10 de outubro de 2011

"A Voz, o Violão, a Música de Djavan"

                            

Biografia

Djavan Caetano Viana nasceu em 27 de Janeiro de 1949, na cidade de  Maceió, estado do Alagoas. Filho de mãe lavadeira, aprendeu a tocar violão sozinho, consultando as revistas de violão vendidas no jornaleiro. Teve como maior influência sua mãe que cantarolava canções de Nelson Gonçalves e Angela Maria.


Djavan e o futebol

Até os 18 anos Djavan ganhava a vida como jogador de futebol, jogava como "Meio de Campo" no CSA (Alagoas). Onde poderia até ter feito carreira profissional, além da bola Djavan também animava os bailes com seu conjunto Luz, Som, Dimensão. (LSD). Mas a paixão pela música falou mais alto e aos 19 anos deixou definitivamente o futebol e passou a dedicar-se apenas à música.


                            O começo da carreira no Rio de Janeiro (1973)



Djavan chegou ao Rio de Janeiro com 23 anos, pra tentar a carreira artística, o detalhe era que ele não conhecia ninguém por lá nem nunca tinha ido ao Rio antes. Começou trabalhando como crooner em boates famosas como:  Number One e 706. Depois de ficar muito tempo "perdido" no Rio, Djavan toma uma atitude que mudaria sua vida, lembrou-se do amigo e conterrâneo Edson Mauro, locutor esportivo da Rádio Globo para pedir que lhe apresentasse alguém da área musical. 

Edson lhe apresentou o radialista e produtor musical Adelzon Alves, este por sua vez disse que a música do Djavan não era necessariamente o tipo de música que ele trabalhava mas que lhe apresentaria um amigo "João Mello" produtor musical da Som Livre.

Djavan é contratado pela Som Livre e passa a gravar trilha de novelas, para as quais grava músicas de compositores consagrados como Dori Caymmi, Toquinho e Vinícius e Paulo e Marcos Valle. Em três anos  Djavan compõe mais de 60 músicas de variados gêneros, uma delas "Fato Consumado" que ficou em segundo lugar no Festival Abertura.



 O divisor de águas na carreira de Djavan

Festival Abertura " promovido pela TV Globo em 1975 foi o divisor de águas na carreira do Alagoano Djavan,  ele conseguiu colocar a música "Fato Consumado" em segundo lugar no festival. Vejam um trecho da música no programa Ensaio da TV Cultura: 




       O primeiro disco:  "A Voz, o Violão, a Música de Djavan"



Em 1976 Djavan grava seu primeiro Disco pela gravadora Som Livre, que incluía uma de suas criações mais consagradas: "Flor-de-Lis" e também a música "Fato Consumado". No ano seguinte Djavan assina contrato com a EMI onde viria a gravar três discos: "Djavan" (1978),  "Alumbramento" (1980) e "Seduzir" (1981). O primeiro nos deu "Serrado" e "Álibi" o segundo "Meu Bem Querer" e "A Rosa" com Chico Buarque e o terceiro "Seduzir" e "Faltando um Pedaço". 


                                     Capa do segundo disco Djavan (1978)


Djavan se consagra como um dos grandes nomes da MPB
                      
Os grandes interpretes da Música Popular Brasileira se rendem as composições de Djavan. Nana Caymmi gravou "Dupla Traição"; Maria Bethânia "Álibi" e Roberto Carlos "A Ilha". Gal Costa fez uma belíssima interpretação de  "Açaí" e "Faltando um Pedaço"; que tornaram-se as mais executadas em todo país. Mas a maior homenagem veio de Caetano Veloso que ao gravar sua versão para música "Sina" retribuiu o verbo "Caetanear" com "Djavanear". 






                Djavan conquista o reconhecimento internacional.








Em 1982 a música Flor de Lis, hit do primeiro, disco torna-se o primeiro sucesso de Djavan no disputado mercado americano na voz da diva Carmen Mcrae com o título de "Upside down". Chega o convite da gravadora CBS, Atual Sony Music e Djavan embarca para Los Angeles para gravar, sob a produção de Ronnie Foster o disco Luz que tem a participação luxuosa de Stevie Wonder tocando harmônica na canção Samurai. 

