida e nasce na cidade do Rio de Janeiro o segundo filho do casal, Francisco. Nessa época, decide estudar Psicologia na PUC-RJ. Nara planejava abandonar a música mas não chegou a deixar a profissão de cantora, apenas diminuiu o ritmo de trabalho e modificou o estilo dos espetáculos, pois era muito cansativa a vida de uma cantora, já que ela agora era mãe e casada, tinha que se dedicar mais aos filhos e ao marido e a música foi ficando em segundo plano. Apesar de Nara amar cantar, teve que fazer essa difícil escolha.


Confira no vídeo abaixo uma entrevista feita para o programa "MPB Especial" com Nara Leão exibidos no "Radiola" da TV Cultura.


Morte

Morreu na manhã de 7 de junho de 1989, vítima de um tumor cerebral inoperável aos 47 anos de idade. Ela já sabia do tumor, e sofria com esse problema havia dez anos. O tumor estava numa área muito delicada do cérebro, por isso ela não podia ser operada, sentia fortes dores e tonturas, e isso também foi um contribuinte pra ela tentar largar a carreira musical. O último disco foi "My foolish heart, lançado naquele mesmo ano, interpretando versões de clássicos americanos.

Após a morte

Em 2002 seus discos lançados anteriormente em LPs foram relançados em CDs em duas caixas separadas, uma com o período 1964-1975 e a outra 1977-1989, trazendo também faixas-bônus e um livreto sobre sua biografia.

Em 2007, a cantora Fernanda Takai gravou o disco "Onde Brilham os Olhos Seus", onde interpreta canções típicas do repertório de Nara Leão, fazendo assim uma homenagem.

Em 2012
O escritor cearense Cássio Cavalcante lança biografia de Nara Leão em Salvador, veja nesse linkNara Leão, a musa dos trópicos.

 Para comemorar os 70 anos da cantora, Isabel Diegues, lançou um site em homenagem à mãe, na qual disponibiliza sua discografia completa, além de fotos, vídeos, documentos pessoais e fatos marcantes de sua carreira e vida pessoal. Veja o site aquiNara Leão

O site UOL fez um paralelo entre as carreiras de Nara Leão e Elis Regina, que nesse ano está fazendo 30 anos de sua morte, vejam a matéria nesse link: Rivais na música, Elis Regina e Nara Leão compartilham data com homenagens desproporcionais



*"Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim, pra lá deste quintal, era uma noite que não tem mais fim, pois você sumiu do mundo sem me avisar e agora eu era um louco a perguntar, o que é que a vida vai fazer de mim?"
*Trecho da canção "João e Maria" de Chico Buarque.

*"Sua voz quando ela canta, me lembra um pássaro, mas não um pássaro cantando, lembra um pássaro voando" Ferreira Gullar

Acesse também: O Canto Livre de Nara Leão
Fontes consultadas:

Site oficial da cantora Nara Leão: www.naraleao.com.br
Site Wikipédia ( Enciclopédia livre da internet)
*as fotos de Nara Leão foram tiradas do site oficial da cantora.

*Pra quem gosta de pesquisar a fundo a MPB, vale a pena visitar o Site Oficial da Nara Leão e ler as biografias disponíveis no mercado.



8 de janeiro de 2012

Chico Buarque. A Censura e a Volta do Exílio


No post anterior falamos sobre o começo da carreira de Chico Buarque e sua inserção na música através dos festivais dos anos sessenta, nesse post vamos falar um pouco sobre o momento político que o Brasil vivia e a transição para a década de setenta, eram tempos de ditadura militar e repressão aos artistas. 








A atuação de Chico Buarque esteve sempre na mira da censura. Alguns dias após a decretação do ato institucional n*5 o compositor é levado ao ministério do exército para depor sobre sua participação na passeata dos Cem Mil e sobre cenas da peça "Roda Viva" consideradas subversivas.

A passeata dos Cem Mil, que no dia 26 de junho de 1968 mobilizou cariocas de todas as classes, unidos em torno dos mesmos ideais, foi tematizada em nosso cancioneiro como "Dia de Vitória", dos irmãos  Marcos e Paulo Sérgio Valle.

"É que o povo acorda e vê que o mundo é seu e nas mesmas ruas onde faz as festas, hoje mão na mão faz o cordão do amor"

Em 1969, devidamente autorizado pelo Coronel Átila, de cuja permissão dependia para se ausentar do Rio, Chico Buarque viaja para Cannes, com o objetivo de participar da "Feira Internacional do Mercado de Disco" (Midem). Ao invés de voltar para o Brasil, segue para um auto-exílio em Roma.