O álbum é recheado de sucessos como: Sina, Pétala e Açaí. Em 1983 Djavan participou da Gravação do Hit "Superfantástico" do grupo infantil "Turma do Balão Mágico".

Ainda em 1983 Djavan dedica cinco meses da sua carreira ao cinema. "Pra Viver um Grande Amor". Filme de Miguel Faria Jr, no qual Djavan interpreta um poeta-mendigo que se apaixona pela moça rica "Patrícia Pillar". Djavan também produziu e ajudou na composição para trilha sonora junto com Chico Buarque, vejam as músicas que fizeram parte da trilha de Pra Viver um Grande Amor

Em 1984 Djavan grava outro disco em Los Angeles: "Lilás". Seguem-se dois anos de viagens em turnê pelo mundo.

O LP Lilás fez enorme sucesso, a música Lilás foi executada mais de 1300 vezes nas rádios brasileiras no dia de sua estréia, o disco ainda trouxe um outro sucesso radiofônico, "Esquinas".

Ainda na década de 80 gravou os discos "Meu Lado" (1986), "Não é Azul Mar é Mar" (1987) também gravado nos E.U.A em inglês como, Bird of Paradise (1988); e Djavan (1989) com a música Oceano acompanhada pelo violão de Paco de Luccia, foi incluída na trilha da novela Top Model, da TV Globo.


                                                Djavan de 1990 até 2011

Djavan entra na década de noventa dando um "Baile" de musicalidade para "Alivio" dos fãs da boa música, e mostra que a "Ferrugem" não oxidou a criatividade. Em 1992 lançou o disco "Coisa de Acender" músicas como: Se, Boa Noite e Linha do Equador que ele compôs junto com Caetano Veloso são os destaques do álbum. Lançou ainda os discos "Novena" (1994), "Malásia" (1996), e "Bicho Solto" (1998).

           
Djavan Celebra o fim do anos 90 com seu primeiro disco Ao Vivo



Em 1999 Djavan gravou praticamente uma antologia de sua obra, 24 canções divididas em 2 CDs ao vivo, o sucesso se refletiu no número de discos vendidos: "Dois milhões de cópias vendidas" é importante ressaltar que essa informação foi checada e confirmada no próprio site do cantor. 

Nessa fase da carreira Djavan estava tocando com os filhos na banda, Max Viana na guitarra e João Viana na Bateria e ainda tinha a filha Flávia Virgínia fazendo participação especial nos vocais.

O sucesso do disco Ao Vivo foi compartilhado com os fãs durante uma turnê que durou 3 anos e em 2001 Djavan lançou o álbum "Milagreiro" um disco delicioso de se ouvir, uma sonoridade agradável e leve, impossível deixar de falar em algumas músicas como "Farinha" que faz uma homenagem ao povo nordestino, outra música que merece destaque é a faixa que dá nome ao disco "Milagreiro" que é cantada junto com Cassia Eller, essa faixa é de arrepiar, Cássia interpreta a canção com uma intensidade incrível, um dos melhores duetos da MPB.

Em 2004 Djavan inaugura sua própria gravadora a Luanda Records e lança um ótimo disco, o álbum Vaidade, um cd intimista e com arranjos delicados que merecem uma audição bem cuidadosa pra aproveitar todos os detalhes das músicas como o Bandolim do Hamilton de holanda, o clarinete de Lelei e o sax de Marcelo Martins.



Ainda pela sua própria gravadora Djavan viria a lançar mais dois discos, "Na Pista, etc..."(2005) e "Matizes" (2007).

2010 - Djavan lança pela gravadora Biscoito Fino o disco "Ária", álbum em que ele canta a obra de outros autores, mas não é só isso, a banda e a sonoridade do disco tornam o disco muito especial.

Djavan alcança em Ária o máximo da sofisticação e requinte ao dar sua interpretação pessoal a músicas que soam muito natural na voz do cantor como se fossem feitas por ele, essa foi a minha sensação ao escultar esse disco que pra mim é uma obra prima e merece destaque especial na discografia do músico alagoano.



2011 - "Ária ao Vivo". Djavan fez o registro do disco Ária  em CD, DVD e Bluray gravado vivo no Palácio das Artes em Belo Horizonte (MG) nos dias 8 e 9 de abril de 2011. Um presente para os fãs que lotaram o teatro em dois dias de show para celebrar e cantar junto com Djavan que fecha assim um ciclo na carreira e já vislumbra novos ares ao prometer um álbum de inéditas para 2012. 


     Vejam uma amostra do que foi esse show no Palácio das Artes:



Vejam nesse link a Discografia do Djavan

Vocês sabiam que Djavan chegou a ser preso no começo da carreira? Confira essa história no O Som do Vinil.

Fontes consultadas: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, Site oficial do Djavan e arquivo pessoal. A caricatura do Djavan foi tirada da internet e não tinha o nome do autor.


Considerações finais:

Foi um prazer incomensurável fazer esse post sobre o Djavan, não só por se tratar de um ícone da MPB mas por ser o meu maior ídolo, desses que a gente tem todos os discos e vai a todos os shows possíveis, Quem é fã do Dja" sabe como é emocionante vê-lo no palco, é uma sensação unica que só a música proporciona. 


"Se toda hora é hora de dar decisão eu falo agora, no fundo eu julgo o mundo um fato consumado e vou embora, não quero mais de mais a mais me aprofundar nessa história, arreio os meus anseios, perco o veio e vivo de memória".

18 de setembro de 2011

Elis Regina, a Voz de Uma Geração



                   
                                    
Os Primeiros Passos


Elis Regina Carvalho Costa nasceu em Porto Alegre, em 17 de março de 1945, aos 11 anos começou a cantar no programa infantil "Clube do Guri" na Rádio Farroupilha de Porto Alegre, apresentado pelo radialista Ary Rego, que seria decisivo na carreira de Elis, à media que aos poucos dava importância a sua imagem, dando a ela um quadro fixo no programa.



Seu primeiro contrato profissional foi em 1959, quando aos 14 anos passou a trabalhar na Rádio Gaúcha de Porto Alegre, fazendo parte do programa da Mauricio Sirotsky Sobrinho.



Em 1960 gravou seu primeiro compacto simples pela gravadora continental com às músicas: "Da Sorte" e "Sonhando". Em 1961 gravou o seu primeiro LP: Viva a Brotolândia, os títulos e gravações continuaram até 1963, seu último ano em Porto Alegre, onde acumulou o prêmio de melhor cantora do ano e o lançamento do segundo e terceiro LPs pelas gravadoras Continental e CBS.


Ao final de 1963 resolveu abandonar os estudos e em 1964 Elis Regina acompanhada do pai chega ao Rio de Janeiro para tentar carreira nacional. 


Ao assinar um contrato com a TV Rio, passa a participar do programa noites de gala, com as presenças de Jorge Ben, Wilson Simonal e Trio Iraquitã. 


A partir da televisão, conhece o baterista Dom Um Romão que a leva para um show no Beco das Garrafas. O Beco era uma rua sem saída entre edifícios e ficou conhecido por ser o reduto da bossa nova, por lá se apresentavam os melhores músicos da época, e Elis passou a frequentar com frequência, acompanhada pelos principais músicos que estavam começando a carreira na época. Os shows eram dirigidos por Ronaldo Bôscoli e Miéli.                             




O Divisor de águas na Carreira de Elis.


Em 1965, Elis Regina venceu o I Festival Nacional de Música Popular Brasileira "TV Excelsior" com Arrastão (Edu Lobo & Vinicius de Moraes), recebendo o prêmio Berimbau de Ouro e projetando-se nacionalmente. Essa participação foi considerada seu lançamento público como estrela nascente da MPB.

                                  .                                         

A participação no primeiro festival de música brasileira em 1965 na TV Record, abriu definitivamente as portas para Elis Regina. Apresentando Arrastão a gaúcha conquistou o primeiro lugar no festival, nesse mesmo ano começou a frutífera parceria com Jair Rodrigues, lhe renderia os três discos da série Dois na Bossa e o programa de televisão "O Fino da Bossa", este último levando grandes estrelas da então nascente MPB ao palco do teatro Record.



                                                                             



"O Fino da Bossa" -  foi um programa produzido pela TV Record, em 1965, e era apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues, acompanhando na maior parte das edições pelo Zimbo Trio, o programa recebia ao vivo os convidados no palco, foi com esse programa que ela conquistou de vez o público e ganhou o posto de uma das maiores cantoras do Brasil.