Em Roma Chico escreve a letra de "Samba de Orly" cuja melodia lhe é oferecida por Toquinho, a música contou com a parceria de Vinicius, no verso "Pede perdão pela omissão um tanto forçada", vetado pela censura e substituído por "Pede perdão pela duração dessa temporada"
  "Pede perdão pela duração (Pela omissão) dessa temporada (Um tanto forçada) mas não diga nada que me viu chorando e pros da pesada diz que eu vou levando".



De volta ao Brasil em 1970 contratado por André Midani para o cast da Philips, Chico lança em compacto simples a canção "Apesar de você" cuja letra manifestadamente crítica à ditadura, na pessoa do governante, passou desapercebido pela censura. Após o disco atingir a vendagem de 100.000 cópias a música é proibida e os compactos são recolhidos das lojas. Mas a canção já estava na voz dos brasileiros.

  "Apesar de você amanhã há de ser outro dia, eu pergunto a você onde vai se esconder da enorme euforia".

O episódio que envolveu a liberação e a posterior interdição de "apesar de você" alertou de forma definitiva os censores para a assinatura de Chico Buarque. veja o clipe da música que retrata a situação caótica em que o Brasil vivia nesse período:



             "Apesar de você amanhã há de ser outro dia"




"Aniquilar o homem é tanto privá-lo de comida quanto privá-lo de palavra"
Walter Benjamim.



No próximo post sobre Chico, vamos falar sobre a obra dele nos anos 70, os discos antológicos e é claro vamos ter mais músicas relacionadas a ditadura e ao contexto histórico que o Brasil vivia nessa época. Acho importante fazer esse registro pra resgatar a memória da nossa música que foi totalmente influenciada pelo momento político que o Brasil estava vivendo.


A publicação deste texto foi autorizada pela autora, Heloisa Tapajós. Trata-se da reprodução de um trecho do ensaio "Chico Buarque e a Censura nas décadas de 1960 e 1970", que faz parte do acervo do Núcleo de Estudos em Literatura e Música (Nelim/PUC-Rio) e cuja versão integral pode ser acessada aqui:



Heloisa Tapajós é pesquisadora titular do Núcleo de Estudos em Literatura e Música (Nelim/PUC-Rio) e do Dicionário Cravo Albin da MPB.


12 de dezembro de 2011

Maria Gadú. Mais Uma Página



"Pararam pra reparar? estão ouvindo esse som? pulsando seco na ar, merece nossa atenção! preparem bem os sensores para poder captar, parem usinas motores para ouvirmos bater"


Já chegou nas lojas o novo disco da cantora paulista Mayra Corrêa Aygadoux ou simplesmente Maria Gadú. Ela acaba de lançar o seu segundo álbum de estúdio "Mais uma Página". O Álbum foi gravado pelo selo Slap/Som Livre e produzido por Rodrigo Vidal.


Além da estética sonora, vale destacar o luxuoso projeto gráfico do disco que está impecável, o CD vem embalado em uma caixa que se abre em quatro partes e dentro um encarte turbinado com letras e imagens fora de foco dando ideia de movimento




Maria Gadú chega mais madura em seu novo CD e traz uma sonoridade diferente dos trabalhos anteriores, se no primeiro disco Gadú soava mais acústica, agora as músicas ganharam mais peso. É importante ressaltar também o time de músicos convidados que fazem participação especial em algumas faixas, só pra citar alguns: Marcelo Martins: sax e flatua. Trombone: Aldivas Lima. Flugel: Jessé Sadock e Altair Martins. Violão de nylon: Leo Amuedo e no vocal da faixa 07 "Quem" o cantor e compositor pernambucano Lenine






*Trecho da canção "Reis"
*"Não se fere um rei a ferro e fogo, eu não desejaria ao fogo, à febre um rei"




Mais uma Página é um álbum com um repertório mais sofisticado e que tem tudo pra colocar Maria Gadú no cenário internacional da música, prova disso são as canções "A valsa"- um fado cantando em duo com o cantor lusitano Marco Rodrigues e acompanhado pela guitarra portuguesa de José Manuel Neto e ainda as canções "Like a Rose", "Long Long Time" e a música "Extranjero" que conta com o auxilio luxuoso do acordeom de Alessandro Kramer.


As releituras: "Oração ao Tempo" de Caetano Veloso e "Amor de Índio" Beto Guedes trouxeram um frescor para essas canções e a possibilidade de trazer essas músicas para uma geração mais nova e que talvez não tenha muita intimidade com elas. Outra regravação da cantora é Anjo de guarda noturno, música de Miltinho Edilberto é uma canção mais pop com apelo radiofônico que traz um equilíbrio para o disco


Gadú também acertou nas parcerias, a faixa que abre o disco "No pé do vento" ela assina juntamente com Edu Krieger, já a faixa 09 'Reis" ela divide com Ana Carolina e Chiara Civello. Das faixas inéditas a primeira a ganhar divulgação na mídia foi "Axé Acappella" (Dani Black e Luisa Maita) que inclusive ficou disponível para download no site oficial da cantora. Por Falar em Dani Black ele também contribuiu para o disco com a balada açucarada "Linha Tênue".