Tamanha repercussão fez de Elis uma unanimidade, ela levava multidões aos teatros e para frente da TV. A pimentinha como ficou conhecida, por causa da sua personalidade forte, era a representante de uma geração talentosa. A primeira após a bossa nova, ocupando espaço num veículo de comunicação de alcance nacional. 


Produzido e dirigido por Manoel Carlos, hoje conhecido como autor de novelas e Nilton Travesso, a atração ficou no ar por três anos com grande sucesso, entre 1965 e 1967. O Fino da Bossa marcou a história da televisão no Brasil e ajudou a redefinir os rumos da música popular brasileira. Vejam o link sobre o programa: O Fino da Bossa


O fim dos anos 60 foi marcado pela participação de Elis em diversos festivais, com desempenhos ora aplaudidos, ora vaiados. A carreira internacional da cantora também começou nessa época, com apresentações marcantes na França e em Portugal. 


Em 1969 ela volta ao Brasil e divide-se entre o programa Elis estúdio, ainda na Tv Record e o cuidado com sua primeira gravidez, fruto do casamento com Ronaldo Bôscoli. Dois anos depois, a cantora deixa a Record e assina com a Globo, passa a apresentar junto com Ivan Lins o Programa "Som Livre Exportação"


 O programa som livre Exportação revolucionou os musicais de televisão ao romper com a fórmula dos programa de auditório, intercalando depoimento de personalidades e recolhendo opinião de populares.  Período de exibição: 03/12/1970 a 22/08/1971.

                                        


Nos dias 12 e 13 de maio de 1973, Elis participou ao lado de grandes artistas da MPB da série de shows que compuseram "Phono 73" promovido pela gravadora Philips e lançado em  três LPs. Em 2005 foi lançada a caixa "Phono 73" contendo dois cds e um dvd.


                                                          
Vejam o link da reportagem da Folha de São Paulo sobre o Phono 73.     
Elis Regina revelou alguns dos maiores compositores da música popular brasileira, podemos citar alguns: Renato Teixeira "Romaria", Ivan lins "Madalena", João bosco e Aldir Blanc "Bala com bala", Tunai "As aparências enganam", Fagner e Belchior "Mucuripe", Belchior "Como nossos pais", Tim Maia "These are the songs", Milton Nascimento "Travessia", "Canção do Sal" e tantas outras. Milton comenta no vídeo o jeito pimentinha de ser de Elis, vejam: 


                                                                                            

Em 16 de agosto de 1977, Elis participou do Especial de Milton Nascimento na TV Bandeirantes, vejam no vídeo:


                           

No vídeo abaixo, Nelson Motta fala sobre as parcerias marcantes da MPB e cita o dueto de Elis Regina e Tim Maia em "These are the songs"

                       
                                                             


Comemoração dos 10 anos de carreira.


Em comemoração aos dez anos de carreira na gravadora Philips, Elis ganhou de presente da gravadora um projeto especial, era a gravação do antológico "Elis & Tom-1974", com produção de Aloysio de Oliveira.


Elis foi para Los Angeles gravar o disco com Tom Jobim nos estúdios da MGM, o disco foi gravado entre os dias 22 de fevereiro e 09 de março. Antes de encontrar-se com Tom, Elis declara: "Tom me assusta um pouco, mas é importante conviver com esse monstro sagrado da nossa música, e a responsabilidade de gravar ao seu lado balança um pouco qualquer pessoa". (Folha de São Paulo, 17/04/1974).



Vejam imagens da gravação do disco feita nos estúdios da MGM em Los Angeles:
              
                                    

 No inicio de 1975, criou com Cesar Camargo Mariano, seu irmão Rogério Costa e mais outro sócio a Trama, empresa que passou a produzir espetáculos musicais.                               


Falso Brilhante -  Em 1975 Elis Regina estreou um espetáculo intitulado Falso Brilhante, com o objetivo de contar a sua história, vida e carreira, sem deixar de lado as críticas a ditadura militar; tudo isso num clima meio circense. O show teve mais de 1.200 apresentações e ficou em cartaz entre o final de 1975 e o início de 1977, tornando-se assim um sucesso absoluto e lendário na história da MPB. 


Nesse espetáculo ela interpretou duas canções "Como nossos pais e velha roupa colorida" escrita por Belchior, lançando assim o jovem compositor. Devido a popularidade de Falso Brilhante foi solicitado que Elis e seus músicos gravassem parte do repertório em estúdio pra que fosse lançado um LP.

Elis Regina quebrou preconceitos - Elis Regina além de quebrar um preconceito contra a "música rural" lançou o compositor Renato Teixeira ao gravar a música Romaria no LP Elis de 1977, a música fez um sucesso enorme e tornou Renato Teixeira nacionalmente conhecido. Vejam que interpretação sensível e marcante da pimentinha:


                            

Elis Regina e Adoniran Barbosa, uma dupla que deu samba - Elis e Adoniram se encontraram diversas vezes pela vida. No primeiro encontro no "Fino da Bossa" Elis não segurou as gargalhadas diante da irreverência de Adoniran. No livro Adoniran, uma biografia, (editora Globo) o jornalista José de Campos Jr relatou os encontros de Elis Regina com Adoniram.


A pimentinha gravou duas músicas de Adoniran, "Saudosa Maloca" saiu no LP Transversal do Tempo e "Tiro ao Álvaro" que foi gravada no disco Adoniran convida e além disso gravou ainda pra um especial de TV a música "Iracema" junto com Adoniran em 1978. Adoniran morreu meses depois de Elis. Vamos lembrar o sucesso "Tiro ao Álvaro"


                                                                                                        


Vejam esse encontro memorável e descontraído de Elis com Adoniram cantando Iracema, Um Samba no Bexiga e Saudosa Maloca no Bar da Carmela, bairro Bexiga, em São Paulo-1978.  


                                                                   

 Frases polêmicas - "Sempre vou viver como kamikaze, é isso que me faz ficar de pé".  "Neste país só há duas que cantam: Gal e eu"


  Elis e os filhos - Depois de trocar a vida poluída na cidade grande por uma casa na Serra da Cantareira, Elis e César ganham mais uma criança pra completar a família, dessa vez a menina Maria Rita, que hoje brilha nos palcos seguindo a mesma carreira da mãe. 








Elis e seu engajamento politico - Elis sempre foi uma mulher ativa, que criticava e manisfestava sua indignação contra a repressão na época da ditadura, também lutou em favor da causa dos direitos autorais dos artistas.
 Essa postura de inquietude e inconformismo a acompanhou por toda sua carreira, sendo enfatizada por interpretações consagradas de "O Bêbado e a Equilibrista" de João Bosco e Aldir Blanc. A canção coroou a volta de personalidades brasileiras do exílio, a partir de 1979. Vejam o vídeo dessa música que ficou conhecida como o hino da anistia:  
                     
                                                                               

Os Grandes Espetáculos - Elis sempre tinha algo a dizer, sempre inovava, sempre criava um espetáculo e mandava seu recado, como já falamos anteriormente o Falso Brilhante foi um deles, teve também o Transversal do Tempo em novembro de 1977 que excursionou por diversas capitais brasileiras e também Itália e Espanha.   


Festival de jazz, Montreau/Suíça - Em 1979 Elis deixa a gravadora Philips e passa a WEA. O novo contrato inclui, de antemão a participação da cantora no Festival de Jazz de Montreaux, na Suiça. Além da banda com cinco músicos, fazem parte do show o gaitista Toots Thielmans e o multi-instrumentista Hermeto Pascoal.


  
       
Saudades do Brasil:
                            
                                                                     O espetáculo Saudades do Brasil - começa sua temporada em abril, no Canecão (RJ), mas é interrompido em julho/1980 pela morte de Vinicius de Moraes. O show vira disco, com tiragem limitada de 25 mil unidades. 


Ainda em 80, Elis lança um novo LP, desta vez pela gravadora EMI-Odeon, dedicado a Rita Lee, "Meu ídolo, minha amiga e colega de internato". Seria o último disco gravado pela cantora. A dedicação à concepção e produção do show Trem Azul ocupa Elis durante o ano de 1981. 