Além das três regravações e canções feitas em parceria com outros compositores, há também canções autorais no CD, são elas "Taregué" e "Estranho Natural" além das já citadas acima: "Quem" e "A Valsa". Pra fechar o disco, Maria Gadú inseriu uma faixa escondida, quando acaba a música Amor de Índio ela surge depois de alguns segundos, é a música "Beleza" (Maria Gadú).  



Enfim,  Maria Gadú prova com esse disco que superou a fase Shimbalaiê, deixando de lado a sonoridade acústica do primeiro disco e gravou um álbum mais conciso, leve e que soa moderno e universal. 


tudo isso revela um amadurecimento da cantora que não repetiu fórmulas prontas de sucesso mas escreveu com personalidade mais uma página na história da música popular brasileira.
*Trecho da canção "No pé do vento":


*"Sou pássaro no pé do vento que vai voando a esmo em plena primavera, cantando eu vivo em movimento e sem ser mais do mesmo ainda sou quem era" 


                                 Veja o vídeo release do disco:








"Entre o bem e o mal a linha é tênue meu bem, entre o amor e o ódio a linha é tênue também, quando o desprezo a gente muito preza na vera o que despreza  é o que se dá valor. Falta descobrir a qual desses dois lados convém sua energia para tanto desdém, ou me odeia descaradamente ou disfarçadamente me tem amor".




Wallace Surce.

25 de novembro de 2011

Vencedores da Promoção: Sorteio de 2 CDs da Manu Santos



Olá amigos do Clube da Mpb, nossa parceria com a cantora Manu Santos foi um sucesso! queremos agradecer a todos vocês que participaram do sorteio, quem não ganhou não fique triste, com certeza faremos outras promoções. Veja nesse link o vídeo em que a cantora Manu Santos anuncia o nome dos vencedores da promoção: http://youtu.be/D8hQo4bYpD4

Aqui está o link do sorteio: http://beta.sorteie.me/r/dju e no vídeo abaixo a comprovação de que os sorteados estão de acordo com Às regras exigidas para participar do sorteio:



Queremos agradecer a todos nossos amigos que participaram desse sorteio e especialmente a cantora Manu Santos por ter acreditado e abraçado esse projeto pra "Nossa Alegria" e alegria de todos que amam Mpb.


*Sobre a entrega dos cds, nós iremos mandar uma "mensagem direta" através do twitter pras vencedoras.


19 de novembro de 2011

Chico Buarque anos 60. A era dos Festivais.


Na foto acima Chico Buarque com a filha Silvia em 1977




Chico é um artista que consegue ser genial em tudo que faz, seja na literatura, na música e há quem diga que até no futebol ele arranca elogios de quem o acompanha. Nesse post vamos falar apenas sobre o Chico cantor e compositor que surgiu nos festivais dos anos sessenta.


Nos seus 45 anos de carreira e aproximadamente 40 discos, ele é da geração dos artistas que surgiram nos festivais dos anos sessenta. Sua obra é atemporal, letras poéticas e músicas com requinte harmônico. Chico Buarque é sem duvida o artista que melhor consegue traduzir o sentimento feminino através das suas letras, não é à toa que ele é visto como o compositor preferido das cantoras brasileiras.


Francisco Buarque de Hollanda nasceu no Rio de Janeiro em 19 de Junho de 1944. Filho do historiador Sérgio Buarque de Hollanda, morou em São Paulo, Rio e Roma durante a infância. Desde criança teve contato em casa com grandes personalidades da cultura brasileira como: Vinicius de Moraes (que viria a se tornar seu parceiro), Baden Powell e Oscar Castro Neves, amigos dos pais ou da irmã mais velha, Miúcha, também cantora e violonista.


Em 1964 começou a se apresentar em shows de colégios e festivais e no ano seguinte gravou para RGE o primeiro Compacto, com "Pedro Pedreiro" e "Sonho de Um Carnaval". Desde então não parou mais de compor e se apresentar, participando de festivais internacionais de música, atuando no programa O Fino da Bossa, da TV Record.


Em 1965 Chico Buarque musicou o poema "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Mello neto, que fez muito sucesso aqui no Brasil e na França.


A Era dos Festivais.


 *1966- II Festival de Música Popular Brasileira.