O espetáculo inaugura a casa de shows paulista Anhembi e depois iria ao Rio de Janeiro e a Porto Alegre. A cantora muda de gravadora mais uma vez, passando agora à "Som Livre". Elis não chegou a gravar nem um disco na nova empresa, pois morreu em 19 de janeiro de 1982, em São Paulo, vítima de overdose de cocaína. Uma camisa com a bandeira brasileira onde se lê "Elis Regina" no lugar de "Ordem e Progresso" veste o corpo da cantora, velado no Teatro Bandeirantes.  

                                                                                    

"Choram Marias e Clarices, chora a nossa pátria mãe gentil"


Elis era uma estrela que se apagou, mas continua brilhando e iluminando nossas vidas através da sua obra, seus discos ainda estão aí pra gente ouvir e sentir "Saudades do Brasil" saudades de um país que não existe mais, onde a verdadeira música do Brasil tinha o seu espaço merecido. Só nos resta lembrar e reverenciar aquela que sem dúvida foi a maior interprete da nossa música popular brasileira. 


"Elis Regina Carvalho Costa"- (Porto Alegre *17/03/1945. São Paulo +19/01/1982). Como não poderia ser diferente, a morte de Elis causou comoção nacional, Veja o registro do Jornal Hoje,em 1982:


                                

Estátua de Elis Regina, em homenagem os 237 anos de Porto Alegre:


no dia 26 de março de 2009, foi inaugurada na Usina do Gasômetro em Porto Alegre, no local há uma estátua confeccionada em bronze, a obra reproduz a cantora gaúcha em tamanho natural. A imagem foi feita pelo artista plástico "José Pereira Passos" e doada à administração Municipal. 


                                                                                     


"Azar, a esperança equilibrista, sabe que o show de todo artista, tem que continuar..."  [João Bosco, Aldir Blanc]

                                                


"Na parede da memória, essa lembrança é o quadro que dói mais" [Belchior].



Wallace Surce



15 de setembro de 2011

ROBERTA CAMPOS FEZ UM BELO SHOW COM DIREITO A GRAVAÇÃO DE CLIPE

Dia 03/09/11 o Auditório Ibirapuera foi palco para a cantora mineira Roberta Campos, ela que tem dois albúns gravados e mais de 200 belas composições esperando o momento certo para serem lançadas, encantou a platéia com sua doçura e verdade musical.


Ao lado dos músicos Fernando Falvo, Adriano de Paternostro, Alvaro Alexandre e André Lima, Roberta cantou músicas do seu segundo albúm "Varrendo a Lua", nome que também é título de uma canção própria que ganhou clipe recentemente e embala a novela "Malhação" exibida na TV Globo, sonhos alcançados, fruto do grande talento que Roberta Campos tem em transformar sentimentos em músicas.


A noite estava muito fria, mas "casou" perfeitamente com o clima de aconchego e intimidade criado pelo ambiente do Auditório, importante dizer também que Roberta Campos estava linda, vestida com sua identidade pessoal e muito carisma.


Rolou gravação de clipe da música "Acabou", composta também por Roberta Campos, foi uma interpretação intensa, assistida com muita atenção e cantada com muita emoção pela platéia, esta que deve sentir-se muito honrada por presenciar algo tão bonito e mais, ter a oportunidade de cantar junto nesse registro tao importante na vida de Roberta Campos.
Eternizar esse carinho artista-fã deu a sensação para nós que estávamos presentes, que também somos o motivo do clipe e mais do que nunca ajudamos e brindamos as conquistas dos nossos ídolos.


As surpresas não pararam por aí, Roberta emocionou-se e emocionou cantando grandes sucessos que marcaram época e vida de muitas pessoas que estavam ali, todas elas acompanhadas pela voz do público, "As curvas da estrada de Santos" e "Cuide bem do seu amor" foram perfeitamente interpretadas e o destaque da noite fica com as canções "Vinte e Nove" e "Pais e Filhos", músicas do Legião Urbana, compostas por Renato Russo, cantor que Roberta Campos diz ter influenciado muito em sua vida.


Compositora com grande talento, Roberta não para de criar e nos últimos shows vem apresentando novas canções, "Porta Retrato" e "Sete dias" foram bem recebidas pelo público e já fazem parte das mais pedidas.


O show foi maravilhoso, deixou toda a platéia animada e para terminar Roberta cantou mais três sucessos, fazendo as pessoas catarolarem durante alguns dias involuntariamente esses momentos inesquecíveis.
Tanto sucesso e quantidade de admiradores sempre crescendo é a prova que internet, redes sociais e criativadade dão certo, Roberta mantém fãs e admiradores sempre informados e atualizados, essa troca de informações é tão grande e recíproca, que o som dela vai passando de "boca em boca" numa trajetória sem fim, expandindo cada vez mais.
Para quem não conhece o primeiro albúm "Para aquelas perguntas tortas", no site do Musicoteca, é possível fazer o donwload gratuitamente, aproveitem!
ESTAMOS TODOS JUNTOS "VARRENDO A LUA" !

Renata Damico

2 de setembro de 2011

Bruna Caram e 5 a Seco em Osasco

O Sesc Osasco teve muito o que comemorar no último sábado/ 27 de agosto, conseguiu emocionar o público que teve o privilégio de ver 2 talentos no mesmo palco em um evento único.


O ESPETÁCULO aconteceu sob a TENDA 1, foi acomodado e recepcionado por uma platéia majestosa que conseguiu estampar a palavra ESGOTADO mais ou menos uma semana antes do show em todos os pontos de venda.
Bruna Caram e sua banda composta pelos músicos Alexandre Fontanetti, Anderson Toledo, Bernardo Goys e Luis Capano deram início a festa, cantando sucessos dos albúns "Essa Menina" e "Feriado Pessoal", sua presença de palco unindo interpretação e musicalidade emocionaram o público.


O clima do show estava tão perfeito que em muitos momentos era possível ouvir a platéia cantando junto e até mais alto que a encantadora Bruna Caram, como ela mesmo disse em seu twitter: "Ouso dizer que foi uma das platéias mais calorosas que já encontrei".
Músicas como "Palavras do Coração", "Feriado Pessoal" e "Quem sabe isso quer dizer amor" arrancaram suspiros e exclamações da platéia, mostrando mais uma vez que ela canta pra alegrar e tem tudo que precisa ao seu lado na hora do show, talento, amigos de palco, admiradores e fãs da cantora que seguem seu canto onde quer que ele vá.



As interpretações tão esperadas e conhecidas na voz da Cantatriz como "Em Paz" (Pedro Altério, Rafael Altério e Rita Altério) e "Gargalhadas" (Pedro Altério e Pedro Viáfora), foram apresentadas ao público de uma forma diferente, um jeito quase inaudito, que surpreendeu cada um que ali estava, foi chamando o 5 a Seco ao palco que Bruna Caram como um maestro regeu e deu continuidade à noite.

O grupo composto por cinco jovens experientes e talentosos, é chamado de 5 a Seco, nome que me permite arriscar ter sido escolhido pelo fato de todos serem ótimos compositores e apresentarem a maioria das músicas somente com violão e voz.
Vinicius Calderoni, Tó Brandileoni, Pedro Altério, Leo Bianchini e Pedro Viáfora formam o quinteto que demonstra muita habilidade e carinho com os instrumentos. Quanto à combinação das vozes, digo, afirmo e repito que é o que existe de mais harmonioso e agradável no novo cenário musical, além da simpatia e desenvoltura com que esses garotos brincam e interagem com a platéia.


Eles também cantaram sucessos aclamados que em breve serão lançados no DVD do grupo, músicas que aliás contagiaram às pessoas, transformando o show em um coral desinibido e muito bem familiarizado com o repertório.



Em algumas músicas Bruna é a convidada da vez e retorna ao palco para adoçar o clima do 5 a Seco, destaque para as canções "Tatame" e "Mesmo quando a boca cala", já que essas interpretações são raras e sublimes de se ver.



Um show composto de grandes momentos ainda fez Bruna Caram e o 5 a Seco retornarem ao palco após anunciarem o fim do espetáculo para alegria geral. Era visível a energia e a receptividade do público que se manifestava com as palmas e com o semblante alegre de quem estava extasiado com o que estava vendo, esse sábado foi marcante pra quem pôde ir nesse evento, uma experiência musical única e que vai ficar eternizada em nossas memórias.

Renata Damico