Chico se tornou conhecido do grande público quando ganhou o II Festival de Música Popular Brasileira em 1966, transmitido pela TV Record com "A Banda", interpretada por Nara Leão juntamente com Chico Buarque, cada um cantou uma parte da canção, "A Banda" de Chico e "Disparada" de (Geraldo Vandré e Theo de Barros) interpretado por Jair Rodrigues ficaram empatadas em primeiro lugar no festival. Veja abaixo o vídeo de 1982 em que Chico Buarque assiste junto com Nara Leão o festival de 1966:






Agora um momento emocionante do festival, a hora em que foi anunciado os vencedores do festival, reparem como o Teatro Record "quase veio a baixo" na hora em que foi divulgado os vencedores:




Curiosidades do Festival de 66:


O musicólogo Zuza Homem de Mello no livro: "A Era dos Festivais" revelou que "A Banda" venceu o festival. Ele preservou por décadas as folhas de votação do festival. Nelas consta que a música "A Banda" ganhou a competição por 7 a 5, Chico ao perceber que ganharia, foi até o presidente da comissão e disse não aceitar a derrota de "Disparada". Caso isso acontecesse, iria na mesma hora entregar o prêmio ao concorrente.


na foto acima: Jair Rodrigues, Nara Leão e Chico Buarque.
     
 *1967- III Festival da Música Popular Brasileira. TV Record.


Chico Buarque conquistou no ano de 1967 o terceiro lugar com a música "Roda Viva" interpretada por ele e o grupo MPB4, veja o vídeo








Conquistou ainda no ano de 67 o terceiro lugar no II Festival Internacional da Canção "FIC" com a música "Carolina" defendida por Cynara & Cybele. Nesse período, participou pela primeira vez do cinema, atuando no filme "Garota de Ipanema", de Leon Hirszman, interpretando suas composições: "Noite dos Mascarados e "Um Chorinho". Ainda em 1967 recebeu, da Câmara Municipal de São Paulo, o título de Cidadão Paulistano.




   *1968- III Festival Internacional da Canção.


Em 1968 Chico voltou a vencer outro festival com a composição "Sabiá", (c/Tom Jobim), defendida outra vez por Cynara & Cybele. Os detalhes do vídeo ficam por conta das aparições de Elis Regina e Chacrinha nas imagens. É impossível assistir esse vídeo e não se arrepiar ou se emocionar, comprove você mesmo como os próprios olhos.






Como vocês puderam ver no vídeo acima houve um misto de vaias e aplausos, desta vez a vitória foi contestada pelo público, que preferiu a canção que ficou em segundo lugar, "Pra não dizer que não falei das flores" de Geraldo Vandré.


Sua participação em festivais foi definitiva para a consolidação de sua carreira. Fez sucesso com "Roda Viva", "Carolina" e "Sabiá". A participação no festival, com "A Banda", marcou a primeira aparição pública de grande repercussão apresentando um estilo amparado no movimento musical urbano carioca da Bossa Nova, surgido em 1957. Ao longo da carreira o Samba e a MPB também seriam estilos amplamente explorados.


                          
                             Discografia dos anos sessenta.






                             Chico Buarque de Hollanda-1966


1*A Banda. 2*Tem Mais Samba. 3*A Rita. 4*Ela e Sua Janela. 5*Madalena Foi pro Mar.
6*Pedro Pedreiro. 7*Amanhã Ninguém Sabe. 8*Você Não Ouviu. 9*Juca. 10*Olê Olá. 
11*Meu Refrão. 12*Sonho de Um Carnaval.




                             Chico Buarque de Hollanda-1967






1*Noite dos Mascarados. 2*Logo Eu?. 3*Com Açúcar, Com Afeto. 4*Fica. 5*Lua Cheia.
6* Quem Te Viu, Quem Te Vê. 7*Realejo. 8*Ano Novo. 9*A Televisão. 10*Será que Cristina Volta?
11*Morena dos Olhos D'água. 12*Um Chorinho.




                            Chico Buarque de Hollanda-1968








1*Ela Desatinou. 2*Retrato em Branco e Preto. 3*Januária. 4*Desencontro. 5*Carolina. 6*Roda-Viva
7*O Velho. 8*Até Pensei. 9*Sem Fantasia. 10*Até Segunda-Feira. 11*Funeral de Um Lavrador. 
12*Tema Para "Morte e Vida Severina".




Os discos apresentados abaixo são raridades da discografia de Chico, verdadeiras peças de colecionadores:




                            Morte e Vida Severina de 1966






                            
                           Chico Buarque na Itália-1969:












*A primeira parte da homenagem ao Chico Buarque termina aqui, mas continuará depois em outros posts dedicados a carreira deste mestre da MPB. Vou falar ainda sobre a carreira dele na década de 70 e depois continuarei até chegar a fase atual. Espero que vocês tenham curtido.